TRAVESTISMO: COMPREENSÕES PSICOSSOCIAIS


TRAVESTISMO: COMPREENSÕES PSICOSSOCIAIS
Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

livro "Objetos do desejo" - Iglu Ed., 2000


O termo travestismo foi criado por Magnus Hirschfeld, médico alemão que escreveu o livro “The transvestites” no começo do século XX.

Segundo o dicionário “Aurélio” (Ferreira,. 1995), travesti diz respeito ao disfarce no trajar, ou o “indivíduo que, geralmente em espetáculos teatrais, se traja com roupas do sexo oposto”.

O psicanalista americano Robert Stoller (1977) definiu o travestismo como “condição na qual um homem se torna genitalmente excitado ao vestir roupas íntimas femininas”.

John Money (1993) define o travestismo incluindo todo aquele que vista-se como se pertencera o sexo oposto, fazendo parte do rol das parafilias.

Outro nome utilizado para estas preferências sexuo-eróticas (ou apenas expressão social) tem sido “eonismo”, em referência ao denominado cavaleiro Eon, pois vestia-se de roupas femininas.

A prática de vestir-se igual ao gênero oposto era muito comum na antigüidade clássica greco-romana e veio a ter mais relatos nos séculos XVI e XVII.
Nas culturas mais antigas o travesti tinha funções equivalentes a “deuses”, ou deveríamos chamar “deusas”, como refere a escritora travesti Linda Phillips (1996). Phillips hipotetisa que uma primeira forma de travestismo deve ter ocorrido quando do início do uso de peles de animais ao dividirem-se os homens das mulheres, por exemplo, usando o homem a pele pendurada no ombro direito, e a mulher no ombro esquerdo; ao usar a pele de animal no ombro esquerdo, o homem teria se identificado com a mulher pela inversão da norma social desenvolvida (!).

À época de William Shakespeare, os papéis femininos no teatro eram todos desempenhados por homens que costumavam travestir-se. As mulheres eram proibidas, na Inglaterra de antanho, de participar das peças de teatro por indicação dos líderes religiosos da época. Um exemplo foi o ator Edward Kynaston, o qual se fazia acompanhar fora do palco constantemente de uma mulher, e em momento algum existem referências a um comportamento homossexual, mas em sendo o melhor “atriz masculino” de sua época (Phillips, 1996). Àquela época o vestir-se com as roupas do outro gênero era muito comum e não obtinha reações negativas por parte das outras pessoas.

Phipllips (1996) aponta o quanto o travesti tem sido confundido com o homossexual até nas décadas recentes. O termo “queen” já era usado na Inglaterra vitoriana, a exemplo de duas “queens” julgadas devido a uso de banheiros femininos, amplamente noticiados nos jornais e revistas da época. O julgamento durou por mais de uma semana. “Stella” Boulton e “Fannie” Park foram cuidadosamente despidas e cada peça do vestuário foi listada pela polícia à época para ser noticiado nos jornais.

Do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, na virada do século temos várias descrições de travestismo. Alguns tornaram-se ,famosos com o teatro, outros foram perseguidos pela polícia. Denominados de “queers”, promoviam grandes festas onde participavam travestidos. Homens ricos participavam destas festas, que aconteciam, por exemplo, na cidade californiana de Long Beach, famoso balneário próximo de Los Angeles (Ullman, 1995).

O travestismo aparece costumeiramente associado a outras parafilias: fetichismo, exibicionismo, masoquismo; também coexiste com orientações e escolhas objetais diversas: homossexual, heterossexual e bissexual. A maior parte das pessoas crêem que todos os travestis são homossexuais
Havelock Ellis esforçou-se, no início do século, em diferenciar o travestismo da homossexualidade. Magnus Hirshfeld, na Alemanha, também no início do século, esforçou-se para que as diferentes práticas não fossem confundidas, empenhando-se em campanha para que não fossem perseguidos (Moré, s/d).

Henry Havelock Ellis, médico e psicólogo inglês (1859-1939)
que diferenciou travestis de homossexuais na Inglaterra vitoriana.

Magnus Hirschfeld (1868-1935) estudando 3000 homossexuais (1910)
descobriu que muitos deles se travestiam.

Etiologia
Os estudos sobre formas alternativas de vivências sexuais, de obtenção de excitação e prazer sexuais tem recebido grande ênfase pelas formulações psicanalíticas. Com as formulações psicanalíticas afirma-se que um determinado traumatismo teria provocado a fixação em determinada fase anterior do desenvolvimento da pessoa. Estas posturas são bastante discutíveis e, na maioria das vezes generalizadas a partir de observações clínicas.

Newman (1979) aponta para meninos, na infância, que podem desenvolver o travestismo. Quando o comportamento de travestir-se ocorreu em uma ou duas situações, e fora de caráter lúdico, se o menino não sofre desapontamento ao desistir do ato, e se não houver qualificação de excitação sexual associada, não deve ocorrer futuros desenvolvimentos para o travestismo, algumas formas de homossexualidade ou mesmo transexualidade. Newman reforça a idéia de que o menino usando roupas de menina na infância pode ser uma atividade benigna, mas que também pode representar um transtorno de identidade sexual. Diferencia as situações pela freqüência e intensidade. Saghir e Robins (1973) apontam que 23% dos homens solteiros passaram por situação de travestismo menos de uma vez ao mês na infância e na adolescência, geralmente em teatro na escola ou Halloween. Arndt Jr. (1991) não considera desviante o travestismo ocasional na infância.

O início da prática travestida ocorre em 91% dos casos antes dos 18 anos (Buckner, 1979). Situações externas, a exemplo de depressão pós-separação podem desencadear a prática do travestismo (Buckner, 1979).

Buckner (1979) aponta que em muitas situações o travestir-se representa uma forma do homem afirmar que está sendo exigido demasiadamente de seu papel masculino social. Esta ameaça da masculinidade pode ocorrer, também, segundo este mesmo autor, na proximidade da aposentadoria, provocando vontades deste homem se travestir.

O travestir-se depende de caracter”isticas individuais da identidade da qual se fala. Esta identidade se forma, e continuadamente se metamorfoseia em contato bidirecional entre o mundo subjetivo e o mundo obejtivo. Para definirmos as “causas” pelas quais as pessoas se travestem, necessitamos conhecer e considerar a história de vida desta pessoa, reconstituindo o trajeto em seu todo e, através de sua auto-identidade, considerar o projeto de vida que desenvolveu sobre este histórico.

O travesti é a expressão da identidade da pessoa em seu contato com o mundo, expressa-se solicitando ser identificada pelo resultado desta expressão.

Tipos travestis
A utilização de roupas do gênero oposto pode ter várias funções e formas de apresentação. Não se pode tomar como iguais estas várias formas, as quais exigem motivações diferentes e diferentes apresentações de identidades.

Fetichismo – a motivação erótica
Nesta situação o travesti delicia-se com a sensualidade dos trajes femininos. Diferencia-se do fetichismo usual que elege uma determinada peça ou categoria do vestuário. No caso do travesti erótico, o prazer advém do uso de todo o contexto feminino com todas peças e adereços que tragam o significado feminino, incluindo lingeries, cintas-ligas, meias, espartilhos, camisolas sedutoras, corpetes, baby dolls, negliges, saltos altos…

Meyer (1979) relata o caso de um homem de 38 anos que considerava o coito com a esposa somente gratificante se vestisse roupas íntimas femininas enquanto estivesse envolvido em atividades sexuais. Neste caso o homem não apresentava problemas eréteis ou orgásmicos. Muitas parceiras mulheres se mostrarão condescendentes e mesmo estimularão a prática; porém a maioria das mulheres se oporão à prática.

O elemento fetichista não seria comum a todos os travestis (Stoller, 1977; Person e Ovesey, 1978), pois alguns travestidos usariam a roupa do gênero oposto para diminuírem as ansiedades sobre a identidade de gênero e papel de gênero (Person e Ovesey, 1978).

Aurioles e Téllez (1994) descrevem o fetichismo travestista que consistiria em fantasiar ou vestir-se realmente com roupas do gênero oposto, visando experimentar excitação e com a ajuda para chegar ao orgasmo na masturbação ou no coito. Afirmam estes mesmos autores que é típico que o travestismo se inicie na infância ou na tenra adolescência, podendo vir a desejar viver permanentemente como pessoas do outro sexo. Neste travestismo fetichista, o homem teria comportamentos femininos quando vestido com roupas femininas, o que seria ocasional ou situacionalmente claro, diferente do cotidiano no qual teria ocupação bastante masculina e atitudes e vestimentas muito masculinas no dia-a-dia. Em termos de características de personalidade variariam desde o solitário, deprimido e com sentimentos de culpa até o egossintônico membro sociável de uma subcultura.

Stoller (1982) afirma que o travestismo feminino é pouco freqüente e adquire outros sentidos daquelas formas masculinas. A principal diferença encontrar-se-á na não necessidade de busca de excitação sexual com o vestir-se com roupas do outro gênero. Sem apresentarem orientação homossexual, teriam, desde a infância, uma identificação masculina. Nestes casos femininos dever-se-á promover um diagnóstico diferencial relacionado a distúrbios de identidade de gênero e transexualidade (Stoller, 1982).

Stoller (1993) dedica todo um capítulo somente discutindo “As origens do travestismo masculino”. Stoller descreve a necessidade de uma família coerente com o desenvolvimento da prática da inversão de vestimenta. O travesti é um menino que desenvolveu uma identidade de gênero nuclear masculina (uma convicção, uma aceitação, um conhecimento corporal de que ele é um homem), mas desenvolve masculinidade mais vulnerável à ameaças do que outros meninos. Pode depender de identificações negativas advindas da mãe como compensações e culpas sentidas por esta na tentativa de superá-las. “Se um menino com um sentimento comprometido de integridade e valor é então travestido – especialmente depois de dois anos por uma menina com impulsos transexuais – ele é um alto risco de travestismo” (Stoller, 1993:202)

O travestismo fetichista ocorre, geralmente, na intimidade e com relativa privacidade. Alguns travestis necessitam da participação do grupo para receberem o reconhecimento de sua identidade apresentada; este reconhecimento é o elemento de manutenção desta identidade travestida, portanto a necessidade do grupo; nestas situações não existe a condição fetichista, a necessidade de obtenção de excitação sexual com o travestir-se, a busca dirige-se a encontrar uma identidade reconhecida e aceitação de desejos individuais por um grupo e pessoas externas ao eu.

Kolodny, Masters e Johnson (1982) afirmam que muitos travestis somente conseguem ereção peniana quando travestidos, sendo sexualmente “impotentes” em condições adversas.

Morrison (1994) afirma que o travestismo fetichista, a exemplo de outras formas de fetichismo, gradualmente fica no lugar do “sexo normal”. Morrison afirma, ainda, que muitos destes homens sentem um conforto crescente vestidos de mulher que se tornariam transexuais. Naturalmente esta afirmação não é aceita pela maioria dos que estudam as condições transexuais, a exemplo de Stoller.

Este eroticismo margeia o narcisismo.

O travesti, em geral, já gosta bastante de passar um tempo longo em frente ao espelho, seja para saber se está tudo certo, ou simplesmente para admirar a própria beleza através da bela mulher que o está olhando pelo espelho…

O conceito do exibicionismo também é aplicado aqui. Não o exibicionismo para o outro ou para encobrir algum outro comportamento. Aqui falamos do exibicionismo de estar em público passando-se por uma fêmea, vestida de modo completo como uma mulher. Assim, para o mundo ele é ela! O resultado é uma expressão sexual sentida mais cerebralmente do que de forma tátil.

A motivação erótica, embora mais comum, pode ser a mais maligna. Ë bom lembrar que não interessa o quão forte são os impulsos sexuais sentidos, não deve haver culpa ou vergonha associados ao travestir-se. Se o travesti não se encarar tendo uma expressão sexual que possa ser saudável, sentirá culpa, vergonha e outros sentimentos e expressões destrutivos.

No ano de 1993, veio a público a acusação de que o todo poderoso e temido Diretor do FBI (polícia federal americana), John Edgar Hoover, era um travesti e bissexual (O Estado de S. Paulo, 1993). Este é um bom exemplo de que os papéis masculinos não interferem com os desejos de travestir-se ou de relacionamentos com pessoas de ambos os sexos.

Morrison (1994) aponta para a formação de uma subcultura travesti que envolve os praticantes em vídeos, revistas especializadas e locais de encontro. Desta forma muitos travestis desenvolvem-se mais e mais.

O travesti fetichista pode apenas vestir roupas de baixo a exemplo de calcinhas, meias, até mesmo sutiãs, sob a roupa masculina cotidiana e isto produzir a excitação sexual procurada. Esta é uma prática vivenciada por muitos homens que chegam a afirmar, justificando-se, que “as calcinhas femininas são muito mais gostosas de serem usadas do que as cuecas masculinas, mas ásperas, mais incômodas”.

Prince e Bentler (1972), pesquisando 504 casos de travestismo chegaram à seguinte tabela sobre o uso de peças de vestuário por homens durante o coito:

ROUPA

PERCENTUAL(N=504)

camisola

27

calcinhas

20

sutiã com enchimento

18

meia calça

17

sapato de salto

11

vestimenta completa

20

Sagarin (1979) crê que sejam pouquíssimos os que se travestem e não tem interesse homossexual consciente. Sagarin crê que seja um fetichismo indumentário que esconda, como defesa, aquilo que a pessoa receou fosse um desenvolvimento homossexual.

Money (1993) refere o termo Travestofilia para significar o prazer sexual obtido com o vestir-se com roupas do gênero oposto

Drag Queens
O termo “Drag Queen” já é usado na literatura técnica há algumas décadas (Sagarin, 1979). Poderia ser traduzido por algo como “rainhas fantasiadas”, embora esteja sendo usado em português de modo bastante difundido nos últimos poucos anos.

Homens que, geralmente tem outras atividades durante o dia, vestem-se, à noite, com roupas femininas, mas de modo a imitar, satirizar, sem poder, realmente, serem confundidos com uma mulher.

Por serem muito extrovertidos e não praticarem a prostituição tem recebido maior aceitação e divulgação por parte da mídia no Brasil. Muitos, assim, tornam-se artistas ou participam de performances artísticas.

Drag Queen em desfile por ruas americanas,

Homem travestido à moda Drag Queen
participa de manifestação de rua nos Estados Unidos.

Motivação erótica na prostituição
Muitos travestis, talvez os mais conhecidos, apesar de desejarem mostrar-se e parecerem ser mulheres, usam esta condição para obterem dinheiro através da prostituição. Estes travestis dependem de homens que desejem fazer sexo com homens que se assemelhem a mulheres, mas que, lá dentro, saibam de que se tratam de homens.

Estes homens que procuram travestis para obterem prazer sexual são atualmente conhecidos como ginandrofílicos. A ginadrofilia é uma parafilia, uma denominação para classificar este tipo de homens e seus prazeres diferentes. Money (1993) utiliza o termo ginemimetofilia.

Destes travestis, muitos iniciaram sua vida de travesti pelo prazer em se vestirem como mulheres e desejarem passar-se por mulheres. Com a dificuldade em conseguir um emprego, pois não tem condições sociais de explicarem-se por usarem roupas e maneiras de mulher, muitos passam a se prostituir. Vender o sexo e p prazer sexual a outras pessoas passa a ser uma possibilidade, pois sem emprego não conseguem alugar um local para morar, sem onde morarem, sem dinheiro e sem emprego, prostituir-se é o caminho aparentemente mais “fácil”. O travesti aprende mais técnicas de como seduzir e se tornar mais apreciado e desejado. Noturnamente vende o corpo para obter algum dinheiro, o qual tem que dividir com seus administradores, cafetões e cafetinas, que os protegem e conseguem algum local para morarem.

Maria José Benites, assistente social em Blumenau (SC) produziu um estudo sobre as condições sócio-econômicas dos travestis prostitutos naquela cidade. Trata-se de uma cidade considerada “boa para trabalhar”, onde os fregueses são bons pagadores, gentis e discretos. Dentre os fregueses existem muitas “mariconas”, homens que solicitam serem penetrados durante o “programa”. Os travestis pesquisados preferem ser penetrados, deixando de fazer o programa se ao contratarem o programa o freguês solicitar ser penetrado.

Os programas são realizados em motéis, saindo o travesti e o freguês do centro da cidade, buscando maior privacidade e sigilo; somente quando o freguês solicita um sexo oral (“boquete”) o programa é feito no carro. A Polícia Militar, encarregada do policiamento noturno, não os incomoda, exceto quando travestis de outras cidades invadem Blumenau, o que gera tumultos entre os dois grupos. Pesquisando 12 dos 14 travestis em ação na cidade de Blumenau, Benites encontrou idades entre 17 e 39 anos ( o de 39 anos é considerado “velho” e faz poucos programas), com grau de instrução variando entre o nível I do primeiro Grau e o universitário incompleto (apenas dois travestis tem mais que o primeiro grau, nenhum analfabeto, e sentem que não podem continuar os estudos devido ao preconceito que recebem das outras pessoas e o fato de terem saído da casa dos pais). Os travestis identificaram-se como católicos romanos (10/12), sendo comum terem em casa santos e santas, e 8/12 rezam após o término do trabalho pedindo proteção. ¾ são fumantes desde a idade de 10-12 anos. Os travestis que “batalham” em Blumenau vem de 6 Estados, sendo o mais significativo o Paraná e o próprio Estado de Santa Catarina (2/3 são provenientes dos três Estados sulinos), porém nenhum de Blumenau. Somente um travesti reside em Blumenau há menos de um ano; ¾ residem em casas alugadas (numa casa moram 5 travestis que dividem o aluguel). Benites descobriu apenas 4/12 dos travestis não usando algum tipo de drogas, tendo 2 sido usuários por 10 anos até um ano anterior.

Os travestis tem qualificação profissional (7/12: cabeleireiro, datilografia, torneiro mecânico), e 9/12 fazem shows para completar os rendimentos mensais, o que ocorre após o trabalho nas ruas, geralmente à 1 hora da manhã (dublagens, imitações, strip tease, pelo que recebem de R$50 a R$70 por espetáculo). A renda mensal varia de R$150,00 a R$1500,00, sendo que a metade dos estudados percebe de R$800 a R$1500,00. Sete travestis referem ter bens imóveis (herdados dos pais) ou móveis (telefone, carro). O medo da “Tia” (pseudônimo usado para a AIDS) parece estar afastando os fregueses segundo estimativa dos travestis, mesmo que afirmem que somente fazem programas com o uso de preservativos, penetrando ou sendo penetrados. Somente dois fizeram implante de silicone nas mamas, o restante fez injeções de silicone, o que faz com que haja dor se forem batidos (sic). Estes travestis não se identificam com outros termos usados em outras cidades ou que indicam outras funções, a exemplo de transformista ou “drag queen”; porém admitem o termo “gay”, usando raramente a palavra homossexual. Os travestis estudados por Benites aproximam-se mais do conceito de transexuais, pois referem “sentirem-se mulheres” e não se sentirem homossexuais. A identidade do travesti advém mormente do grupo, no qual cada um procede a um suporte mútuo, o que inclui a busca da transformação uns dos outros com as injeções de silicone por meio de seringas aumentando as mamas, quadris, coxas e rostos e usarem hormônios femininos.

O romance de Adelaide Carraro (s/d), “O travesti”, descreve a vida de um travesti, nomeado Jaqueline, na cidade de São Paulo, seu cotidiano na prostituição, as maneiras de se produzir par o trabalho e outras técnicas utilizadas pelos travestis, a exemplo do manuseio dos genitais para esconder o escroto/testículos e pênis. Embora escritora famosa, não se trata de um livro com farta distribuição e edições múltiplas.

Motivação de liberdade de vestir-se
Esta motivação tem a ver com a habilidade do travesti em seguir os diferentes parâmetros sociais, tanto o masculino quanto o feminino: liberdade de vestir-se, ou a aprovação social (ou ao menos a aceitação) em vestir-se de modo pessoal de acordo com qualquer dos gêneros.

Embora haja uma tendência unissex desde a década de 70 no mundo ocidental, ainda sobram divisões definidas entre o vestir-se dos homens e o das mulheres. A habilidade de mulheres usarem roupas masculinas tem uma aceitação social muito maior do que quando homens se vestem de mulheres. A liberdade da inveja e a falta de regras rígidas servem de motivação para o travesti, mesmo contra uma grande população que não lhes é simpática.

Mesmo com outras direções seguidas pela moda geral, a moda para os travestis continua seguindo uma única direção. O travesti escapa da conformidade emocional produzida pela moda.

No carnaval brasileiro, é muito comum o homem travestir-se, mostrando-se não necessitado em aderir ao vestir-se convencional masculino. Porém, devemos considerar outras motivações individuais, inclusive homossexuais declaradas ou encobertas pelo fantasiar-se de mulher.

O meio artístico
Muitos travestis com outras motivações, em especial o prostituto, trabalham como “transformistas”, fazendo espetáculos nas boates das cidades de médio e grande portes.

Muitos são “drag queens”, fazendo destes espetáculos sua segunda jornada de trabalho.

David Bowie, cantor inglês, sempre aproveitou-se com apresentações travestido.

Um cantor que auferiu bastante fama na década de 80 travestindo-se foi o inglês Boy George. Apresentando-se sempre com esdrúxulas formas femininas atingiu bom sucesso, até que, recentemente, deixou de usar os aparatos travestis em suas apresentações musicais.

Poucos mostram-se como travestis/transformistas profissionais, como é o exemplo do grupo Companhia Baiana de Patifaria, que já se apresentou com grande sucesso nas grandes capitais brasileiras e retorna no ano de 1996, em São Paulo, com uma peça teatral “Noviças rebeldes”, musical onde todos os atores homens personificam freiras que montam um musical para sobreviver (Revista da Folha, 1996).

Em telenovela da Rede Globo de Televisão, neste ano de 1996, “Explode coração”, a autora, Glória Perez, incluiu uma personagem que, nascida homem, convive harmoniosamente com todos vestido de modos femininos constantemente. Embora tratado pela mídia, inadequadamente como “drag queen”, ou mesmo travesti, a personagem Sarita Vitti, traz uma forma do público em geral conviver melhor com esta idéia (Amaral, 1996). Aparentemente não se deixa claro suas preferências sexuais objetais ou motivações para travestir-se. Porém, podemos afirmar, que o ator Floriano Peixoto traveste-se por motivos profissionais, o que talvez devesse fazê-lo receber a classificação de transformista, referindo-se ao travesti que assim se veste em prol de espetáculos, teatro, televisão, cinema…

Muitos atores participaram de filmes em que se apresentavam travestidos e obtiveram fama com isto. Nomes como Fatty Arbuckle, Mickey Rooney, Dustin Hoffman, Robin Williams, Wesley Snipes, Patrick Swayze e John Leguizamo fizeram grande sucesso em papéis desde importantes comédias a dramas envolventes.

Motivação de expressão emocional
O papel social masculino em nossa cultura tem seguido um padrão muito rígido, sem saídas e baseado num grupo de falsos conceitos. A noção de que o homem não pode ser carinhoso, ou mover-se de modo lânguido e gracioso, força o homem a viver numa prisão emocional, à qual foi sentenciado desde o nascimento.

O travesti busca refúgio temporário das demandas sobre o masculino em suas roupas e feminilidade. Assim o travesti foge das ansiedades provocadas pelos papéis de marido, de pai, de provedor da família e da casa, das exigências no trabalho, de ter que ser macho nas brincadeiras feitas pelos amigos… Quando se veste de mulher e passa algum tempo fazendo o papel feminino afasta-se das pressões cotidianas dos papéis sociais que vive e é obrigado a viver.

O travesti não procura ser exatamente uma mulher, mas o que a sociedade determina que é próprio da conduta feminina de modo a se equiparar com a população feminina.

Esta liberação de tensão, mesmo que por pequeno período de tempo, geralmente recarrega as energias e permite ao travesti retornar às demandas sociais determinadas por uma cultura machista. Assim o travesti retorna como se tivesse tido férias, com novas forças.

O Tiffany Club, na cidade americana de Natick (Massachussets), reúne apenas homens heterossexuais, que travestidos, passam as tardes ou festas a conversar sobre aspectos masculinos da vida. Este clube é apoiado por uma entidade denominada International Foundation for Gender Education, que se ocupa de oferecer apoio a clubes semelhantes e promove publicações neste sentido nos Estados Unidos, abarcando cerca de 10 mil homens (Pinto, 1993).

Assim, aqui temos o travestismo como uma forma saudável de expressão da sexualidade, além de manter o equilíbrio mental da pessoa, permitindo que este homem possa continuar vivendo e convivendo com as pressões sociais exercidas sobre ele.

Motivação de mudança de identidade
A oportunidade de existir como outra pessoa de forma íntegra, vivendo de forma completamente oposta ao que sempre se foi pode servir de motivação muito forte para uma pessoa se travestir.

O travesti se compromete, ao se aventurar em público como mulher, a conseguir usar toda a habilidade que tem em atuar, usar maneirismo e se preparar como mulher.

A maioria dos atores de teatro, televisão e cinema obtém prazer com seu trabalho personificando outras pessoas.

O travesti consegue uma satisfação semelhante durante o tempo que vive sob outra personalidade, seja um tempo pequeno ou por várias horas.

Muitas pessoas confundem a motivação para mudança de identidade com a personificação feminina. O travesti sai em público com o objetivo expresso de parecer uma mulher completa. O performista, ou transformista precisa de uma situação especial para mostrar-se, para atuar, um palco. Embora ambos possam usar uma forma semelhante de motivação, tem objetivos diferentes a serem atingidos.

A motivação de mudança de identidade associa-se ao conceito de transexualidade. É importante ressaltar que o transexual não apenas representa-se a si mesmo como mulher, mas também para experimentar o sentir-se mulher o mais completamente possível. Nesta motivação de mudança de identidade teremos muitos outros fatores a considerar nos transexuais.

A visão psicopatológica
Referir-se ao travestismo de forma psicopatológica sempre foi o ponto de vista mais comum no que se refere discursos oficiais na psiquiatria e psicologia. Antes da formação e distinção da psiquiatria e da psicologia, enquanto práticas definidas dentro da ciência, o travesti não era visualizado como uma psicopatologia; antes apenas como uma pessoa diferente.

No DSM-IV (Morrison, 1994), existe a referência ao travestismo fetichista sob o código 302.3, definidos como o vestir-se com a roupa do gênero oposto com o objetivo de obter excitação sexual com critério definido pela repetição, pelo mínimo de seis meses, de um heterossexual tendo intensos desejos, fantasias ou comportamento que implique o uso de roupas do gênero oposto. Caso haja desconforto com a identidade de gênero ou o papel de gênero, a classificação deve ser de “disforia de gênero”.

Os praticantes do travestismo sentem-se renegados pelos profissionais de saúde, pois, em geral, existe a não aceitação de seus desejos e referência a seus comportamentos serem abjetos e inadequados.

A subcultura Travesti
A identidade grupal tem sido desenvolvida pelos praticantes a ponto de criarem termos especiais para se autodenominarem. Nos Estados Unidos as letras “TV” são utilizadas nas revistas especializadas e em anúncios para que sejam identificados dentro do grupo e dos interessados em travestis.

A quantidade de homens envolvidos em travestismo é grande o suficiente para que uma subcultura se forme e se mantenha a si e a um mercado crescente no mundo ocidental nas grandes cidades.

Na cidade de São Paulo, existe o Atellier Eliana, cujo dono pratica o travestismo erótico na intimidade com a própria esposa, tem à venda lingeries em números que servem às mulheres e aqueles especiais para homens, incluindo sapatos de números grandes. Questionados, os donos da loja confirmam que os clientes não são os travestis profissionais e prostitutos, mas homens comuns que sempre ficam à espera de que o empresário retorne de suas constantes viagens ao exterior trazendo novidades para seu, autodenominado, “erotic shop”. As roupas mais vendidas para homens são espartilhos e peças semelhantes. A maioria dos homens que se travestem na intimidade, com ou sem a participação da esposa, buscam comprar calcinhas, sutiãs, espartilhos e cintas-ligas com meias em lojas especializadas em lingeries para mulheres. A desculpa utilizada pelos homens é que estão comprando roupas para suas esposas e/ou namoradas. Os vendedores geralmente percebem a diferença do tamanho das roupas pedido, tamanho grande! Também mostram-se muito discretos, pois reconhecem que o freguês não pode ser desmascarado, e poderá sempre retornar par comprar as roupas que tanto lhe dão prazer.

Um mercado especial foi se desenvolvendo para produzir roupas e adereços especiais para homens que desejam travestir-se. Apetrechos simulando mamilos femininos ingurgitados podem ser encontrados no Brasil em alguns Sex Shops. Adereços mais sofisticados, não paródias grosseiras, tem sido desenvolvidos, a exemplo do “Tube Top Tits” (Buddy, s/d, pag. 10-11). Outras formas de apetrechos com o formato de mamas são anunciados amplamente nas revistas especializadas (Buddy, s/d, pag 13)O uso de aparelhos de vácuo para dilatação das mamas tem sido vendidos com o objetivo de aumentá-las (Mulheres também as compram. “Calcinhas” especiais são vendidas: tem acopladas, em borracha, uma “vulva” para trazer a aparência física feminina, e enchimentos nas nádegas (Buddy, s/d 12-3).

Em New York, um grupo de travestis, denominado The Imperial Court, anualmente promove um baile beneficente especial chamado “Night of 1000 Gowns” (a noite das mil camisolas).

Revistas especiais tem sido publicadas há décadas nos Estados Unidos e Europa. No Brasil o travesti tem acesso a revistas e filmes sobre travestis e transexuais, mas não existem publicações nacionais que estejam voltadas para ensinar, vender ou mostrar aos desejosos as orientações para atingirem seus almejados objetivos. No mercado mundial, revistas do tipo TV Guy, Dragazine e Transformation dedicam-se a serem materiais de suporte para aqueles desejos travestis.

O travesti considera feias as roupas masculinas. Buscam nas roupas femininas algo que os faça confortáveis em seus ideais estéticos. Para acompanhar a nova vestimenta devem raspar/depilar as pernas (para aqueles que desejam o travestir-se ocasional o aparelhos de lâminas usado para as barbas é o mais indicado, para aqueles que desejam um efeitos mais completo ou duradouro, a depilação com cera é o mais indicado). A alternativa são meias mais grossas que impeças os pelos de serem vistos. Sutiãs podem ser os comuns, mas aqueles com suporte, com barbatanas ou mesmo os com enchimentos especiais. O pênis tem que ser escondido adequadamente. Os travestis profissionais desenvolvem técnicas através das quais conseguem introduzir os testículos sob a pele do púbis e o pênis verticalmente à frente do púbis ou para trás em direção ao ânus. Uma alternativa são “calcinhas” de látex que mantém o pênis bem apertado e não aparente após vestir-se completamente com roupas femininas. Estas peças de látex são especiais e não tão difundidas no Brasil. Então vêm meias, vestido/saia, pulseiras, braceletes, colares, brincos, maquiagem, unhas (talvez postiças, mas com certeza esmaltadas) e… perucas (se o homem não tiver cabelos compridos ou compatíveis com um penteado feminino).

Tentando finalizar
Embora tenhamos entre os profissionais de saúde a impressão de que sabemos tudo o que ocorre sobre a vida das pessoas, existem muitos aspectos ainda por serem melhor compreendidos e aceitos. De nossa aceitação e compreensão virão a aceitação e compreensão do mundo leigo, serão criadas representações sociais maios próximas de uma realidade humana útil e permissiva de melhor entendimento e convivência entre as pessoas em geral.

Infelizmente, existe uma fatia da população que vive com preocupações hostis com relação aos travestis, fato determinante de muitas mortes destes cidadãos (1200 de 1985 a 1995, segundo depoimentos à imprensa – Fernandes e Noronha, 1995). Felizmente eles mesmos tem tomado a dianteira e procurado demonstrar estas perseguições preconceituosas, por exemplo, através de passeatas e manifestações públicas (Seidl, 1992; Folha de S. Paulo, 1994).

A busca da cidadania e respeito ocorre, no Brasil, por parte dos travestis prostitutos, fazendo com que promovam encontros para discutirem, por exemplo, a legalidade da prostituição, visando o direito à aposentadoria (Noronha, 1995), ou a busca da auto-preservação, desenvolvendo cartilha especial para ensinar aos outros travestis como lidar com a AIDS (Stycer, 1995).

Referências bibliográficas
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Sobre Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psychologist and sex and couple´s therapist at Instituto Paulista de Sexualidade www.inpasex.com.br Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual e decasais do Instituto Paulista de Sexualidade www.oswrod.psc.br
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