Travestis, Transexuais e prostituição


Psic. Oswaldo Martins Rodrigues Junior

Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.


Psicoterapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade (www.inpasex.com.br)
Autor de vários livros sobre sexualidade, incluindo Psicologia e Sexualidade (Medsi Editora)
Pesquisador de comportamento e sexualidade – http://www.oswrod.psc.br

Muita gente pensa que transexual e travestis são a mesma coisa. Vistos de fora até podem parecer, mas existe algo importante que os diferencia: a identificação intrínseca de gênero. Transexuais são homens que se compreendem pertencer ao gênero feminino. Travestis são homens que sabem ser homens que se apresentam como mulheres socialmente.
Em nossa cultura os travestis sempre foram vistos nas ruas e compreendidos como prostitutos que usam roupas femininas extravagantes e sensuais para atrair clientes sexuais em troco de pagamento para subsistirem.
Trabalho em nossa cultura pressupõe algumas condições.
O primeiro impasse para travestis e transexuais obterem um trabalho é a identidade oficial. Documentação que os impede de serem percebidos pelo que mostram visualmente. Este disparate é percebido como mentira pelo empregador, uma falsificação da realidade. O empregador não tem como saber se esta pessoa é o que diz ser. Os documentos de identidade funcionam como um mecanismo que avaliza as pessoas, podem ser consideradas pelo que mostram: o documento de identidade.
Outro ponto importante é como o empregado será compreendido, reconhecido, percebido pelos que utilizarão o serviço para o qual está sendo contratado. E este fator impede muitos empregadores de assimilarem transexuais. Os travestis, se forem diferenciados, são associados a prostituição, roubos e ilegalidade. Assim são percebidos de modo negativo que os impede de serem contratados.
O mecanismo de percepção é sempre pré-concebido. Trata-se de um mecanismo cognitivo que exige utilizar as percepções vividas no passado para compreender o presente e decidir por um futuro. Assim, tudo o que foi ouvido desde criança a respeito de travestis influenciará na tomada de decisões a respeito de travestis. E aqui se incluem transexuais e todas as formas transgênero. Na busca de facilitar a compreensão, o mecanismo cognitivo reduz as possibilidades a uma única: um homem que se veste de mulher, que quer se passar por mulher, sem o ser…
A dificuldade em se aceitar algo que é pressupostamente diferente do que se compreende é a realidade se encontra nessa base. Desde criança aprendemos que só existem homens e mulheres que são, machos e fêmeas e que devem desejar, respectivamente mulheres e homens.
Ao aprendermos assim, na infância, podemos nos identificar e nos desenvolver enquanto possíveis adultos. Assim passamos de 15 a 20 anos reforçando estas ideias iniciais para confirmar o que somos. Apenas podemos escolher uma de duas alternativas, mas que de verdade tem variações inúmeras que não são socialmente compreendidas ou assumidas como reais. Desta maneira não podemos admitir que exista uma pessoa que destoa do esforço que fizemos para produzir as identidades sociais que apresentamos a cada dia de modo igual.
A elaboração da existência de identidades sexuais além dos binômios homem-mulher, macho-fêmea, e da interação única heterossexual, exigem muito esforço cognitivo, emocional e comportamental. A maior parte das pessoas preferirá usar esta energia para outras finalidades, inclusive produtivas economicamente. Esta elaboração é exigente e não pressuposta nas vidas das pessoas. Mesmo as famílias que vivem com uma pessoa transexual e precisariam adaptar-se, mostrarão grande dificuldade em compreender, elaborar e mudar suas perspectivas cotidianas e adaptar-se a esta identidade não prevista pela família. Outras pessoas tem menos necessidades de se adaptar, embora também tenham um afastamento afetivo que permita gastar menos energia para modificar suas formas de compreender a realidade.
Muitos transexuais percebem na prostituição como o único meio de obter subsistência num mundo que não os absorve profissionalmente, nem facilitou meios de que desenvolvessem qualidades de trabalho. Em algum momento cada transexual reconhece que alguém se lhes aproxima fisicamente e socialmente com interesses libidinosos, exatamente por serem o que são: intermediários no gênero e no papel social. Este caminho conduz a formas de trocas de favores por dinheiro com facilidades.
Uma vez iniciada a vida da prostituição, sem alternativas de trabalho oficializados em nossa sociedade, estas pessoas ficarão na prostituição…
Mais transexuais do que travestis lograrão obter relacionamentos afetivos-sexuais que permita deixarem a prostituição. O transexual assume a identidade de gênero oposta, permitindo aceitação social e convívio para o parceiro que o/a assuma.
Os transexuais que se dedicaram à prostituição sofriam por perceberem que os clientes os buscavam por serem ‘eles’ e não elas. Este sofrimento é o pior, o mais difícil de administrar. Um travesti tem esta situação de modo congruente.
A prostituição será abandonada se outra forma que os reconheça na identidade de gênero à qual compreendem que pertencem, mesmo que isto signifique rebaixamento de facilidades sociais financeiras.
Nossa cultura ainda tem muito a caminhar para facilitar que as expressões alternativas de gênero, que se ligam à percepção de sexo, sejam absorvidas e tornadas úteis. As formas que são minoritárias tem sido desconsideradas na esperança de que deixem de existir, mas isto não ocorre…

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Sobre Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psychologist and sex and couple´s therapist at Instituto Paulista de Sexualidade www.inpasex.com.br Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual e decasais do Instituto Paulista de Sexualidade www.oswrod.psc.br
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Uma resposta para Travestis, Transexuais e prostituição

  1. Roberto disse:

    Oswaldo, li uma frase sua numa outra matéria que homossexual é quem sente atração sexual por uma pessoa do mesmo sexo. Li também que um heterossexual que sente prazer anal numa relação com sua parceira não pode ser considerado homossexual. Gostaria de saber sua posição sobre o homem que não sente atração sexual por outros homens, mas gosta de ser penetrado por um travesti com aparência feminina apenas pelo prazer anal obtido. Se possível, gostaria que sua resposta também me fosse encaminhada por e-mail. Grato!

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