Sexo a três


Sexo a três
Oswaldo Martins Rodrigues Junior

Psic. Sex. Oswaldo M. Rodrigues Jr.


Psicólogo (CRP06/20610)
Psicoterapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade
Autor do livro “Objetos do desejo” (Iglu Ed., São Paulo, 2000)
http://www.oswrod.psc.br
O sexo a três é uma prática que existe há muitos milênios, e o valor moral sobre esta prática tem variado de acordo com leis civis, padrões sociais morais e valores religiosos ao longo dos séculos.
É uma variação dos comportamentos sexuais e precisa ser compreendido muito bem antes de, impulsivamente, tomar uma decisão de colocar em prática esta atividade sexual.
A ideia de sexo a três povoa a fantasia de boa parte das pessoas, embora um percentagem pequena (não facilmente estabelecível) coloque em prática alguma vez na vida.
Descritivamente temos duas variações: um trio composto de um homem e duas mulheres ou um trio de dois homens e uma mulher. Para muitos participantes, a compreensão da existência da bissexualidade no contato com uma pessoa do mesmo sexo facilita ou afasta esta prática.
Da fantasia à prática existem alguns passos a serem considerados.
A maioria dos homens parece que considera mais fácil da mulher aceitar o sexo a três se ela escolher com quem o casal fará sexo. Além disso, muitos homens considerarão um ponto extra que a mulher demonstre uma proximidade maior, quando ele poderá presenciar o sexo entre duas mulheres…
Além da motivação do homem para que a mulher se aproxime de outra mulher, ele precisará compreender se ela apresenta tendências bissexuais e em que grau para ter sucesso na proposta que fará. Apontar que a mulher, ao escolher a outra garota, poderá ver se não se intimida por ela, descartando aquelas com as quais ela não se sinta bem ou tenha mal-estares ou conflitos de acordo com o tipo da mulher.
Ao tentarem a primeira experiência a três, o casal já deve ter feito um acordo explícito e detalhado sobre o que podem ou não podem fazer no relacionamento a três. Uma das regras comuns e frequentes é a proposta de apenas fazer sexo, sem se deixarem levar pela possibilidade de um relacionamento afetivo, e que quando isso parecer que começa um envolvimento, afastarem-se da pessoa em questão. Outra regra é não buscarem a pessoa escolhida ou outra sem a presença do cônjuge. Esta regra visa diminuir a possibilidade de um envolvimento afetivo.
O casal deve verbalizar estas regras e o aceitamento explícito delas. Supor que o outro entendeu ou que seguirá uma regra que desejamos que o outro siga, não dá certo. Achar que o outro concordou, sem verbalizar de modo total, com todas as palavras necessárias. Um acordo no casal precisa ser muito explícito, em especial nestes assuntos.
Às vezes o casal precisa de várias semanas para administrar estas ideias e compreender como usarão o sexo a três para o bem estar do casal.
Uma regra mais constante nas últimas décadas tem sido o uso do preservativo masculino. Neste item muitos casais debatem muito sobre se necessitariam que a/o escolhido lhes apresentasse exames médicos que constatassem que não tem doenças sexualmente transmissíveis.
Uma forma muito comum do casal iniciar estes formatos é frequentando uma casa noturna de suingue, assim poderão se acostumar com a ideia das aproximações físicas sobre um deles e experimentarem o erotismo de modo seguro, e ainda público.
Alguns casais usam a escolha de uma garota de programa para garantir que será mais fácil de ter alguém que já sabe de atividades sexuais com pessoas sem compromissos afetivos.
Conseguir estabelecer esta variação de comportamento sexual exige um grau de cumplicidade e companheirismo de modo especial e diferente dos outros casais.
O casal precisa compreender que este não será um assunto a ser tratado em ambientes das famílias de origem, nem nas ocasiões sociais associadas a trabalho ou com grupos de amigos que não tolerariam estas formas morais diferentes. Claro que um ambiente religioso também é um momento em que não se falará sobre estas experiências a três.
O casal desenvolverá uma cumplicidade extra, pois ambos devem compreender que praticar sexo a três não é algo comum em que será um segredo que ambos precisam administrar e de uma forma a viverem uma vida que possam carregar.
As necessidades eróticas e como satisfazê-las depende de cada casal, e das qualidades e limites que cada individuo tem. Alguns casais sentem que precisam continuar a experimentar formas diferentes de eroticismo e sexo, e precisam compreender o que existe e que podem fazer. Provavelmente cada um fantasia com ideias diferentes e buscam formas e expressões diferentes e que necessitam do casal para executar, colocar em prática de modo que percebam a satisfação. Pedir ao outro e o outro aceitar fazer porque pedimos é o mais normal e natural. Portanto, não se deve, nem se pode, achar que somente o casal fará algo se os dois desejarem as mesmas coisas, e que não haverá graça se o outro fizer só porque pedimos. O casal existe, exatamente por isso, para permitir a satisfação das necessidades individuais.
Para muitos homens a mulher escolher um homem para transarem a três é impossível de acontecer. Para outros homens, é um sonho e um desejo especiais. Sempre será necessário que o casal compreenda como os desejos ocorrem. Se este homem tem o desejo de ver sua esposa/namorada com outro homem, o caminho para ela escolher um segundo homem para o relacionamento.
Mas também é verdadeiro que um dos dois dirige o casal e determina que o casal fará sexo a três, e o outro aceita, pois faz parte do acordo do relacionamento. Nestes casos o combinado preexiste, e apenas o individuo que comanda a relação é que determinará quem será o outro para integrar o sexo a três.
É importante compreender que se um casal gosta de ter sexo a três, não significa que aceitará sexo grupal, ou troca de casais. Para vários casais, ter uma terceira pessoa é o bastante e não aceitarão outras variações.
Se não existe nenhum conflito moral para o casal praticar o sexo a três, esta é uma prática viável para este casal. Quando existem questões morais conflitantes… é melhor buscar outras formas para exercitar a sexualidade!

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Sobre Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psychologist and sex and couple´s therapist at Instituto Paulista de Sexualidade www.inpasex.com.br Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual e decasais do Instituto Paulista de Sexualidade www.oswrod.psc.br
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