Carnaval é mais sexual?


Há milênios a cultura europeia se utiliza desta época para festas religiosas de cunho sexual em vistas a reprodução, algo importante há 2-3 mil anos. Os grupos sociais desenvolveram formas de facilitar a reprodução, valorizando as emoções associadas ao sexo através destas festividades.
Mesmo com o cristianismo, estas festas continuavam, portanto novo significado foi criado mantendo as festividades, incluindo a quaresma na sequência como forma de penitência para o que se havia feito durante o carnaval.
Desde crianças aprendemos estes significados e a espera da semana de carnaval, criando expectativas de como será, facilita este mecanismo de euforia crescente que se produz, diariamente até os dias de festas.
Uma regra social que muitos seguem! Porém, nem todos.
Claro que isso depende de um aprendizado socialmente produzido e de cada um de nós obter satisfações especiais com estas experiências desde a infância. O ambiente em que vivemos também tem que facilitar que estas vivências carnavalescas sejam valorizadas.
Assim ocorre com algumas pessoas.
O mecanismo de aprendizado de todas as coisas que vivemos também se aplica ao carnaval. Se temos vivências prazerosas com as folias de carnaval, tendemos a repetir, a cada ano aumentar a expectativa para que o prazer conhecido seja repetido. Este é p elemento motivador, buscar aquela sensação reconhecida como prazer.
Algo que sempre ouvimos e mesmo lemos em muitas médias, é de uma atividade sexual extravagante e que todos se envolvem,
Em verdade aumento de parcerias sexuais, isto é, com relacionamentos sexuais com coito, é algo que precisa ser verificado com a realidade. Não deve ser bem assim… nõ tanto quanto todos dizem ou acham que seja.
O que claramente existe é a vivência de emoções sem os controles do cotidiano, favorecendo euforia, alegrias.
Estas vivências são compartilhadas com o contato físico que não existe no cotidiano de trabalho. “Brincar” o carnaval num bloco de rua e esfregar-se em todos, ter o contato físico sem medos de se sentir abusado ou de estar sendo percebido como abusador gera a euforia de liberdade, facilitando estar com várias pessoas concomitantemente ou em sequencia, sem se importar com o estabelecimento de um relacionamento após.
Para algumas pessoas esta vivência é extremamente forte, a tal ponto dela sofrer por não viver isso o restante do ano, mesmo tentando contatos rápidos nos fins de semana. Pessoas que buscam estes padrões para os relacionamentos de longo prazo tendem a sobrevalorizar o carnaval, e tendem a desvalorizar os relacionamentos baseados em afetos de longo prazo.
A busca de satisfação imediata não é compatível com um namoro, um casamento, um compromisso.
Seja por aprender com o carnaval sentir e viver estas formas de expressão emocional, seja por ser assim independentemente do carnaval, estas serão pessoas com grandes dificuldades de estabelecer relacionamentos de longo prazo.
Um relacionamento de longo prazo pode iniciar-se no carnaval, ao menos teoricamente, mas não será o comum, não o é.
As folias de carnaval e todas as outras festividades que ocorrem com o uso de álcool e outras substâncias são formas das pessoas buscarem vivências diferentes do cotidiano. Algumas procuram estas situações para escapar do mal estar que não suportam, outras para tentar encontrar momentos de satisfação. Algumas apenas sabem seguir estes mecanismos de satisfação, permanecendo dependentes deles. Estes últimos encontram no carnaval um momento extra através do qual podem sentir-se iguais aos outros, sem serem rejeitados por estarem alcoolizados ou sob o uso de substâncias.
Também existem pessoas que usam o carnaval para se darem o direito de viverem um momento diferente, emoções diferentes, e depois retornarem ao cotidiano comportado, regrado. Assim equilibra o ano, seguindo regras sociais e sem importunar aos vizinhos.
Algo que é preciso saber é o que a folia de carnaval significa para si mesmo. Compreender o que buscamos e saber como encontrar é algo que nos dá poder sobre nós mesmos e sobre o ambiente. Pessoas que não tem controle somente sobrevalorizarão a folia de carnaval, e ainda se justificarão de que não existe problema em viver assim, usando o próprio carnaval com exemplo desta possibilidade.
Casais que apreciam, juntos, estas folias, terão mais um momento para dividirem na vida.
Casais em que cada um tem uma opinião sobre o carnaval, terão um problema para solucionar e administrar. E nem sempre um casal sabe como lidar com estas situações de necessidades de vivencias diferentes. Aqui precisam de ajuda para não se desfazerem. E não se trata de um processo simplista de aconselhamento, algo que passou a ser chamado de “coaching” pelos mecanismos de marketing. Um relacionamento a dois não pode depender apenas de um aconselhamento, pois desta forma não considerará as necessidades individuais e não produzirá planos de ação coerentes para as diferenças existentes. Afinal, se as propostas de orientação e aconselhamento simples funcionasse nestes mecanismos, a religião teria sido suficiente há milênios, e justamente com o carnaval não o foram, produzindo a permissão para sair-se das regras cotidianas com a negociação de voltar elas depois. Aos que este mecanismo funciona… continuará funcionando, apenas pela regra já estabelecida.

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Sobre Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psychologist and sex therapist at Instituto Paulista de Sexualidade www.inpasex.com.br Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual do Instituto Paulista de Sexualidade www.oswrod.psc.br
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