Literatura no erotismo feminino e o masculino


Oswaldo Martins Rodrigues Junior
Diretor e Psicoterapeuta do Instituto Paulista de Sexualidade (www.inpasex.com.br)
Autor de vários livros sobre sexualidade
dentre os quais “O sexo que mais aparece” (Ed. Livro Pronto: São Paulo, 2012)
contato: oswrod@uol.com.br

Um conceito muito importante na expressão da sexualidade é o erotismo.
O erotismo é um elemento que depende de múltiplas variáveis. Uma principal é a autodenominação da pessoa em pertencer a um dos gêneros: masculino e feminino. A partir deste autoreconhecimento, através da identidade social de ser/pertencer a homem ou mulher, os passos do que pode ser erótico são determinados.
Num segundo momento, desde que nascemos, somos implicados e conduzidos a comportamentos e atitudes coerentes com a mesma identidade de gênero, mas desta perspectiva, imposta pelo mundo humano à volta: pais e familiares.
Com o correr dos anos, o significado de bom ou mau associa-se a determinados objetos e atividades. Com a adolescência o conceito de sexualidade e expressão sexual passa a se aplicar, e algumas das circunstâncias já reconhecidas como boas passam à classe de produtoras de estímulos sexuais: é o erótico.
Este esquema permite compreender como o erótico de uma pessoa não é semelhante ao de outra, e ao mesmo tempo permite compreender que existem grupos de possibilidades eróticas, e até percebermos que existem dois grandes grupos: erotismo para homens e erotismo para mulheres.
O desejo sexual masculino se faz pelo mundo das ideias, precisa ser pensado, usando mais a capacidade de fantasias de cunho genitalista, com planejamentos que conduzam para o coito, o encontro dos genitais. Assim o erotismo masculino se constrói, e passou a ser denominado de pornografia.
O desejo sexual feminino se constrói a partir do contato físico que atinge os cinco sentidos (visão, olfato, audição, gustação, e o mais importante: tato). O desejo e a excitação sexual exigem estes caminhos, inclusive através do fantasiar estas mesmas condições.
O homem considera erótico aquilo que seja genital e a mulher valoriza o caminho que produz a excitação e permite o sexo. A mulher chama este caminho de romantismo, de amor…
A pornografia sempre foi feita para homens. Assim, a maioria dos vídeos eróticos são feitos para homens, e passam a ser chamados de pornográficos.
O caminho romântico foi feito para mulheres. Portanto, a literatura erótica costuma ser voltada a mulheres, mesmo que homens também a apreciem!
A leitura permite fantasiar o caminho romântico para as mulheres que desejam o sexo como objetivo.
Para os homens a literatura é algo que demora muito para chegar ao objetivo coital.
O homem consome pornografia porque ela é feita de acordo com as necessidades do homem perceber-se na qualidade de ser homem. A pornografia permite ao homem identificar-se como homem, tal qual se fora um espelho.
A literatura erótica permite a mulher construir mentalmente os passos que a conduzem a estar sexualmente excitada. O tempo de ler permite que o corpo reaja com a excitação sexual. Ler dá tempo e permite usar as capacidades mentais, da lembrança e das sensações mantidas na memória. Assim a mulher consegue excitar-se sexualmente de modo muito individualizado, diferente de ver um filme que conduz a estímulos visuais únicos, que não permitem a fantasia ou a individualização do estado fantasioso.
Os homens que tiram mais proveito dos contos eróticos também se utilizam dos mesmos mecanismos que as mulheres, usando o espaço mental, com toda a bagagem anterior de história de vida que é guardada pelas memórias dos cinco sentidos e das emoções associadas a estes aspectos.
O erotismo é formatado numa cultura e segue padrões de gênero. Mas cada indivíduo desenvolve padrões específicos sobre o que será mais ou menos erótico. Quanto mais exposta é uma pessoa, desde criança, a padrões sociais de erotismo, mais ela apresentará formas de absorver o erótico de acordo com os padrões culturais. Quanto mais isolada esta criança for, em termos de erotismo, mais individualizado será o padrão do erótico, dependendo de experiências muito pessoais, incluindo aqui padrões incomuns, até mesmo aberrantes.

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Sobre Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psychologist and sex and couple´s therapist at Instituto Paulista de Sexualidade www.inpasex.com.br Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual e decasais do Instituto Paulista de Sexualidade www.oswrod.psc.br
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