De PA’s e “fuck friends”


De PA’s e “fuck friends”
Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr. - ABEIS / InPaSex / ALAMOC


Tem circulado nos meios femininos, nos últimos poucos anos, uma expressão curiosa em português: “Pau amigo” ou “Pinto Amigo”. Para não ser tão aparente e chulo, a expressão foi abreviada para P.A., e assim referida nos grupos de mulheres nas baladas, festas e reuniões.
A expressão tem sido usada por mulheres de várias faixas etárias, que sem relacionamentos fixos, buscam ter homens em quem confiam para um relacionamento sexual esporádico que não a atrapalhe em suas buscas de um namorado. A expressão existe há perto de dez anos, porém não apareceu tanto que seja facilmente reconhecida em regiões diferentes.
A expressão considerada não chula é o “relacionamento sexual casual”, que descreve o relacionamento físico e emocional entre duas pessoas que pode envolver o coito ou apenas preliminares, sem, necessariamente, exigir um relacionamento romântico formal como finalidade da aproximação. Em muitas situações de “ficar” estas condições se assemelham, exceto que o ficar refere-se mais aos beijos e amassos iniciais, não conduzindo a sexo coital na maioria das vezes. Há algumas décadas o termo comum era o amigo colorido, a amizade colorida: não havia compromisso nenhum, e os participantes achavam ótimo. Outros termos que têm sido usados em situações e épocas distintas: “ficante”, “romance”, “caso”, “amigo delivery”, “homem delivery”, Disk-Sexo;
Em inglês temos as variações de expressões: “Fuck Friend” ou “FF”, “friends that fuck” (“FTF”), “pals with privileges”, “cut friends”, “extended hookup”, um “fling”, “friends with extras”, “friends with benefits”, “friends with privileges”, “bene-friends”, “sex/fuck buddies”, “Booty Call”, “Fuck Buddy” e “sexualized friendship”.
Difere-se de um sexo casual de uma noite apenas, pois a percepção dos dois envolvidos é de que poderão ter sexo outra vez sem se sentirem constrangidos a exibirem um compromisso social.
Comportamentos semelhantes tem sido ocupação da psicologia há algumas décadas, a exemplo do artigo: Chara PJ, Kuennen LM (February 1994). “Diverging gender attitudes regarding causal sex: a cross-sectional study”. Psychol Rep 74 (1): 57–8[1].
Os relacionamentos casuais do estilo PA podem ser limitados no tempo e podem ser monogâmicos ou poligâmicos. Os objetivos hedonísticos conduzem o relacionamento e são voluntariamente limitados pelos envolvidos e com a percepção de que os contatos somente existirão até quando ambos desejarem. Não existem intenções de satisfazer necessidades românticas ou emocionais outras que não as sexuais imediatas.
As motivações variam e são diferentes da busca de um contato sexual único, a exemplo de usar prostituição. O PA também fornece apoio e suporte mútuo imediato. Não é um relacionamento em que se propõe que o homem seja um objeto sexual, embora muitos assim se sintam quando pretendem ter um relacionamento de longo prazo. A relação com o PA é uma relação de interesses comuns. Ambos compreendem estarem juntos pela carência e solidão, e que podem satisfazer-se sexualmente com segurança.
Esta é uma circunstância na qual uma mulher solteira e totalmente avulsa, tem um par fixo só para fazer sexo: por isso “pau amigo”. Ele é, geralmente, alguém com quem a mulher tem amizade, “que rola uma química”, e a mulher até sente um carinho muito forte, mas não o suficiente para que ele saia do seu posto de PA e torne-se namorado. Com o PA todas as regras para o relacionamento sexual são claras, principalmente porque o relacionamento baseia-se em amizade e respeito mútuo.
A atitude de usar uma situação específica para um contato sexual é historicamente uma atitude masculina. Nas últimas décadas, mais mulheres tem desenvolvido características que eram quase exclusivamente masculinas nas gerações anteriores. Desta forma temos mulheres que compreendem que podem viver num mundo fazendo coisas que seus pais diziam ser apenas ações de homens.
Esta assimilação de atitudes anteriormente masculinas é que permite que uma mulher reconheça-se no direito de buscar satisfação sexual sem compromissos para um relacionamento de longo prazo.
Isto não significa que elas sejam masculinas, nem masculinizadas.
Isto significa que, na cultura ocidental, existe um movimento de interseção emocional comum maior para homens e mulheres, que tem mesclado estas características em benefício de maior satisfação e facilitando solução de necessidades variadas, uma delas as sexuais.
Uma pessoa considerada amiga envolve confiança e a percepção de que se algo de errado ocorrer será mais fácil administrar a situação.
Por isso, numa determinada noite, dar vazão às necessidades sexuais com um amigo, será muito mais seguro do que arriscar-se com um desconhecido que se encontra na balada.
A balada pode servir para estimular os sentidos e desperta o desejo sexual.
O amigo permitirá um sexo seguro através do qual as limitações mútuas são compreendidas e seguidas sem riscos de violência, usando preservativos sem precisar discutir razões, com confiança mútua, e provavelmente com mais comunicação efetiva sobre as necessidades mútuas do que com alguém que apenas esbarramos na balada.
Com um amigo com quem se pode fazer sexo com certa freqüência, a mulher pode evitar o sexo casual com desconhecidos, o que traria maior desconfiança ou produziria problemas de várias formas (desde DSTs a gravidez não planejada).
Sim, mulheres tendem a precisar mais destes mecanismos de conforto e confiança, mas que é muito útil e atrativo para homens também.
Para os homens o sexo puramente casual sempre foi concebido como viável e satisfatório. O crescimento da existência dos PA vem de encontro com as necessidades mais femininas e facilita aos homens a busca de satisfação sexual sem compromissos de longo prazo.
A motivação básica é direta e simplesmente o prazer sexual sem que exista a necessidade de compromisso.
Uma motivação intermediária é o fato da confiança em um amigo, diferentemente de um desconhecido.
Algumas mulheres buscam um PA depois de um último relacionamento ter sido verdadeiro fiasco e ela sentir que tem que fugir do amor e da paixão, e que tem um belo amigo à disposição para um relacionamento íntimo e discreto nos momentos de carência.
Mulheres apontam vantagens para manterem um P.A.:
• Sexo a hora que você quiser;
• Abaixo ciúmes: apesar de haver alguém que sacie seu prazer, você não vai sofrer deste sentimento menor e tampouco ser obrigada a dar satisfações de onde vai e, especialmente, com quem;
• Discutir relação é algo fora do processo evolutivo desta relação
• A rotina não vai precisar ser alterada para agradar ao parceiro, pelo simples fato de não haver parceiro amoroso e sim, sexual;
• Não precisa muita frescura depois do sexo. O amigo sempre vai embora e você pode ficar à vontade na cama;
• É um relacionamento, onde pode haver 100% de sinceridade;
• O P.A. a livra de se submeter a ligar para o seu ex ou paquera por quem você está caindo de quatro;
• A sua auto-estima vai às alturas;
• O descompromisso estimula o sexo, por não haver cobrança;

As trocas de informações entre praticantes conduziu a um decálogo, as 10 regras do desapego para não confundir as possibilidades[2]:
1) Jamais deseje namorar seu “amigo delivery”. Fuja das discussões de relacionamento. Seja clara quanto ao seu real objetivo: O PRAZER.
2) O melhor P.A. é aquele que não se enquadra dentro do seu perfil ideal para namoro, assim o risco de se apaixonar é quase nulo. O cara deve apenas ser moderno e mente aberta, caso contrário pode acreditar que está a usando a ponto de convencê-la disto.
3) Jamais ligue no dia seguinte. Isto é coisa de quem deseja demonstrar interesse. Nesta relação, sinceridade é primordial e se você estiver se apaixonando caia fora ou assuma as conseqüências dos fatos.
4) Se o objetivo da relação é sexo e prazer, não caia na tentação de criar laços e, portanto, nada de mensagens amistosas. A função delas é marcar encontro para praticar o sexo e nada mais, aliás, é totalmente recomendável intervalo de 7 a 15 dias para um merecido reencontro.
7) Não desperdice sextas e sábados à noite com ele, a menos que saia para saciar o seu prazer sexual.
8 ) Evitem fazer programinhas de casais. O ideal é que só saiam para programas de fim sexual.
9) Não apresente o cara para sua família, porque se curtirem vão forçar para vocês engatarem algo sério. Discrição é tudo, portanto, as saídas estratégicas só dizem respeito a vocês dois.
10) Proteja-se: camisinha e pílula sempre às mãos.
Com o P.A. a mulher evite fazer programinhas de casais. Se vocês começam a sair muito a dois pode inicia-se um relacionamento a dois e com testemunhas. Sair com o P.A. será apenas para sexo. Quando existe a intenção de ficar com o P.A. ao final da noite, a saída tem sido chamarem vários amigos para evitar a percepção de compromisso. Assim também evitam sair em dias considerados de namoro, como a sexta à noite, e em especial o sábado de noite! Afinal, encontros de sábados à noite são oficialmente para namorados!
Assim finalizamos a definição do PA: sexo e alguém de confiança com quem se pode conversar coisas importantes, a exemplo das dificuldades e problemas emocionais e dos relacionamentos falhos.
E por que um PA não se torna namorado? Nem sempre uma pessoa com que o sexo é muito bom pode ser vista como candidata para um relacionamento de longo prazo. Existem outros quesitos que alguém exigirá para estabelecer um namoro. Porém, será mais provável que o PA tenha mais características de um marido possível do que muitos namorados que esta mulher venha a ter. Aparentemente muitas mulheres procuram o padrão de “cafajeste domesticado” (ou pretendem domesticar um cafajeste) e acabam estabelecendo um casamento com um “bom moço”. O PA é um bom moço em quem esta mulher confia… mas como estabeleceu um relacionamento que ambos não consideram ter finalidade de casamento, não terminará num relacionamento de longo prazo!
E ainda dizem várias mulheres: “Mais vale um PA na mão, do que vários voando”…

[1] . PMID 8153236. “Abstract: Students at five educational levels ranging from seventh graders to college seniors were surveyed regarding their attitudes about the acceptability of casual sex. A striking developmental contrast was found: males became increasingly accepting of casual sex; females were consistently opposed to casual sex at all educational levels’.”

http://abeis.org.br/artigos/52-de-pas-e-fuck-friends.html

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Sobre Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psychologist and sex and couple´s therapist at Instituto Paulista de Sexualidade www.inpasex.com.br Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual e decasais do Instituto Paulista de Sexualidade www.oswrod.psc.br
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