Falta de sexo nem sempre atrapalha a vida das pessoas


Oswaldo Martins Rodrigues Junior
Psicoterapeuta sexual do InPaSex
– Instituto Paulista de Sexualidade – http://www.inpasex.com.br
Autor do livro Temas Sexuais (LP Books, 2013)

Vivemos numa cultura que valoriza o sexo, mas não o facilita.IMG_6940
Valoriza a ponto de ensinar a todos que devemos fazer sexo, que precisamos de sexo, mas não permite que alguém viva para poder fazer sexo.
Ouvimos nas conversas das ruas e dos bares, no cotidiano de nossa cultura, com ironia, que quando uma mulher está muito nervosa ou tensa é porque está “na seca”, “na falta” de sexo. Sim e não, precisamos pensar como isto se aplica na vida das pessoas reais.
O descontrole emocional depende uma série muito variada de circunstâncias, que tem o concomitante fisiológico hormonal.
Uma mulher que tem atividades sexuais frequentes, em especial quando se sentem sexualmente satisfeitas, e fisiologicamente se obtém orgasmos, mais provavelmente estará nos próximos dias mais satisfeita com o mundo, mais capaz de administrar ansiedades ou suportar frustrações, o que implica em uma mulher menos irritada e tensa…
Verdade é que para a maioria das mulheres a vivência sexual satisfatória trará bem estar e aumento da capacidade de enfrentar problemas.
Mas existem mulheres que desenvolver outras formas de administrar ansiedades e tensões e não precisarão de sexo para sentirem-se bem e manterem um humor estável e positivo.
Os homens aprendem desde crianças a poderem usar atividades sexuais para diminuírem ansiedades e tensões. Assim, sempre justificam que necessitam do sexo para enfrentarem problemas do cotidiano. Muitos homens apresentam estas justificativas com orgulho, por isso apresentam estas frases que supõe explicam e na sequencia justificam o sexo que buscam, mesmo que de modo imoral ou ilegal.
Quando pretendem que exista sexo, aumentam a necessidade por pensarem sobre esta necessidade e para não haver maior frustração buscam toda e qualquer atividade sexual. Se demoram para conseguir, mostram-se irritados, pois não atingem os objetivos que buscam, obrigados a postergar a satisfação de necessidades. Desta forma, andando na rua, atentam para todos os estímulos que (individualmente) consideram eróticos, sexualmente atrativos e estimulantes. Ao prestarem a atenção nestes estímulos diminuem as ansiedades. Estas emoções sempre condizem com um funcionamento fisiológico que somente corresponde a estas emoções. Assim fisiologia e emoções andam juntas!
Mas o quanto a falta de atividades coitais afeta às pessoas, e o quanto estas respostas emocionais são reflexos e resultados dos valores que uma pessoa tem sobre o que chama de sexo?
O que denominamos valor é o significado que uma situação, circunstância ou conceito adquire na vida de uma pessoa. Sexo tem significados diferentes para pessoas diferentes, mesmo que uma sociedade determine que o sexo seja mais ou menos importante.
As especificidades individuais determinam que o sexo tenha determinadas importâncias para uma pessoa. Na vida desta pessoa, o que se denomina sexo é aprendido e associado com determinadas emoções, positivas ou negativas, o que confere o valor percebido pela pessoa. Este valor determina as ações que esta pessoa desenvolverá para o sexo.
Assim algumas pessoas valorizam muito a necessidade de expressões sexuais em sua vida, e outras desprezam ou não necessitam do sexo, este não tem valor em suas vidas.
Este valor conferido ao sexo pode mudar ao longo da vida.
A falta de atividades sexuais trará consequências de acordo com o histórico de uma pessoa em específico.
Pessoas para as quais o sexo tenha uma importância grande no que toca o cotidiano, que considerem e valoram muito a experiência de viver o sexo, sofrerão com a falta de sexo.
Pessoas que compreendem que podem viver sem sexo, passarão dias, meses e anos sem uma atividade sexual e não se sentirão mal por isso.
Outras pessoas que planejaram uma vida dedicada a outros objetivos, a exemplo de trabalho, poderão sentir-se bem sem que façam sexo. O mesmo ocorrerá com mulheres que pretendiam ter filhos, formar uma família e cuidar desta família, com este plano de vida, viverão sem sexo e se sentirão satisfeitas com este padrão.
O projeto de vida que uma pessoa tenha, desenvolvido por ela, ou assimilado da cultura, determina se o sexo é necessário ou não, produzirá ou não sofrimento.
Uma pessoa que se compreenda muito sexual, que “deveria” fazer sexo diariamente, sempre sofrerá se não praticar o sexo nesta frequência. Esta será uma pessoa nervosa, que está se odiando e que odeia a todos que estão sendo percebidos como fatores que impedem que o sexo ocorra.
Mas apenas para pessoas que gostam de sexo, e são privadas das atividades sexuais por um prazo que ela considere longo demais, a falta de sexo deve conduzir a emoções negativas, ansiedades que serviriam para motivar estas pessoas a buscarem sexo e variação de atividades sexuais.
Assim, o que sabemos e compreendemos que é o sexo dirige nossas ações, e não percebemos que este pensar já foi moldado, produzido pela nossa história de vida sem que nos apercebamos disto.

Anúncios

Sobre Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psychologist and sex therapist at Instituto Paulista de Sexualidade www.inpasex.com.br Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual do Instituto Paulista de Sexualidade www.oswrod.psc.br
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Falta de sexo nem sempre atrapalha a vida das pessoas

  1. Artigo muito interessante!

    Parabéns pelo Blog!

    Fernando Mesquita
    Psicólogo/Sexólogo Clínico
    Tel: 969091221

    http://terapiassexuais.blogspot.com

  2. Luiz disse:

    Pior ainda para o homem que sente a necessidade do sexo com mais frequência e não o pode fazê-lo, seja por que motivo seja; sua consciência ainda o recrimina se procurar o sexo pelo sexo, sem a afetividade que espera, que deseja, que anseia e por que não; precisa!
    Aceitar a carência é como um anular-se, evitar a procura é como uma punição auto-imposta, recusar-se a fazê-lo sem a intimidade e afetividade desejada é um flagelo. Compreender e aceitar que a companheira não sente essa necessidade com mesma frequência é ao mesmo tempo triste frustrante, mas verificar que essa compreensão não é recíproca é realmente sufocante, extenuante e arrasadora. É como um balde de água gelada!
    – Acorda, cresce, amadurece!!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s