Afinal: o que é sexualidade?


Afinal: o que é sexualidade?
Psic. Oswaldo Martins Rodrigues Junior – Psicólogo (CRP06/20610), psicoterapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade – inpasex.com.br; pesquisador do GEPISPS – Grupo de Estudos e Pesquisas do Instituto Paulista de Sexualidade – oswrod.psc.br

Psic. Oswaldo Rodrigues Jr. ministrando aula no InPaSex


Ultimamente tenho lido textos e matérias jornalísticas que usam a palavra sexualidade diferente da definição dicionarística…
Academicamente os conceitos que envolvem questões da sexualidade tem nomes diferentes, exatamente para configurar condições diferentes…
– identidade de gênero
“indica, por meio de desinências, uma divisão dos nomes baseada em critérios tais como sexo e associações psicológicas”, havendo os gêneros masculino, feminino e neutro. A definição dicionarizada diz respeito a condição gramatical e não um construto ou forma de análise da realidade. No mundo humano considera-se a existência de dois gêneros: masculino e feminino.
A identidade de gênero é autorrevelada aos outros através de palavras e comportamento, e é publicamente conhecida e reconhecida. Porém, as outras pessoas sempre sabem menos do que o indivíduo sobre a totalidade do gênero deste, o que as faz construir, em segunda mão, as evidências da identidade de gênero de tal indivíduo, cujas evidências são de acesso apenas dele. O gênero somente pode ser certeza para o indivíduo.

– identidade masculina e identidade feminina
O masculino/masculinidade e o feminino/feminilidade parecem ser atributos sem grandes questionamentos para as pessoas em geral. Ao desejarmos conhecer a definição de tais vocábulos, parece bastar olhar num dicionário da língua portuguesa e já saberíamos os significados:
– masculino – que é do sexo dos animais machos; macho. Varonil, energético, forte, másculo.
– feminino – características e comportamentos considerados por uma determinada cultura por ser associados ou apropriados para a mulher.

– identidade sexual e papel sexual
Os papéis sociais são definidos culturalmente e dependem de crenças e expectativas partilhadas pelo indivíduo e pelos outros, e são modos de agir, socialmente prescritos, em determinadas situações. Os papéis sexuais são ditados pela sociedade e definem-se em termos de roupas, atitudes, interesses, fala e ocupações, descrevendo as características dos papéis em decorrência do sexo (masculino/feminino).
As normas culturais formatam os papéis sexuais baseados no sexo biológico.
Nas pessoas integradas com seu sexo genital, estes são fonte direta das sensações e confirmação de seu gênero; pênis e escroto são provas diretas da masculinidade e identidade masculina para os homens.

– orientação sexual/opção sexual/preferência por objeto sexual
Uma pessoa pode sentir desejo sexual por um homem, por uma mulher, inespecificamente por homens e mulheres, de modo monogâmico, poligâmico, por partes de uma pessoa, por objetos, por meios de obter prazer…
A orientação sexual é desenvolvida, aprendida numa cultura de acordo com regras sociais e interação desde o nascimento, geralmente decorrendo do sexo genital e da identidade de gênero.
A orientação sexual pode ser heterossexual, homossexual, bissexual (em proporções variadas), assexual, parafílico, poliamoroso…
Todas estas formas de identidades sexuais são desenvolvidas na interação social desde o nascimento.

A frase identidade sexual tem sido usada como sinônimo de orientação sexual/opção sexual/preferência por objeto sexual. Inadequadamente a frase ainda é referida como algo genético sobre o qual não se tem responsabilidade e nem controle, mesmo que não existam estudos comprovados de que estas formas sejam de ordem biológica, genética, hereditária, mutacional…
Enquanto muitos pesquisadores buscam a compreensão das expressões sexuais na direção do direito e da humanidade, algumas pessoas preferem ser consideradas como produto da natureza, justificando-se. Nesta última vertente, escritos de inspiração religiosa tem advogado a necessidade de serem consideradas doenças as formas diferentes da heterossexualidade… os extremos estão se encontrando… e causarão muitas discussões nas próximas décadas.
A humanidade desenvolveu no último século uma série de novas formas de orientar-se para o prazer sexual e assim seguirá desenvolvendo de acordo com os desenvolvimentos tecnológicos. Logo poderemos observar novas formas e nos assegurarmos de que estes novos aprendizados existem de fato e que as outras expressões sexuais continuam existindo.
Identidade sexual?
Consiste das formas de expressão da sexualidade no mundo social, modos de se identificar para si mesmos, para os outros e para o mundo, desenhando como o futuro será criado e mantido.
São mutáveis?
Todos podem olhar a própria vida e perceber que existem fases de diferentes expressões. Estas fases podem ser prolongadas quanto mais a pessoa percebe que descobriu uma maneira de satisfazer necessidades sexuais ou afetivas. E quando consideramos que “somos”, diferentemente de estarmos, prolongamos a fase, e muitas vezes levamos esta fase até o final da vida…
Estarmos numa fase que nos identifica para nós mesmos uma condição sexual hetero, homo, bi, ou assexual permitirá vivermos outra fase que pode ser diferente…
Sexualidade é uma qualidade do sexo, mas não designa os papéis que que podem ser exercidos no ser sexual. O Ser Sexual tem identidades sexuais. O ser humano é sexual, tem sexualidade que se expressa por identidades sexuais que compreendem as preferências sexuais.
A Organização Mundial de Saúde definiu sexualidade com finalidades de trabalhos mundialmente:
“Sexualidade é uma aspecto central do ser humano por toda a vida e inclui o sexo, as identidades de gênero e papéis sexuais, a orientação, eroticismo, prazer, intimidade e reprodução. A sexualidade é experienciada e expressa em pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relacionamentos. Enquanto a sexualidade inclui todas estas dimensões, nem todas são experienciadas ou expressas. Sexualidade é influenciada pela interação de fatores biológicos, psicológicos, sociais, econômicos, políticos, culturais, éticos, legais, históricos, religiosos e espirituais.”
Discutir a sexualidade de alguém não é discutir se uma pessoa é hetero ou homossexual. Afirmar desta forma é restricionista e conduzirá às mesmas discussões dos preconceitos e homofobias. Aqui cabe a responsabilidade individual na luta contra o preconceito, qualquer que seja ele.

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Sobre Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psychologist and sex and couple´s therapist at Instituto Paulista de Sexualidade www.inpasex.com.br Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual e decasais do Instituto Paulista de Sexualidade www.oswrod.psc.br
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