A mulher e o orgasmo


Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr. - http://www.oswrod.psc.br


Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr. – psicólogo (CRP 06/20610), Psicoterapeuta sexual e Diretor do Instituto Paulista de Sexualidade – http://www.inpasex.com.br; organizador do livro “Aprimorando a saúde sexual” (Summus Ed., 2011)
O prazer sexual não é um objetivo para o processo de socialização das mulheres neste momento histórico, embora os últimos cem anos estejam no caminho de mudar este paradigma. As mulheres ainda são socializadas objetivando a reprodução e cuidados dos filhos. A mulher é ensinada, em criança, a brincar com bonecas, reproduzindo e preparando-a para o papel reprodutivo e materno. Não veremos em nossa cultura a menina tendo atitudes e atos associados à valorização da atividade sexual, especialmente genital.
Mais da metade das mulheres chegam aos 18 anos de idade sem terem explorado as possibilidades de prazer genital, enquanto apenas 1% dos homens chegará na mesma idade sem experi6encias autoerotizantes.
As mulheres são ensinadas a aguardarem que o prazer virá pela relação sexual, aquela mesma que quando ocorre a primeira vez pode ser traumática e muito longe da promessa de prazer e orgasmo.
O mundo está em constante mudança, e mesmo assim condições mitificadas ainda se impõe e agora temos mulheres em sofrimento por não ejacularem… mas não temos homens sofrendo por não poderem amamentar os bebês… a pressão social em buscar o prazer tem seus paralelos negativos para algumas mulheres…
A busca do orgasmo aparece nos últimos 40 anos como reivindicação pela igualdade social e de cidadania e se reforça pelas diretrizes das áreas da saúde como um direito e em prol da saúde sexual.
Cada mulher precisa desenvolver um esforço pessoal para conhecer e viver o orgasmo.
O primeiro passo, de fato, é o desenvolver a capacidade em dedicar a atenção e o pensamento às questões sexuais. Esta dedicação de pensamento permite usar a fantasia, conhecer os limites éticos e morais que conduzem às emoções e aos comportamentos sexuais.
Perceber que a dedicação de pensamento à sexualidade é fundamental será um passo, mas a dedicação implica em diariamente investir nesta atividade interna.
Ao se exercitar, pensar e pensar e fantasiar, a mulher poderá reconhecer o que lhe envolve, o que lhe excita, o que lhe produz desejo e motivação, assim como o que deverá ser evitado.
O segundo passo implica em perceber e reconhecer como o corpo pode e deve receber estímulos táteis que sejam importantes para a atividade sexual.
O ato de estimular os genitais com as mãos torna-se muito importante e se pode afirmar isso ao estudarmos mulheres de sabem ter orgasmos e as que tem dificuldades em orgasmar: ter orgasmos relaciona-se a mulheres que tinham vivência anterior masturbatória.
É necessário apontar um erro de muitas mulheres: se desejam que o orgasmo ocorra com a penetração numa relação coital, será necessário que treine desta mesma forma. A maioria das mulheres que se masturbam apenas aprendem a ter orgasmos com estimulação clitoriana, e assim se acostumam e depois queixam-se de não saberem como ter orgasmos nas relações sexuais de penetração.
A falta de expressividade emocional e falta de assertividade implicam em não mostrar as emoções e não verbalizar o que sentem. A isto tem se chamado de timidez, e é um item especialmente associado a queixas de problemas sexuais.
Assim sendo, aprender a mostrar o que sente e como verbalizar de modo inequívoco é um terceiro passo necessário. Muitas mulheres consideram, erradamente, e de modo defensivo, que não devem e nem precisam dizer aos parceiros que querem ou precisam de determinados estímulos sexuais, afirmando que o sexo é natural e por isso não precisam contar aos homens o que desejam…
Aprender a dizer, com todas as palavras, sem usar formas infantilizadas, será especialmente facilitador para que os prazeres do sexo ocorram.
Desviar a atenção para questões que produzem ansiedades ou apenas desviam o foco da vivência sexual é um problema em si.
Seja por considerar e pensar que um filho pode entrar no quarto, ou bater à porta, seja por pensar e avaliar-se com a apresentação do corpo de modo diferente do que é o ideal socialmente definido, produzirá efeito oposto ao prazer buscado.
Achar que não está com o corpo adequado para ser vista nua é uma forma de desviar a atenção para um foco anti-sexual… não facilita o sexo, o prazer e impede o orgasmo.
O treino assertivo, reconhecendo os próprios limites e expressando-se nestes limites permitirá que uma mulher desenvolva a capacidade em administrar estas dificuldades. Nem sempre consieguirá fazer esse processo sozinha e precisará de auxílio psicoterápico.
Após saber o que produz prazer e satisfação, em especial por ter-se questionado e dedicado pensamento e tempo diário para o fantasiar sexo, é necessário aprender a dizer, afirmar, ser positiva, para que possa ser entendida sem erros. Dizer o que gosta e como gosta facilitará o caminho do orgasmo e do prazer geral no sexo.
Somente a mulher que realmente considerar o sexo uma atividade importante terá motivação real de vencer as vergonhas e optar pelo prazer sexual. Se a mulher não tiver esta prioridade não aprenderá como vencer as vergonhas do corpo e do falar das preferencias sexuais.
O homem também faz parte desta caminhada.
Muitos homens ainda consideram que são os responsáveis em “dar prazer” para a mulher.
O homem, na relação sexual, é co-adjuvante e assim tem uma grande importância ao poder dar um suporte para que a mulher encontre seus caminhos de prazer.
O homem deve estar atento às palavras e direcionamentos que a mulher verbalizar para que ele saiba o que fazer.
Atento ao momento, o homem precisa compreender que está naquele momento e dedicar-se ao momento. Isto o fará ser eficaz no ato sexual. Dedicar-se emocionalmente, e de modo racional atentar aos objetivos de ambos estarem juntos é papel do homem. Ele deve saber que a parceira reconhecerá no seu toque esta disponibilidade pessoal, emocional.
Um aspecto importante a ser considerado são as preliminares. E aqui participam os homens!
Precisamos saber quem é esta mulher específica que não aprecia as preliminares longas e quão longas são estas preliminares.
Um casal precisa explorar as possibilidades do próprio casal para saber o quanto precisam ou preferem de preliminares e o quanto de tempo precisam para que os conduza ao momento da penetração. Usar esta justificativa para diminuir o tempo das preliminares será um problema duplo no futuro do casal.
As preliminares exigem tempo. Os corpos exigem tempo. Os corpos exigem preliminares para se preparem, e mesmo para focar a atenção ao momento sexual, separando-se do restante do dia, do estresse do cotidiano, o que permite relaxar fisicamente para iniciar o ato sexual, focar no prazer. Um tempo inferior aos 15 minutos provavelmente exigiria maior dedicação de ambos antes do contato sexual iniciado.
Concluindo, estes são os segredos não considerados por muitas mulheres e que conduzirão aos orgasmos:
– Conhecer-se (necessidades e limites),
– Dedicar-se (em pensamento e ato)
– Experimentar sempre
– Insistir e repetir o que conhece e que dá prazer.

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Sobre Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psychologist and sex and couple´s therapist at Instituto Paulista de Sexualidade www.inpasex.com.br Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual e decasais do Instituto Paulista de Sexualidade www.oswrod.psc.br
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