DISFUNÇÕES SEXUAIS MASCULINAS – QUANDO O HOMEM RECLAMA DO SEXO


DISFUNÇÕES SEXUAIS MASCULINAS – QUANDO O HOMEM RECLAMA DO SEXO

livro "Identidade masculina e sexual" - Ed. Biblioteca 24x7, 2008


Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Os problemas sexuais tem sido problemas em toda a história do homem, e em cada época algum aspecto torna-se mais importante. Então, também as definições tem mudado com o correr das décadas do século XX.

A compreensão psicológica das disfunções sexuais masculinas precisa ser inserida num contexto de causas que auxiliem a tratar a queixa em si e os aspectos ao redor que também contribuíram para produzir e para manter o problema sexual. A complexidade da sexualidade, seja normal ou disfuncional, é criada pela interação de forças da cultura, do desenvolvimento individual, da psicologia individual, dos relacionamentos interpessoais e da biologia. Não existe comportamento sexual, seja solitário ou com parcerias, que não seja moldado de alguma forma por cada uma destas cinco influências.

Isto é especialmente verdadeiro por ser o comportamento sexual vivido em díades, com dois indivíduos que trazem para o relacionamento suas histórias de vida desenvolvidas de forma única, inibições e motivações para o tratamento.

O trabalho clínico demanda que o terapeuta trabalhe para entender todas as forças que causaram o problema, mesmo ocorrendo durante o tratamento. Isto requer que o terapeuta identifique conceitualmente e separe os fatores desenvolvimentais predisponentes dos fatores precipitantes e daqueles fatores contextuais e dos fatores que mantém o sintoma.

O tratamento de disfunções sexuais masculinas necessita a avaliação do homem, da mulher e do casal com disfunção sexual. Esta compreensão permite o reconhecimento e tratamento adequado dos problemas sexuais, devendo incluir a pesquisa de:

– fatores predisponentes
– incluem a constituição da pessoa e as experiências de vida anteriores que contribuem com uma vulnerabilidade para a disfunção. Os fatores predisponentes variam desde experiências de histórico de abuso ou violência sexual na infância ou vida adulta, deformidades anatômicas, doenças crônicas, etc. No entanto estes fatores raramente são o suficiente para causar disfunção sexual.

– fatores precipitantes
– incluem os fatores mais imediatos que provoca a pessoa a expressar um comportamento/resposta disfuncional. Incluem separação ou divórcio, vivência sexual humilhante, cirurgia mutiladora.

– fatores mantenedores
São conflitos no relacionamento, ansiedade de desempenho, falta de privacidade, medicamentos que prolonguem ou exacerbem os problemas.

– fatores contextuais
fatores contextuais são os que podem interferir ou interromper a atividade sexual: restrições ambientais ou ressentimento/ódio para com o parceiro.

Psicólogo (CRP06/20610), psicoterapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade; membro do Conselho Deliberativo da SBRASH – Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana; Membro do Conselho de Orientação e Administração da ABEIS – Associação Brasileira para o Estudo da Inadequação Sexual; Membro do Conselho Consultivo da WAS – World Association for Sexual Health; http://www.oswrod.psc.br; oswrod@uol.com.br

O tratamento de disfunções adquiridas/recentes será diferente das disfunções de longa duração ou crônicas.
As queixas sexuais que trazem homens ao consultório cobrem uma variada gama de possibilidades. Também devemos olhar o cruzamento entre estas possibilidades, nem sempre compreendidas por esse homem, e muitas vezes também complica a compreensão de profissionais de saúde.

Passemos os olhos nas queixas de acordo com três áreas: desejo, excitação e orgasmo.

Problemas sexuais do desejo
Inibição do desejo sexual

Sempre foi mais difícil compreender se uma pessoa tem diminuição do desejo sexual. Uma investigação adequada implica em compreender todos os comportamentos relacionados com o desejo sexual, existência e freqüência: coito, masturbação, fantasias sexuais acordadas, sonhos, dedicação a sexo no cotidiano… e mesmo assim podemos ter uma situação onde o sujeito não percebe as expressões do desejo sexual de forma que possa nos apresentar, verbalizar sobre estas condições e confundir o profissional de saúde. Homens acreditarem que tem desejo, por considerarem que sentir desejo é parte da identidade masculina é uma expressão muito comum em nossa cultura. Então, perguntados, os homens se expressarão de modo a considerarem que tem desejo de sexo, mesmo quando o desejo, a motivação esteja inibida e não utilizável por este homem.
Então, a avaliação de prevalência desta queixa sexual pode ser muito confusa e variar demasiado. As variações de prevalência na população são grandes e recentemente tivemos valores de 11,2% para a falta de interesse sexual masculino (Moreira Jr., 2005), 12,3% (Abdo, 2002). Estas cifras são esperáveis num mundo que considera que os homens tem, naturalmente, mais desejo e sempre presente. Se os homens compreenderem que a falta de ereção não se relaciona com a diminuição ou falta de desejo sexual, as queixas eréteis serão mais visíveis (!) e naturalmente mais lógicas do que pensarem que o problema será o desejo sexual.
Na década de 1980, consultas masculinas sobre queixas sexuais atingiam somente 1,5% de ausência do desejo sexual (Rodrigues Jr. e cols., 1988), embora 45% dos homens com queixas eréteis também apresentassem inibição do desejo sexual. No início do século XXI, as queixas de inibição do desejo sexual em homens numa clinica de sexualidade foram 60% (Rosier e Rodrigues Jr., 2003). Estas queixas associavam-se a outras queixas sexuais.
Os homens apontam “problemas psicológicos”, ansiedade e a masturbação para causas da inibição do desejo sexual (Rosier e Rodrigues Jr., 2003).
O tratamento psicoterápico
Parafilias
São mais homens que mulheres que desenvolvem interesses eróticos em situações e condições diferentes da média ideológica dos comportamentos sexuais usuais. Desejos e excitação definidas por objetos diferenciados e menos comuns podem incluir excitação limitada apenas por sapatos, cheiros, dores (infligir ou sentir), humilhação (infligir ou sentir), poder (infligir ou sentir), pessoas muito mais jovens, ou mais velhas, de cor de pele muito diferente, com partes do corpo faltantes, muito magras ou muito obesas e variações de menor incidência.
Estas não são queixas comuns de quem procura consultórios de sexologia, mesmo porque eles já se sentem satisfeitos com o que tem. Quando estas questões aparecem, surgem como inadequação sexual do casal, necessitando de atenção para com o relacionamento conjugal, chegando a 5 ou 10% dos homens que buscam tratamento em consultórios especializados (Rodrigues Jr. e cols., 2001).

Comportamento Sexual Compulsivo

O dedicar-se a atividades sexuais como sintoma de características obsessivo-compulsivas ocorre mais em homens que em mulheres, e atinge cerca de 5% dos pacientes que buscam tratamento em clinicas de sexologia (Rodrigues Jr. e cols., 2001). Muitas vezes associam-se a parafilias e produzem relacionamentos com inadequações sexuais e conjugais motivadoras para a busca de tratamento. O tratamento será muito promissor de sucesso em pacientes realmente comprometidos com a psicoterapia, porém exigindo longo prazo de tratamento e usando o dobro de sessões semanais do que para outros problemas sexuais. O uso de medicamentos depressores do desejo sexual geralmente é declinado pelos pacientes que ao os usarem percebem que o desejo sexual diminui e diminui a satisfação sexual.
Problemas sexuais da excitação

Disfunção erétil
Ter dificuldades ou incapacidades em obter e/ou manter a ereção peniana de forma satisfatória que permita a relação de penetração é a maior preocupação sexual dos homens. Muitas vezes causada por problemas de desejo sexual ou promovida ao longo dos anos por problemas de falta de controle ejaculatório ou baixas sensações orgásticas, nem sempre é compreendida pelos homens desta forma.
As dificuldades de ereção variam muito na população masculina e cifras vão desde 13,1% (Moreira Jr. e cols., 2005) a 45,1% (Abdo e cols., 2006), ou 46,2% (Abdo, 2002). Na década de 1980 consultas masculinas sobre queixas sexuais atingiam 92% para a disfunção erétil (Rodrigues Jr. e cols., 1988). Ao inicio da primeira década do século XXI, em clinica especializada em sexualidade, as queixas eréteis somaram 51,02%, mais 10,20% associada a ejaculação rápida, 6,12% associada a inibição do desejo sexual e 4,08% associada a parafilias (total de 72,13%).
As causas psicológicas apontadas englobam: comprometimento da auto-estima, dos relacionamentos interpessoais, menos relações sexuais por semana, mais relações extraconjugais, queixas de falta de desejo sexual e ejaculação rápida. Os homens acima dos 60 anos tem 2,2 mais chances do que homens mais jovens de vivenciarem a disfunção erétil,e 3 vezes mais para aqueles com 70 anos ou mais. Os fatores de risco mais comumente correlacionados à disfunção erétil tem sido: hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, cardiopatias, tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, doenças prostáticas, depressão e idade; e fatores socioeconômicos: baixa renda e baixo grau de escolaridade, desemprego e estado civil solteiro. Os pacientes tiveram diagnosticadas dificuldades emocionais (ansiedades…) (81,63%) e as dificuldades afetivas (não estabelece vínculos de longo prazo – 38,78%) como principais causas do problema sexual (Rodrigues Jr. e cols., 2001). Ansiedade e depressão são concomitantes estatisticamente relevantes que se associam a esta dificuldade sexual. Necessário se faz reconhecer e estas expressões psicológicas patológicas ocorreram antes da queixa sexual ou são conseqüência do problema. Tratar psicoterapicamente estas condições é muito importante, mesmo que sejam apenas resultados da inabilidade do paciente em administrar estas expressões emocionais disfuncionais. Isto significa que ao mesmo tempo que se iniciam as conduções psicoterápicas explicitamente sexuais, abordagens psicoterápicas para combater a depressão ou a ansiedade precisam ser utilizadas. Nestes casos medicamentos anti-depressivos ou ansiolíticos podem prejudicar o tratamento sexual, interferindo com o desejo ou com a percepção de sensações prazerosas da mesma forma que a ansiedade ou a depressão o fazem, não auxiliando o tratamento para a queixa sexual.
Sessenta por cento dos homens com disfunção erétil já reconhecia que não tinha controle sobre a ejaculação rápida, e 45% apresenta baixo desejo sexual. A interferência de outras dificuldades sexuais tem grande importância na produção e manutenção da disfunção erétil.
O tratamento de disfunção erétil é mais difícil em homens sem parcerias sexuais (Reynolds, 1991). O tratamento de terapia sexual para disfunção erétil consiste de uma variedade de intervenções descritas em pesquisas dos últimos quarenta anos: dessensibilização sistemática, focalização sensorial, terapia interpessoal, tarefas comportamentais, educação sexual, treino de comunicação e técnicas sexuais e exercícios de masturbação (Althof e cols., 2003). Os resultados positivos de sucesso variaram de 85-95% com manutenção de ganhos mesmo após seis meses de finda a terapia focal na sexualidade.

Problemas sexuais do orgasmo

Ejaculação rápida
Desde o Consenso Internacional sobre Sexualidade ocorrido em Paris, em 2003, passamos a usar a frase “ejaculação rápida”, no lugar de ejaculação precoce, ou ejaculação prematura.
Desde o inicio do século XX ocorre uma discussão sobre a definição do que se chamaria de ejaculação rápida, continuando ate esta primeira década do século XXI. Já houve proposição de apenas denominar um homem com esse problema se ele ocorresse em até 50% das oportunidades sexuais (e a mulher que se arranjasse nesta metade de eventos rápidos…). Outra maneira foi determinar algum tempo baseado em estatísticas. Na década de 1940 considerou-se que os homens ejaculavam rápido, numa percentagem de 75% até dois minutos iniciada a penetração. Na década de 1970 o tempo de 5 minutos de movimentos vigorosos de entrada e saída do pênis foi proposto para determinar quem era muito rápido no sexo. E, infelizmente para as mulheres, os urologistas numa reunião internacional convencionaram em 2007, que um homem não é ejaculador precoce se ejacular após um minuto e meio de iniciada a penetração…
Pacientes que buscam tratamento para a ejaculação rápida consideram a ejaculação ocorre em 2 minutos (variando de 3 segundos a 8 minutos), alguns avaliam que em média produziam 3,5 movimentos de entrar e sair da vagina, ou que ejacular rápido era normal até parceira reclamar (Rodrigues Jr. e cols., 2002).
Os grupos de psicólogos atuantes em questões de sexualidade tem tido a preferência de equalizar a discussão junto ao casal que determinará o tempo pelas necessidades conjugadas e não pela condição masculina individual.
Compreende-se que fisiologicamente o animal homem pode ejacular rápido, e isto deveria ser uma vantagem evolucionaria permitindo maior possibilidade de procriação da espécie.
A preocupação com a dificuldade em controlar a ejaculação apareceu em 93% de homens num estudo brasileiro do final da década de 1980 (Vaz, s/d) ). A ejaculação precoce é uma forma de disfunção sexual presente em 15,8% (Abdo, 2002), ou 25,8 por cento dos homens brasileiros (Matos, 2005), ou 75% (Kinsey e cols, 1948) ou 45% dos homens reconhecem que a tem (Rodrigues Jr., 1991) e mais 38% não reconhecem mas ejaculam rápido (Rodrigues Jr., 1991). Neste principio de século encontramos cifras de 30,3% Ejaculação Precoce como o problema sexual masculino mais comum entre homens que se auto-apontaram ter o problema. Na década de 1980 consultas masculinas sobre queixas sexuais atingiam a ejaculação prematura foi queixa de 6,5% (Rodrigues Jr. e cols., 1988). Em consultório especializado os números subiram para 38,77% (Rodrigues Jr. e cols., 2001), podendo se associar a outras queixas, a exemplo de disfunção erétil (mais 10,2%) e inadequação sexual do casal (mais 4,08%), somando 53,77% dos homens que se consultam por problemas sexuais.
A pressuposição de que a ansiedade é a principal causa da falta de controle voluntario da ejaculação tem sido referida por leigos e profissionais de saúde, incluindo especialistas em sexualidade. Neste principio de século, um consenso tem sido cada vez mais percebido entre os grupos profissionais: os homens são providos fisicamente da capacidade de ejacularem rápido, controlar é a capacidade humana desenvolvida através dos séculos. Controlar torna-se um mecanismo aprendido como demonstram as técnicas de tratamento psicoterápico da ejaculação rápida.
As pesquisas sobre o tratamento da ejaculação rápida apontaram as seguintes condições técnicas auxiliares no tratamento psicoterápico desta dificuldade sexual: Educação sexual; Psicoterapia; Despertar atenção; Treino de comunicação; Modificação de interação sexual; Focalização sensorial; Técnica de compressão; Desenvolvimento de técnicas sexuais; Dessensibilização sistemática e treino assertivo (Althof e cols., 2003). Os resultados atingem de 75 a 100% de sucesso sem recaídas. Tratamentos medicamentosos apresentam baixa percentagem de sucesso e interferem com o desejo, diminuindo-o ou mascarando a insatisfação com o comportamento e menor freqüência sexual que ocorre na seqüência do uso de medicamentos anti-depressivos.
A ansiedade é associada 76,9% dos pacientes nas variadas causas da falta de controle ejaculatório. A ansiedade ainda pode ser compreendida existindo nas dificuldades de relacionamento interpessoal apontada por alguns pacientes. Questões financeiras ou educação anti-sexual não aparecem nesta amostra como podemos ler em jornais ou antigos manuais de sexologia.
Muitos homens com falta de controle ejaculatório procuram médicos e a maioria destes recebe prescrições de medicamentos que não curam nem satisfazem a estes homens. Mesmo que as medicações experimentadas estejam listadas em livros e manuais médicos como formas de tratamentos eficazes para a ejaculação precoce, elas não o foram para esta fatia de pacientes que continua em busca de tratamento.
A motivação para o tratamento da ejaculação precoce associa-se à ansiedade percebida pelo pacientes e a pressão recebida pela insatisfação da parceria sexual.
Enquanto o homem com queixa erétil demora-se em média perto de 5 anos para procurar tratamento, o ejaculador precoce demora-se mais que o dobro de tempo para fazê-lo. Uma das razões destes números é a existência do problema ejaculatório desde o início da vida sexual coital. Homens que desenvolveram a ejaculação precoce após um período de controle da ejaculação apresentam um tempo semelhante aos homens com queixas de disfunção erétil.
Inibição ejaculatória
Esta dificuldade já foi chamada de ejaculação retardada, e implica em não conseguir ejacular durante a penetração, mesmo que ela se estenda por 50 minutos, uma hora ou uma hora e meia. Alguns homens se queixarão desta dificuldade com 20 minutos de relação coital, mas o fazem por se cansarem fisicamente (falta de capacidade muscular e aeróbica) ou por se desinteressarem no meio do coito por desvio de pensamento (dificuldades de atenção ou por considerarem que a relação já deveria ter acabado e desviarem a atenção do processo de excitação que conduz à ejaculação).
O tratamento psicoterápico atinge sucesso próximo dos 100% e depende de pacientes desenvolverem auto-percepção e técnicas sexuais que facilitem o aumento da excitação sexual e conduzam a ejaculação.

Anorgasmia
Embora seja um problema sexual extremamente raro nos consultórios, uma pesquisa recente apontou que 14% dos homens se apontavam a incapacidade de alcançar o orgasmo (Moreira Jr., 2005), e alguns anos antes 10% (Abdo, 2002).
Uma das dificuldades em se diagnosticar a dificuldade ou falta de orgasmos em homens é o problema que os homens confundem muito facilmente a ejaculação com o orgasmo, o fenômeno físico que ocorre no genital com a percepção de prazer que ocorre fisicamente no cérebro.

Finalizando
Ainda existem algumas queixas que se associam a sexo que atingem pouquíssimos homens: cefaléia pós coital e dor durante o ato sexual (dispareunia).
A cefaléia pós coital é muito rara e em algumas situações mostrou-se resultado de altas doses de excitação ou orgasmos extremamente intensos produzidos por condições emocionais muito intensas em paixões inesperadas e ainda não vivenciadas.
A dispareunia atinge 4,6% dos homens. Em consultório de sexologia esta percentagem é muito menor, não chegando a 1% e geralmente associado a outras dificuldades sexuais, a exemplo de inibição do desejo sexual desde a puberdade, com comportamentos sexuais e afetivos aversivos impedindo vivências comportamentais genitais e eróticas associadas ao pênis. A dor surge como meio de defesa contra a aproximação física e sexual o que faz com que também não aparece como queixa a ser tratada.
A última situação a ser considerada nas disfunções sexuais masculinas deve ser a inadequação sexual de casal. Dificuldades sexuais associadas ao casal, muitas vezes frutos de dificuldades de comunicação e compreensão inadequada do que o casal pode significar. Condições cognitivas distorsivas no relacionamento do casal conduzindo a mal estar e insatisfação sexual, geralmente com o desenvolvimento de inibições do desejo sexual em um ou ambos, quando valorizam outros aspectos do relacionamento do casal para manterem-se casal: família, filhos, vida social, manutenção do patrimônio do casal… O tratamento do casal é primordial, acompanhado de reestruturação cognitiva e do comportamento sexual.
O maior problema será compreender que um homem pode ter uma falta de controle ejaculatório, uma disfunção erétil e também inibição do desejo sexual. Quando temos a conjunção de disfunções, uma altera a possibilidade de tratamento da outra, e quando tratamos apenas uma, os problemas sexuais secundários ou não percebidos pelo paciente ou pelo profissional de saúde continuarão a atuar e produzir problemas nos relacionamentos ou provocar o retorno da queixa principal. Isto tornou-se muito claro com o uso de medicamentos facilitadores da ereção masculina: na falta ou diminuição do desejo sexual a ereção torna-se muito difícil, mesmo com o medicamento, impedindo o uso do remédio para solucionar (mesmo que temporariamente) o problema da ereção.
Os tratamentos psicoterápicos para as disfunções sexuais masculinas apresentam sucesso muito mais que satisfatórios apresentados em pesquisas nos últimos 40 anos de forma que podemos reconhecer ser um tratamento de cura efetiva, que nem sempre os profissionais de saúde conhecem ou os homens que precisam usar estes tratamentos.

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Sobre Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psychologist and sex and couple´s therapist at Instituto Paulista de Sexualidade www.inpasex.com.br Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual e decasais do Instituto Paulista de Sexualidade www.oswrod.psc.br
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