Identidades Sexuais e o combate da homofobia


Identidades Sexuais e o combate da homofobia

Sexólogo Oswaldo M. Rodrigues Jr.


Muito se fala de identidades sexuais e de homofobia. Até mesmo um kit anti-homofobia será distribuído nas escolas brasileiras de ensino médio. Mas todos entendem o que são as identidades sexuais?

As identidades sociais que não sejam da heterossexualidade e de papéis masculinos e femininos extremados tem sido tratados em nossa sociedade como algo errado e nocivo. Trazer esta discussão para adolescentes de ensino médio e na formação de professores é um primeiro passo para a compreensão e distinção entre identidade de gênero, papel social de gênero e orientação/preferência sexual. O fato de nossa sociedade não discutir o assunto produz aumento de preconceitos, reiterando o caráter infantil do pensamento, sem desenvolvimento para a adolescência e par a vida adulta. O pensamento dicotômico homem-mulher, macho-fêmea, hetero-homo é relacionado a uma fase de desenvolvimento cerebral infantil e nossa cultura não produziu formas de compreensão para as fases evolutivas cerebrais posteriores, quer dizer: adolescência e vida adulta.

Isto faz com que o kit contra a homofobia traga a discussão sobre as alternativas, ao menos algumas delas, pois outras discussões ainda precisarão ocorrer futuramente…

Mas também devemos compreender que esse passo é apenas o primeiro para que exista a tolerância e convívio compreensivo entre as pessoas diferentes.

Devemos compreender que os próximos 20 anos ainda rodarão sobre esta discussão antes de nova geração poder desenvolver os novos mecanismos cognitivos socialmente. Isto significa que teremos os filhos desta geração que receberá o kit para discutir sendo capacitados para compreender estas diferenças e como lidar com elas sem se sentir retirado de suas identidades pessoais.

Hoje não existe outra forma melhor de abordar a questão do preconceito contra homossexualidade. O kit servirá para os alunos e professores. O trabalho individualizado com os pais ao longo de muitos meses seria um caminho, equivalente à psicoterapia, mas é inviável num país de quase duzentos milhões de pessoas…

O kit proposto trará novas explicações sobre o mundo, e isto é equivalente a regras para crianças, púberes e adolescentes. Ao longo do tempo esta forma de compreender o mundo permitirá superar modelos de relacionamento interpessoal que hoje se apresentam de modo hostil entre os adolescentes e produzem mais problemas nas escolas.

Se os adultos podem mostrar que estas formas são normais, são variações possíveis, o adolescente tem no que se basear para não sentir-se mal com a identificação que ele faz de si mesmo e do outro. A proposta do kit implica em reconhecimento de direito, ao contrário do que um adolescente que produz o bullying, que acredita que existe alguém que será superior, desde que se imponha com a força.

Primeiramente os professores precisarão ser capacitados para o uso do kit. Aqui teremos um passo muito importante, pois os conflitos surgirão e os professores precisarão administrar consigo mesmos estes conflitos. Então será a vez de poderem assistir aos alunos com as mesmas discussões que eles mesmo enfrentaram internamente. Os pais também precisam ter acesso a estas informações para aprenderem a administrar estas mesmas questões.

Ainda precisamos de uma maior abrangência desta discussão sobre como podemos conviver com o diferente e sem se sentir destituído da própria identidade pessoal. Sempre precisamos dos grupos para trazer-nos satisfações de pertencer, poder identificar-nos com outros. A crença de que existem apenas dois grupos de pessoas: homens e mulheres, produz uma série de consequências. Uma delas será a obrigatoriedade de nos colocar em um dos grupos e seguir as regras associadas a esta classificação. O mundo sempre teve na história exemplos assim. Primeiramente os que eram diferentes eram chamados de bárbaros, e com eles se podia fazer qualquer coisa, em especial escravizá-los. Tivemos o tempo em que acreditar em outro deus era uma heresia, e justificávamo-nos por queimá-los vivos… então vieram épocas em que os de outra nacionalidade específica eram os errados, e podíamos matá-los, incluindo tortura-los antes… e sempre existe alguém que é diferente… e justificamos que por assim o serem, devemos sobrepor-nos a eles de alguma forma.

Virá a época em que, ao menos um grupo de pessoas conseguirá conviver com o diferente e mostrar esse nova caminho. Este é um momento em que estamos produzindo uma forma racional, mediada pela ciência e não apenas pela moral.

Fonte: Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr. (CRP 06/20610), psicoterapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade (www.inpasex.com.br); organizador do livro “Aprimorando a Saúde Sexual” (Summus Ed). Instituto Paulista de Sexualidade: Clinica de Psicologia em Sexualidade. Diretor e psicoterapeuta sexual Rua Atalaia, 195 – Perdizes 01251-050 – São Paulo – SP Brasil

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Sobre Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psychologist and sex and couple´s therapist at Instituto Paulista de Sexualidade www.inpasex.com.br Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual e decasais do Instituto Paulista de Sexualidade www.oswrod.psc.br
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