Diferenças na motivação de homens e mulheres


Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.
InPaSex – Instituto Paulista de Sexualidade
ww.inpasex.com.br

Este é um assunto muito comum nas clínicas de sexologia ou de psicoterapia de casais.
No mundo ocidental já houve época em que representantes profissionais da saúde acreditavam que homens deveriam ter mais desejo sexual que as mulheres por produzirem hormônios sexuais em maior quantidade. Mas isso já foi na década de 1950, embora ainda encontremos alguns profissionais de saúde que emitem esta inverídica opinião com certa constância.
Pesquisas populacionais desde a década de 1930 demonstram que a verdade não é bem assim em termos absolutos, mas ainda é uma verdade relativa em nossas culturas.
Regras sociais transmitidas através de dezenas de gerações e aprendidas individualmente separam homens e mulheres por suas identidades sociais. Para se perceberem homens, temos que demonstrar mais desejo sexual que as mulheres, as quais aprendem a suprimir as expressões de sexo para manterem a auto percepção de serem mulheres.
A sexualidade aflorada é uma forma social de expressão que configura as identidades sociais dos gêneros.
Biologicamente não há razão para a distinção, o que é demonstrado por casais onde existem mulheres que se dedicam mais ao sexo que os homens. Mas isso não é apresentado publicamente…
Mulheres que se mostram mais expressivas sexualmente são desmoralizadas na tentativa de se impedir que se mantenham sexualmente expressivas.
Outra forma de se buscar desmoralizar uma mulher sexualizada é a classificação de prostituta, confirmando ela estar disponível para o sexo, e mesmo sendo mulher, não ser mantida na mesma classe das mulheres “direitas”.
Uma forma de efetivar controle social sobre mulheres e a expressão sexual é a de produzir mulheres que “atendam as necessidades sexuais de seus parceiros”.
Necessidade de atender aos parceiros é uma forma socialmente aprendida de, mesmo não tendo prazeres sexuais implícitos, isto é, orgasmos, as mulheres obterem prazeres secundários, “atendendo” à necessidade do outro.
As mulheres são ensinadas por suas mães e pais a serem sexualmente submissas, e mesmo não aprendendo a extrair prazer sexual, dedicar-se ao prazer do outro para manter-se nos relacionamentos conjugais.
Assim temos grande quantidade de mulheres eu são anorgásmicas, não sabem ter orgasmos. Muitas ainda creem que seus parceiros é que são responsáveis pelo seu prazer… afinal, creem, eles é que sabem fazer sexo, portanto tem responsabilidades…
Não há como driblar algo que não se compreende e não se tem alternativas.
Muitos relacionamentos conjugais são baseados em poder econômico, e sob este a dedicação ao prazer sexual do outro é mantida.
Modificar atitudes contrárias às expectativas sociais é uma revolução que se tem que fazer sem hostilizar o mundo que as exige. Aqui entra o processo psicoterápico que permite o conhecer-se, a desenvolver qualidades e habilidades para se encontrar os caminhos necessários para a expressão sexual satisfatória e não dependente emocionalmente do outro, mantendo-se num relacionamento baseado em confiança, com afetos.
A maior parte dos casais em consultório trazem estas questões de diferenças de quantidade de frequência sexual, além das formas de expressão da sexualidade.
Mesmo assim, a maioria apenas convive com estas diferenças, submetendo-se sem discutir se poderia haver algo diferente para o futuro.
Nunca existem dicas quando nos referimos a expressões individuais.
Dicas apenas formatam grupos para que os indivíduos se pareçam iguais, mesmo não o sendo.
Compreender-se e às possibilidades humanas é o caminho, mas esta compreensão implica em correr os riscos de mudanças pessoais sem depender do outro. Conhecer estas variáveis não pertence ao aprendizado social, mas ao individual. Muitos somente conseguem estes caminhos por ensaios e erros constantes, e este não é um caminho facilmente suportado, exceto sob orientação num processo que pode ser experimentado na psicoterapia com foco na sexualidade.

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Sobre Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psychologist and sex and couple´s therapist at Instituto Paulista de Sexualidade www.inpasex.com.br Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual e decasais do Instituto Paulista de Sexualidade www.oswrod.psc.br
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