Polêmicas sobre o sexo anal


livro "Ejaculação precoce" (Iglu Ed., 2010)

Polêmicas sobre o sexo anal
Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr. – (CRP 06/20610) psicoterapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade; professor do Curso de Especialização em Psicoterapia com Enfoque na Sexualidade, do InPaSex – http://www.inpasex.com.br; autor dos Inventários de Sexualidade (Editora Expressão e Arte, 2007)
Sexo anal não é objeto de tabu. Tabu tem o significado de interdição sob penalização extrema. Sexo anal, na cultura ocidental é uma prática mais comum do que as pessoas admitem socialmente.
Sexo anal, embora praticado desde sempre pela espécie humana, tem sido objeto de questões morais historicamente.
As instituições sociais que representam a moral são, principalmente, a religião e a lei civil. Na falta de leis civis, a religião representou o ideal de um grupo de modo moral, impondo-se exclusivamente aos membros do grupo.
Houve épocas que se compreendia que o sexo ano-genital competia com a possibilidade de reprodução, a qual era necessária para a manutenção do grupo social, para que existissem e se repusessem soldados que morriam devido a constantes guerras…
À época da revolução francesa, na França, receber a penetração anal levava um homem à guilhotina…
O século XIX produziu uma ideia de que sexo anal era uma doença mental… e por décadas a ideia se manteve.
Através da ideia que produz as regras de conduta moral, o sexo ano-genital tem sido uma impossibilidade para muitos.
Isto não significa que seja uma doença, nem que seja não saudável.
Chegamos ao século XXI com uma compreensão técnica e de saúde de que se pode praticar o sexo ano-genital, mas da mesma forma que qualquer atividade humana, exige cuidados que os praticantes precisam conhecer.
Ainda é mais comum os homens comentarem que praticaram a penetração anal de suas parceiras do que elas afirmarem esta prática socialmente. Verbalizar implica poder ser alvo de julgamento por parte das outras pessoas. Se o ambiente social for contrário moralmente a esta prática sexual, será mais provável que a mulher não se exponha.
As mulheres que se expõe demonstram uma segurança definida por não dependerem da moral externa para determinarem seus comportamentos, inclusive sexuais.
Também precisamos considerar que a intimidade sexual não pertence à vida pública e isto implica que não se considera, em nossa cultura, contar as intimidades publicamente. Podemos afirmar nossas opiniões, mas não contarmos nossas vidas sexuais. Isto não significa ter vergonha, embora algumas pessoas sintam-se envergonhadas ao pensarem em falar sobre sexo.
A ideia de sexo ano-genital tem sido comum na cultura brasileira desde a época da colônia. Comum por serem os residentes de certa forma desobrigados de muitas limitações sociais que ocorriam na corte portuguesa, afinal, éramos apenas colônia e os que aqui viviam eram muitos degradados e que se dispensavam da educação, “moral e bons costumes” aplicadas aos metropolitanos.
Historicamente vivemos com esta ideia, e a ideia produz curiosidades, em especial no adolescente que a tudo trata da forma pré-experiências.
A mulher adulta que se questione a respeito das possibilidades do prazer sexual colocará a proposta anal no leque de alternativas e cuidará de poder experimentar. Somente não o fará a mulher que siga propostas morais externas já determinadas que limitem esta alternativa.
Mais homens do que mulheres pensam em satisfazer necessidades de prazer sexual através da penetração anal, mas muitas mulheres também buscam o mesmo ato com finalidades de obter prazer sexual.
É necessário lembrar que a fantasia pode ser positiva, mas existem as fantasias negativas que incutem a busca como forma de se negar, se rebaixar, sentir-se mal. Sempre dependerá desta pessoa específica e como se percebe: positiva ou negativa. Isto determinará o ato e o significado da procura.
As mulheres raramente demonstram o desejo anal. Apenas as mulheres que se consideram mais donas do mundo ao redor se propõe a conduzir o contato sexual de odo direto ao sexo anal.
As mulheres aceitam fazer, mas não o fazem como objetivo. Algumas extraem prazer erótico e sexual desta modalidade.
Já os homens falam e demonstram desejar o sexo anal como variação comum e insistem neste ato nos relacionamentos afetivos ou apenas sexuais.
Já na década de 1990 fizemos pesquisa na grande São Paulo e obtivemos informações importantes sobre a prática. Mais de 80% das mulheres experimentaram, mas apenas metade faria sexo anal novamente e a maioria delas para satisfazer o parceiro. Porém, mesmo sendo uma minoria de apenas 2%, soubemos de mulheres que sentiam orgasmos com a penetração anal, algo que não pode ser desconsiderado.
As mulheres que tem como auto-regras usar o julgamento do outro para dirigir a vida usaram o esquema de fazer para apenas agradar o outro, recompensar o outro, trocar por algo que ela manipulou para ter. Algumas mulheres que sabem o que buscam podem recompensar o parceiro, mas em outras bases de comum acordo. Ela pode esforçar-se para demonstrar um carinho, mas não para ganhar algo a mais, como moeda de troco. Algumas mulheres buscarão vivenciar o sexo ano-genital como uma variável saudável na qual pode sentir um prazer e compreenderão que precisarão aprender a obter prazer par vivenciar mais vezes este ato sexual. Conhecem os limites, respeitam estes limites e os usam para ampliar o prazer que podem auferir do contato sexual a dois.
A virgindade em ambos os sexos tem sido revalorizada nos adolescentes na última década, em especial em alguns segmentos religiosos, deixando de ser uma minoria, passando a ser representativa a quantidade de virgens atualmente, e retomando o comportamento antigo de praticar sexo anal para manter a virgindade vaginal. Esta sempre foi uma prática de adolescentes para manter a virgindade. Como se a penetração anal não fosse uma prática sexual… mas cada qual tem seu mito e sua forma de justificar-se.
O sexo anal coexiste e não deixará de ser uma alternativa erótica para o ser humano que há muitos milênios deixou a diretriz restritiva animal da reprodução exclusiva como motivador para a atividade sexual.
Se desejar, compreendendo as limitações de saúde, faça!
Se tiver dúvidas… aguarde e pense o que lhe significa.
Se considerar errado. Limite-se! Será melhor.
Apenas não faça por que o outro quer ou para sentir-se mal…
Sexo é para viver bem!

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Sobre Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psychologist and sex and couple´s therapist at Instituto Paulista de Sexualidade www.inpasex.com.br Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual e decasais do Instituto Paulista de Sexualidade www.oswrod.psc.br
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