Caminhos e descaminhos do orgasmo feminino


Caminhos e descaminhos do orgasmo feminino
Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.


O prazer sexual maior, chamado de orgasmo, pode ser um ponto intrigante e desconhecido para muitas mulheres. Esta informação tem aparecido em pesquisas sobre o comportamento sexual feminino ocidental há décadas, incluindo o Brasil.
Como uma mulher pode saber se está tendo ou teve um orgasmo?
Uma das formas será reconhecer as reações que a mulher tem no corpo.
Fisiologicamente o orgasmo ocorre no corpo através de contrações musculares fortes e conseqüente relaxamento de todos os músculos. Em especial os músculos da entrada da vagina é que produzem as contrações mais fortes e diretamente associadas ao orgasmo.
Ainda fisicamente, o orgasmo ocorre no cérebro em duas regiões específicas com uma descarga elétrica que corresponde à sensação de orgasmo. Este quesito permite que existam orgasmos com sentido sexual mesmo que não ocorra outros concomitantes fisiológicos, embora seja raro e difícil de acontecer.
Com o orgasmo existe uma parada respiratória momentânea e a sensação de que as coisas externas deixam de existir ou de ter importância.
Estes concomitantes existem com a percepção de prazer extremo, reconhecido como um prazer que não ocorre em outras ocasiões.
– Reconhecendo as influências sobre o orgasmo feminino
São fatores de duas ordens que precisam ser percebidos pela mulher:
– físicos sobre os cinco sentidos (visão, audição, olfato, gustação e em especial o tato), aos quais se deve adicionar a propriocepção, a percepção das sensações físicas internas do corpo. Todas estas percepções exigem um condicionamento anterior que classifica mentalmente o estímulo com qualidades positivas e sexuais, passando assim a contribuir com a produção do orgasmo.
– mentais – são idéias, pensamentos, lembranças, cognições que determinam se uma situação pode conduzir ao orgasmo, se pode ser erótica, se tem qualidade sexual. Assim uma pessoa pode ser atrapalhada pelos mesmos conteúdos e processos de pensamento para dedicar-se ao sexo e obter orgasmos. Aqui entram os valores morais e padrões de ética e conduta que se forem condizentes com a expressão sexual positiva facilitarão os orgasmos.
Se temos estas duas vertentes favoráveis será mais fácil de se conseguir o orgasmo.
O fator cognitivo permite a mulher a se conhecer e se isto ocorre desde a adolescência esta mulher conhece os caminhos individuais de como obter orgasmos e saberá repeti-los, independente do parceiro. Este autoconhecimento inclui e abrange a auto-exploração corporal, o que conduz à autoerotização desde esta fase do desenvolvimento humano e produz a repetição do caminho erótico já conhecido. Estatisticamente as mulheres que desenvolveram a masturbação antes da vida adulta são as que conhecem o orgasmo. Estas adolescentes compreendem a vida sexual como expressão natural, normal, parte do cotidiano e assim facilitam o caminho das expressões físicas eróticas e sexuais.
– Fatores negativos
Os mesmos fatores que facilitam podem atrapalhar se estiverem na contramão do sexo.
Uma pessoa que tenha dificuldades de perceber as condições ao redor que atrapalhem o sexo, por exemplo estar cansada, tem o fator cognitivo prejudicado. Conhecer as limitações pessoais, a exemplo de estar cansada, estar com raiva, estar triste, nervosa e outras expressões emocionais negativas será um caminho facilitador para a expressão sexual adequada.
Doenças crônicas e os tratamentos para estas doenças geralmente se associam com problemas sexuais, dificultando o orgasmo. Um exmplo cada vez mais comum é a depressão com os tratamentos medicamentosos: o orgasmo será a primeira parte prejudicada da expressão sexual…
Um fator muito importante é o relacionamento do casal. Negar o orgasmo é uma forma comum da mulher brigar com o marido/companheiro. Ela não tem o prazer, mas assim demonstra, ou pensa demonstrar, que ela não está satisfeita. O problema é que as dificuldades do casal apenas aumentará. E provavelmente ela piorará o desempenho sexual e o relacionamento do casal. A falta da expressão emocional assertiva associa-se aos problemas sexuais de modo muito direto.
Os principais fatores fisiológicos negativos são medicamentos para tratamento de doenças crônicas e as condições fisiológicas que as doenças crônicas produzem. Mulheres com problemas renais crônicos e com necessidades de hemodiálise podem perceber que além dos malestares gerais as dificuldades sexuais se apresentarão.
– E as mulheres que choram quando tem orgasmo?
O choro, da mesma forma que uma risada, é uma forma de liberação de tensão.
O orgasmo é fisiologicamente uma liberação de tensão. Assim, fisiologicamente pode ocorrer o choro associado com a liberação da tensão sexual acumulada pela excitação sexual. Isto não ocorre com todas mulheres e provavelmente deixará de ocorrer com a multiplicação das experiências sexuais com orgasmo.
O problema também será para o parceiro que pode não compreender esta situação ou mesmo sentir-se incomodado com a situação que parecerá contraditória, pois o choro é compreendido como expressão negativa das emoções e não parece ser apropriado com um orgasmo que seria um momento positivo, prazeroso.
Compreender como o choro acontece e como reconhecer as outras emoções e como se dá a expressão das emoções e o significado social atribuído a cada uma, possibilitará a mudança de comportamento e o choro deixará de ocorrer, sendo substituído por outras expressões mais úteis para os relacionamentos sexuais nesta cultura.
Precisamos diferencias este choro de outras expressões. Muitos já pensarão que o choro se deve a alguma experiência traumática associada a sexo, a exemplo de um estupro, um abuso sexual… As mulheres que carregam os efeitos de uma experiência traumática associada ao sexo dificilmente se colocarão numa condição de coito e mais provavelmente nem se colocarão disponíveis para iniciar o contato sexual. Assim não chegarão ao choro de um orgasmo… será necessário um tempo e elaboração interno para que a aproximação sexual retorne. Abusos sexuais infantis produzirão afastamentos afetivos, geralmente não sexuais.
Sentir orgasmo é saudável!
Buscar esta saúde sexual também é saudável!
Dedicar-se ao autoconhecimento em prol da vida sexual e dos orgasmos será algo muito importante e útil na vida de uma mulher para si mesma.

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Sobre Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psychologist and sex and couple´s therapist at Instituto Paulista de Sexualidade www.inpasex.com.br Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual e decasais do Instituto Paulista de Sexualidade www.oswrod.psc.br
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