O que é chamado de “narcisismo sexual”


Oswaldo M. Rodrigues Jr.
Psicólogo (CRP06/20610)
psicoterapeuta sexual e de casais
Instituto Paulista de Sexualidade – InPaSex
http://www.inpasex.com.br

Este é um termo que alguns profissionais de saúde mental preferem chamar de narcisistas perversos. São pessoas que tem uma combinação com o comportamento sexual de dependência.
Existem algumas razões para considerar estas pessoas como narcisistas sexuais e até algumas maneiras de se saber se você vive com uma destas.
O que se denomina narcisista sexual é uma pessoa que não sabe se relacionar e manter intimidades com as parcerias. Eles não conhecem outra maneira de se relacionar. Eles não compreendem isso e não entendem que poderiam ser diferentes ou que as pessoas com quem convivem tem outras necessidades, diferentes das dele. Sendo assim, eles machucam emocionalmente as pessoas com quem convivem.
O narcisista usa de sedução e manipulação, com o poder que tem explora as parcerias, e as trata como objetos para a satisfação pessoal.
O narcisista derrama no outro suas coisas ruins por ser impossível conviver com estas ideias e pensamentos.
Falta-lhes empatia, compaixão e uma compreensão sobre os outros e sobre si mesmo. Assim ignoram completamente os sentimentos da outra pessoa, e tomam para si, no relacionamento, o que querem para satisfazerem-se, entendendo que podem fazê-lo.
No ato sexual eles se sobrepõe à parceria, coagindo-a para fazer sexo nos momentos que ela não gostaria de fazê-lo. A coação se faz por imposição e jogos de palavras que lhe dão a sensação desse direito, e assim será a outra pessoa submetida.
A parceira é percebida em débito com ele, portanto ele entende que ela fará o que ele quer. E sob coação, ela efetivamente fará, mesmo que não perceba que determinados atos lhe sirvam ou estejam de acordo com seus padrões morais.
O narcisista não tem muitos limites, assim forçará a parceira a atos que ela não precisa, mas ele manipulará, intimidará, seduzirá… um dos métodos será uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade. Estas manipulações são feitas em direção ao desejado, usando o mentir para chegar ao que querem.
Durante o sexo o narcisista não está conectado emocionalmente com a outra pessoa, não lhes importando se elas estão tirando prazer do ato a dois. Afinal, para ele, o que ocorre, é um direito adquirido, ele só está tirando o prazer que lhe é devido pela parceria.
Alguns narcisistas sentem um prazer extra pela parceria não estar obtendo este prazer no contato a dois. Se ela disser que lhe faltou algo, que algo não estava bem, o jogo será virado com ataques e agressões defensivas pelo narcisista, tornando-se vítima da situação. Assim faz a parceria sentir-se culpada. Argumentos simples serão sempre usados com frases do tipo “mas você não me parou”, “você nunca quis fazer sexo, você não tinha vontade, e se você me falasse, eu iria fazer outra coisa”. Claro que uma forma de forçar será sempre perguntar “Você gostou, não foi?” ou reforçando a situação “você sabe que me excita fazer sexo mesmo quando não está a fim”.
Essa falta de interação e apatia pode trazer problemas sexuais de excitação (dificuldades eréteis nos homens e falta de lubrificação vaginal nas mulheres). Assim o narcisista precisa e um ato sexual que os tire da chatice que vivem, seja estimulante, precisam de sobre estimulação erótica. Isso facilita que tenha mais e mais atividades sexuais pervertidas e que não são consideradas comuns ou morais. O uso de pornografia é comum facilitando a busca de novas formas de excitar-se. A busca leva a extremos que chegam ao estupro, o assalto sexual, fetiches de todos os tipos, perversões e explorações de pessoas rebaixando a objetos.
Eles têm grande prazer vendo a parceria fazer algo que ela não quer, apenas para ele ter prazer. Mostrar que tem prazer em tirar algo da outra pessoa e mostrar como ele conseguiu e o quanto poderoso ele é.
E o que podemos olhar para saber se acontece ao nosso redor?
1 – Eles querem sexo de você todos os dias, muitas vezes mais, fazendo você sentir-se culpada por não querer sexo;
2 – Assistem bastante pornô e se masturbam frequentemente;
3 – Você se sente objetificada por ele – algumas vezes implica em ser apalpada nas nádegas quando você está lavando pratos, falar sobre outras mulheres de modo a serem inferiores a homens, sem considerar as necessidades sexuais ou sentimento;
4 – Eles ignoram você ou se diz não para o sexo eles continuam a tentar o sexo.
5 – Não se sentir sexualmente segura ou com intimidade ao lado dele, parecendo uma obrigação;
6 – Se você estiver confortável com a situação sexual proposta, ele a fará sentir-se estúpida, envergonhada e desapontada se algo for diferente do que ele quer;
7 – Eles procuram dominação no sexo, papéis que envolvem fantasias de estupro, brincadeiras nas quais a parceira é uma adolescente, não questionar ou mostrar-se importar-se com o que sente durante a atividade sexual…
8 – Quer fotografar e fazer vídeos para assistir depois…

Estes são sinais em sua parceria sexual que podem significar que precisa de ajuda de um psicoterapeuta para debater e compreender o que lhe acontece neste setor de sua vida.
Assim foram construídas relações que hoje chamamos de tóxicas, onde existe medo da outra pessoa, impossibilidade de mostrar seus valores morais e limites, sentir-se respeitada enquanto pessoa no que quer ou pode querer. A psicoterapia auxiliará a libertar-se, desenvolver mecanismos de como enfrentar esta situação e mesmo como sair dela.

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A psicoterapia funciona?


Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psicólogo (CRP06/20610)

psicoterapeuta sexual e de casais

Instituto Paulista de Sexualidade – InPaSex

www.inpasex.com.br

 

Sou psicoterapeuta há mais de 30 anos. Atendo no consultório de 20 a 50 horas por semana desde iniciei a carreira na psicologia clínica. Com o trabalho aprendei algumas coisas, mas o que quero apresentar aprendi já nos primeiros anos e foi muito importante para minha profissão e os que me buscaram.

Mas já ia partindo do princípio que todos sabem o que é a psicoterapia…

Mas acho melhor explicar, mesmo que rapidinho ou parcialmente.

A psicoterapia é uma forma de tratamento que tem como fundamento a psicologia e se destina a solucionar ou modificar comportamentos que fazem a pessoa sofrer. Os chamados problemas psicológicos são tratados ela psicoterapia. O tratamento e faz através do conversar, com questionamentos e orientações, algumas vezes contém o aconselhamento, mas não damos conselhos. É um processo de aprendizagem de novos caminhos para enfrentar problemas antigos da pessoa, ajudá-la a ter outras formas de enfrentar o problema, resolvê-lo ou superá-lo, deixando de sofrer e tendo forças para desenvolver outras questões na vida, algo mais produtivo do que sofrer com o problema anterior.

Então, a pergunta é se a psicoterapia funciona…

Este é um questionamento importante eu todos devem ter e fazer, inclusive nós psicoterapeuta fazemos e com razão e necessidade.

Existem candidatos a tratamentos psicoterápicos que se adequam ao tratamento psicoterápico, e outros… não.

Um psicoterapeuta com um par de anos de atuação aprende distinguir, saberá em quem apostar, em quem se dedicar para auxiliar a vencer os problemas que trazem esta pessoa em busca de ajuda.

Há 30 anos tive dois pacientes emblemáticos. Auxiliaram muito reconhecer estas diferenças.

Numa tarde de sexta-feira, nos primeiros anos dos 1990, vem para uma primeira consulta um homem de quase 50 anos de idade, chegando numa Mercedes classe E, com motorista uniformizado (!). Era uma época sui generis economicamente no Brasil, pois tínhamos o hábito de dolarizar as consultas para proteção contra a inflação alta que vivíamos (chegara a 80% ao mês). Este homem explica o problema que vivia, uma dificuldade erétil, incapacidade de relacionar-se sexualmente. Havia passado por médicos que afirmaram que ela não tinha nada físico para ser tratado e precisa de psicoterapia, para poder retomar um caminho de comportamento sexual satisfatório. Iniciei a propor o contrato de psicoterapia que deveria ser de uma sessão semanal, cada uma com 50 minutos de duração, que preferia que ele viesse com a parceira sexual, e que cobrava o equivalente a U$300.oo a sessão. Neste momento ele me afirma considerava muito caro o valor de consulta… ele que tinha três fábricas, e claro administrava as fábricas, usava o dia ao redor destas atividades. Disse que podíamos conversar sobre os valores na sequência. Assim passei ao próximo item, dias e horários. Sempre tive consultório bem ocupado, e nestas épocas atendia, nas sextas-feiras, desde 08 da manhã até as 21 (já fora piada em sala de professores na faculdade onde lecionava: “só uma hora, das 8 às 9h?”). Afirmei que teria as sextas-feiras às 15h para oferecer para iniciarmos o tratamento. O candidato a paciente disparou rapidamente impondo-se que horário para ele somente antes das oito da manhã, ou depois das oito da noite, afinal, “como ele poderia sair do escritório toda semana no meio da tarde, o que os funcionários dele iriam falar?”… respirando fundo, entreguei meu cartão de visitas a ele, confirmando o horário disponível e o valor por sessão, afirmando que compreendia que se ele desejasse iniciar a psicoterapia na semana seguinte, eu aguardaria que me comunicasse até a segunda-feira à tarde, caso contrário eu disponibilizaria o horário a outra pessoa que considerasse que era o momento de vida de produzir mudanças. Por dentro eu pedia que ele não me telefonasse, pois parecia o tipo de candidato a paciente que poderia vir quatro ou cinco sessões, se eu aceitasse as condições dele, diminuísse o valor de consultas, visse mais cedo… e ele abandonaria o tratamento, e ainda consideraria que tentara e a falha não era dele…

Outro ícone nestas discussões mostrou o tipo de pessoa que poderia eu ajudar.

Era uma terça-feira à tarde, também no início dos anos 1990. Um rapaz de 21 anos de idade, vindo de área rural do noroeste do Paraná morar com um tio em Diadema (era uma cidade com os menores índices de qualidade de vida na grande São Paulo à época), e trabalhava numa oficina mecânica recebendo uma percentagem dos serviços que produzia. Visível era a graxa sob as unhas, mesmo que estivesse bem vestido, e limpo. Também trazendo a dificuldade de ter e manter ereções penianas que permitissem uma relação sexual com penetração. Iniciei os passos de contrato. Ele poderia vir semanalmente, sim, e isto significava pegar um trem e cainhar um par de quilômetros até o consultório… Valores, ele não poderia pagar o que eu cobrava, mas fez uma proposta equivalente a 30% do que normalmente fazia mensalmente para as quatro sessões mensais… um terço do valor de consultas para as quatro sessões… e neste momento conta que havia procurado uma psicóloga na cidade em que morava e havia proposta este valor e ela aceitara… Opa… ele já havia contatado psicoterapia. Neste caso, disse a ele que eu não poderia aceita-lo enquanto cliente se ele já se encontrava sob acordo para um tratamento semelhante com uma colega, propondo que ele pensasse a respeito, e que se ele considerasse que eu deveria ser o psicoterapeuta escolhido, antes ele desfizesse o acordo com a outra psicóloga e nós voltaríamos a conversar. Dois dias depois ele telefona para contar que havia se decidido por mim e que já havia desfeito o acordo com a colega, mas o dono da oficina fechou o negócio e ele estava sem trabalho por enquanto, mas sabia que logo conseguiria outro e que quando isso ocorresse ele poderia vir para o tratamento, questionando se eu aceitaria. Demonstrava um esforço e organização em prol dos objetivos… Concordei. E assim se passou o restante do mês de março daquele ano… e mais alguns meses, quando na segunda metade de junho recebo um telefonema intrigante, interessante… a produtora do programa “A porta da esperança”. Este programa de televisão se iniciara em 1984 e realizava sonhos e necessidades de pessoas que não podiam pagar pelo que precisava. A produtora explicou que receberam a carta de um jovem com impotência sexual que pedia um tratamento gratuito comigo, e propunha um negócio: eu teria 20 minutos para divulgar meu trabalho, durante o programa de maior audiência na TV naquela época, poderia ser ao vivo, mas eu poderia ter esta participação gravada em meu consultório, se assim o desejasse. Os de minutos restantes do quadro ficariam com o condutor do programa e o rapaz que contaria o problema dele em púbico… o quê? Complicado isso de expor a alguém que confiava em mim… eu não estaria cometendo nenhum erro ético, eu não promovia a exposição dele… diretamente… mas não podia concordar com o que ocorreria, sabendo também que seria contraproducente esta exposição. Estava entre sessões quando esta jornalista me telefonara, então pedi seu número e que depois falaríamos, mas naquela hora tinha que atender o paciente do horário que já aguardava. Precisava de tempo para ponderar… no dia seguinte, a quinta-feira, de manhã, telefonei ao rapaz. Mal tive tempo de explicar a razão pela qual eu ligava, e ele já falava de modo alegre que havia começado a trabalhar naquela semana e que poderia fazer o tratamento, perguntando se eu aceitava o valor que havíamos falado havia três meses (lembremo-nos que em três meses a inflação teria comido substancialmente o valor de compra do que era proposto…). Aceitando, expliquei o ocorrido, contando que eu já decidira que o atenderia gratuitamente caso ele pudesse vir para as sessões. Mas ele propunha pagar pelo trabalho. E veio semanalmente e em seis meses estava sexualmente ativo e satisfeito.

Isso me mostrava que não era o que pagava, mas o que se esforçava em seguir a psicoterapia que teria sucesso.

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Este era um princípio que sempre insistiam na faculdade de psicologia: a psicoterapia somente funciona para quem a aceita e para quem se envolve no tratamento. Mas semrpe será nossa vivência cotidiana que mostrará, pela prova da realidade, os caminhos corretos e úteis.

Assim, se alguém me procura no consultório já duvidando do tratamento… sei que não posso ajudar. Se alguém não se coloca disponível e investe no tratamento psicoterápico, não lucrará com ele.

E isso ainda segue algumas outras regras que sempre serão necessárias para o desenvolvimento e aproveitamento do processo psicoterápico. Outro exemplo negativo é o paciente que vem alcoolizado (mesmo com uma dose de álcool) ou sob efeito de maconha. Nestes casos o processo de modificações, de memória, de aprendizado são afetados e não faremos bom uso das sessões… e as semanas se arrastarão. E tente dizer isso como regra no primeiro dia, durante o contrato… seguramente não seremos levados a sério, pois estas pessoas sob efeito de substâncias têm a “certeza” de que sabem mais e que isso nunca seria um empecilho ao tratamento…

Assim tive que aprender que quem chega ao consultório falando que a terapia não funciona… esse alguém tem razão… com ele nunca funcionará, pois ele barrará qualquer e toda possibilidade de modificação ou direcionamento que implique nestas mudanças.

Sei que a psicoterapia auxilia a mudanças de comportamentos, atitudes, interação social em prol de melhoria de qualidade de vida… mas para quem esteja disponível a mudar.

Aos incrédulos, aos que não tem condições de aceitar algumas realidades, nada que façamos será útil. Nada, mesmo que saibamos que é o caminho da verdade. Se fizermos a demonstração caminhando sobre a água, na frente destas pessoas, elas terão outras compreensões, e olharão para o que lhe aprouver e que confirmem suas compreensões destrutivas de vida, até falarão: mas esse sujeito nem consegue nadar…”

Assim ao procurarmos psicoterapia, somos quem vai definir se faremos o tratamento, pois o psicoterapeuta já saberá no primeiro momento se temos chances de usar esta forma científica e baseada na vida humana. Funcionar… claro que funciona, mas será necessário permitir que o caminho seja seguido.

 

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Diferenças na motivação de homens e mulheres


Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.
InPaSex – Instituto Paulista de Sexualidade
ww.inpasex.com.br

Este é um assunto muito comum nas clínicas de sexologia ou de psicoterapia de casais.
No mundo ocidental já houve época em que representantes profissionais da saúde acreditavam que homens deveriam ter mais desejo sexual que as mulheres por produzirem hormônios sexuais em maior quantidade. Mas isso já foi na década de 1950, embora ainda encontremos alguns profissionais de saúde que emitem esta inverídica opinião com certa constância.
Pesquisas populacionais desde a década de 1930 demonstram que a verdade não é bem assim em termos absolutos, mas ainda é uma verdade relativa em nossas culturas.
Regras sociais transmitidas através de dezenas de gerações e aprendidas individualmente separam homens e mulheres por suas identidades sociais. Para se perceberem homens, temos que demonstrar mais desejo sexual que as mulheres, as quais aprendem a suprimir as expressões de sexo para manterem a auto percepção de serem mulheres.
A sexualidade aflorada é uma forma social de expressão que configura as identidades sociais dos gêneros.
Biologicamente não há razão para a distinção, o que é demonstrado por casais onde existem mulheres que se dedicam mais ao sexo que os homens. Mas isso não é apresentado publicamente…
Mulheres que se mostram mais expressivas sexualmente são desmoralizadas na tentativa de se impedir que se mantenham sexualmente expressivas.
Outra forma de se buscar desmoralizar uma mulher sexualizada é a classificação de prostituta, confirmando ela estar disponível para o sexo, e mesmo sendo mulher, não ser mantida na mesma classe das mulheres “direitas”.
Uma forma de efetivar controle social sobre mulheres e a expressão sexual é a de produzir mulheres que “atendam as necessidades sexuais de seus parceiros”.
Necessidade de atender aos parceiros é uma forma socialmente aprendida de, mesmo não tendo prazeres sexuais implícitos, isto é, orgasmos, as mulheres obterem prazeres secundários, “atendendo” à necessidade do outro.
As mulheres são ensinadas por suas mães e pais a serem sexualmente submissas, e mesmo não aprendendo a extrair prazer sexual, dedicar-se ao prazer do outro para manter-se nos relacionamentos conjugais.
Assim temos grande quantidade de mulheres eu são anorgásmicas, não sabem ter orgasmos. Muitas ainda creem que seus parceiros é que são responsáveis pelo seu prazer… afinal, creem, eles é que sabem fazer sexo, portanto tem responsabilidades…
Não há como driblar algo que não se compreende e não se tem alternativas.
Muitos relacionamentos conjugais são baseados em poder econômico, e sob este a dedicação ao prazer sexual do outro é mantida.
Modificar atitudes contrárias às expectativas sociais é uma revolução que se tem que fazer sem hostilizar o mundo que as exige. Aqui entra o processo psicoterápico que permite o conhecer-se, a desenvolver qualidades e habilidades para se encontrar os caminhos necessários para a expressão sexual satisfatória e não dependente emocionalmente do outro, mantendo-se num relacionamento baseado em confiança, com afetos.
A maior parte dos casais em consultório trazem estas questões de diferenças de quantidade de frequência sexual, além das formas de expressão da sexualidade.
Mesmo assim, a maioria apenas convive com estas diferenças, submetendo-se sem discutir se poderia haver algo diferente para o futuro.
Nunca existem dicas quando nos referimos a expressões individuais.
Dicas apenas formatam grupos para que os indivíduos se pareçam iguais, mesmo não o sendo.
Compreender-se e às possibilidades humanas é o caminho, mas esta compreensão implica em correr os riscos de mudanças pessoais sem depender do outro. Conhecer estas variáveis não pertence ao aprendizado social, mas ao individual. Muitos somente conseguem estes caminhos por ensaios e erros constantes, e este não é um caminho facilmente suportado, exceto sob orientação num processo que pode ser experimentado na psicoterapia com foco na sexualidade.

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Os casamentos servem sem sexo?


Oswaldo M. Rodrigues Jr.
Psicoterapeuta sexual e de casais
InPaSex – Instituto Paulista de Sexualidade
http://www.inpasex.com.br
ALTSexPa – Associação Latino-americana de Terapia Sexual e de Casais
ALAMOC – Associação Latino-americana de Análise e Modificação do Comportamento e Terapia Cognitivo-Comportamental


Primeiramente vamos pensar bem sobre o que é um casamento.
Nas tradições ocidentais, asseadas na história europeia, a união de um homem e uma mulher sempre teve um objetivo muito bem definido, inclusive através das principais religiões vigentes. Esta finalidade tem sido o ter filhos. Claro que em muitos momentos históricos esta necessidade se dava pela alta mortandade existente, desde a mortalidade infantil, às doenças e à guerra. Assim, quantos mais filhos nascessem, maior era a chance de ter sobreviventes úteis socialmente. Assim, a instituição de relacionamentos regulados pela sociedade, um casamento, deveria ter como produto os filhos.
Muitas culturas ainda são assim, e algumas valorizam basicamente o filho homem como reconhecimento de mão de obra produtiva financeira.
Mas um relacionamento a dois cada vez mais adquiriu outras funções nas vidas dos cônjuges.
Com a população mundial atingindo números nunca antes alcançados e com a produção de alimentos chegando a limites previstos desde o século XVIII, o discurso contra o excesso de nascimentos tem aparecido em muitos países no século XX, incluindo buscas de controle familiar, políticas de planejamento familiar… e em muitos países o resultado tem sido de redução do crescimento populacional.
Nestas circunstâncias outras finalidades se desenvolveram desde o fim do século XIX e se mostram importantes no século XXI.
Os relacionamentos conjugais passaram a ser valorizados pelo afeto entre os cônjuges, o amor. Algo de menor importância antes do século XIX, mas que ganhou enorme valorização no século XX como se houvesse sempre sido assim.
Os relacionamentos de casamento passaram a ser valorizados, primeiramente, pelo amor, mas ainda seguiam com a necessidade de reprodução. A Lei Brasileira valorizou este aspecto por todo o século XX, mas já referindo o casamento com uma função importante primordial de “conjunção carnal” e não diretamente reprodutiva.
Mas continuavam os casamentos religiosos católicos expressando que a finalidade da união era ter filhos. Mas já no final do século XX e início do XXI podemos estucar padres oficiando um casamento valorizando o relacionamento sexual, além do reprodutivo.
Assim o que temos é a função reprodutiva do sexo imposta socialmente há milênios, mas perdendo a força nos últimos 150 anos.
A valorização do casamento como o local social para a vivência de afetos e emoções, a exemplo do amor e das emoções sexuais passa a aparecer e receber valorização ideológica.
Casais passam a ter relacionamentos longos e sem filhos atualmente, sendo que há meros 20 ou 30 anos o que já se percebia era a diminuição do número de filhos se compararmos às décadas anteriores. E isto é mais visível nos grandes centros urbanos.
A valorização do casal como companheiros para viverem a vida, os prazeres, as diversões, aumenta de importância.
Claro que este modelo de casais também tem funções sociais outras, a exemplo de serem dois elementos produtivos que se dedicam a seus trabalhos, aumentando a produtividade de um grupo em que não existe a necessidade de aumento populacional.
Assim temos casais que podem ter no casamento o meio de trocas emocionais e afetivas. Estas trocas também podem ser através do sexo, também podem!
Então passamos a valorizar relacionamentos que não exigem o sexo como formas de trocas emocionais. Antes o sexo era a forma exigida para a reprodução. Atualmente nem o sexo é necessário para se ter filhos…
Então, casamento, união de duas pessoas pode ser também uma união homossexual, pois deixou de haver a exigência de se ter filhos. Isto reforça a compreensão de trocas afetivas e emocionais serem mais importantes, incluindo o uso do sexo.
O valor da troca emocional e afetiva por ser desenvolvida através de meios não sexuais, não genitais, mas que ainda podem ser sexuais. Afinal, o relacionamento sexual não se restringe, nunca foi restrito, a genital, à cópula.
Os novos modelos não são exatamente tão novos, mas passa a ser reconhecidos como possibilidades e iniciam a receber valorização positiva que deve crescer nas próximas décadas.
Então temos casamentos onde o sexo não é o primordial e isso tem aparecido nas últimas décadas chegando ao fenômeno da assexualidade.
Ainda existem preocupações de que sexo seja uma resposta ao amor, e que se o sexo diminuísse ou acabasse seria uma referência à diminuição ou fim do amor.
Amor é um elemento afetivo, algo mais complexo do que as emoções primárias, reativas, animais existentes no ser humano.
Emoções são as vivências que ocorrem durante o sexo, diferenciando-se dos afetos.
Os casais formados sempre valorizaram o sexo baseado no amor, mas cada vez mais se debateu a diferença entre as duas circunstâncias, e cada vez mais se reconhecendo o sexo sem a necessidade de afetos presentes, sem a necessidade do amor. Mas isso é algo que os homens já eram ensinados a viver e poder falar a respeito desde há muitas e muitas décadas.
O desejo sexual é um mecanismo interativo no casal. Estímulos físicos que se transformam e são percebidos como sexuais.
Casais que reconhecem a diminuição de atividades sexuais e de motivação para a busca destas atividades podem mudar esta situação.
Reencontrar os caminhos para as atividades sexuais é algo plenamente possível, mas que exige reorganizações que nem sempre os casais percebem que podem executar, o que os leva a procurar auxílio em psicoterapia de casais ou na psicoterapia sexual.
No Brasil ainda não é tão comum um casal buscar ajuda para superaram problemas que ocorreram exceto na iminência de separação.
A possibilidade de término de um casamento pode mobilizar a um ou ambos na busca de alternativas para retomada do casamento.
Compreender os limites momentâneos de um casal se recuperar sem ajuda num momento que compreendem estão vivendo sem atividades sexuais será o primeiro passo.
Se soubessem como fazer, já o teriam feito.
Reconhecer que se precisa de ajuda será um passo muito importante e o mais difícil de se tomar.
Os caminhos da psicoterapia de casais para superação de problemas sexuais sempre deverão ser positivos e prazerosos.
A psicoterapia focada na sexualidade auxiliará a cada um no casal a reconhecer as atividades que conduzem a sensações prazerosas e desenvolver coerência entre o que fazem, pensam e sente (tanto fisicamente quanto emocionalmente). Assim o caminho poderá ser muito prazeroso para o casal e a psicoterapia funciona para estes casais que se propõe a mudar e chegarem a um objetivo com essa ajuda psicológica.

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Mitos e verdades sobre a terapia sexual


Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.
InPaSex – Instituto Paulista de Sexualidade
http://www.inpasex.com.br


A terapia sexual, uma forma de psicoterapia, é aconselhada a casais que estejam enfrentando problemas no relacionamento sexual.
A psicoterapia é um método científico de tratamento que propicia mudanças de comportamento, de funcionamento no mundo e nos relacionamentos humano.
Há 30 anos eram mais mulheres que procuravam tratamento, geralmente reclamando que não conseguiam ter orgasmos nos relacionamentos sexuais, sentindo-se prejudicadas por não poder oferecer ao companheiro o que consideravam era necessário. Também a falta de mobilização para o relacionamento sexual trazia estas mulheres na busca de estarem adequadas ao homem que apresentava mais desejo de fazer sexo.
Atualmente existe uma quantidade de casais que passa a ser muito mais importante do que há 30 anos, trazendo a compreensão de que o casal tem uma dificuldade de relacionamento sexual.
Atualmente as mulheres tem as mesmas dificuldades que reclamavam há 30 anos, mas estão mais voltadas a buscarem soluções que as satisfaça, com este parceiro ou se não for com esse, seja com outro.
Homens continuam procurando solucionar dificuldade de desempenho, como ter e manter ereções penianas ou controlar a ejaculação voluntariamente, mas tem aumentado o número de homens que compreendem que o desejo sexual não está sob seu controle e querem desenvolver-se.
A psicoterapia focalizada na sexualidade pode auxiliar casais a se envolverem mais adequadamente, mais profundamente no relacionamento sexual e melhor a qualidade de vida dom casal. Mas foca em queixas mais corriqueiras e focais: dificuldades de ser penetrada e falta de motivações para o sexo, além de poderem ter prazer Orgásmico mais frequentes ou no relacionamento coital para as mulheres. Homens queixam-se de não controlarem o momento de ejacular ou de ter e manter o pênis rígido além de terem falta de desejo de sexo.
Um problema que traz casais ao consultório é a diferença de necessidade de frequência de relacionamentos sexuais. Outra questão é a forma de se obter prazer e satisfação sexuais em casais, onde entram as preferencias sexuais diferentes entre o dois. Além da adequação sexual a dois, permitindo satisfação, podemos ter algo mais extremo que são os comportamentos chamados de parafílicos, onde um dos dois aprendeu a obter prazer sexual de modo muito diferente do que comentamos na rua em nossa cultura, e a adequação do casal se torna mais difícil de se conseguir sem auxílio profissional encaminhando as superações.
Podemos ter sessões individuais, mas as sessões com o casal auxiliam de diversas formas.
Uma questão primordial é que a outra pessoa sempre será a maior interessada no desenvolvimento do comportamento sexual da parceria, e nada mais justo do que participar, colaborando, mas também apontando as direções que também lhe convenham.
Algumas pessoas precisam da psicoterapia individual, em paralelo. Seja por necessidade de desenvolverem qualidades que facilitem o relacionamento sexual, seja para superarem expressões e comportamentos que os impeçam ou dificultem o desempenho sexual por questões pessoais, mais do que interpessoais. Aprender a lidar com ansiedades, estados depressivos ou o estresse do trabalho, administrar formas de pensamento, auto regras, fantasmas do passado são questões individuais a serem trabalhadas.
Ensinar a transar direito é uma forma precária de se referir à Psicoterapia Sexual, mas é uma parte compreensível que nossos pacientes tem do processo.
Em verdade existem muitas formas de se “transar direito” e cada casal desenvolve uma forma específica que será a forma deles em transar direito.
Temos discursos sociais do que se tem ou deve fazer no sexo. Todos lemos e ouvimos e repetimos estes formatos, mas cada qual tem modos muito idiossincráticos de obter prazer sexual, e isto precisa ser considerado quando existem duas pessoas envolvidas. Geralmente a outra não aprendeu da mesma forma, desconhece os caminhos e isso traz problemas de casal.
O aprendizado sexual na psicoterapia não é um aprendizado pedagógico, mas psicológico. Isto implica que o casal que acabou de sair da sessão está fazendo um caminho diferente o casal que vai entrar no próximo horário. Mas os dois casais falarão que estão treinando como fazer o sexo adequado.
Isso às vezes confunde as pessoas que os médicos encaminham para a psicoterapia sexual, achando que terão “treinamento sexual” no consultório! E no consultório, nas sessões de psicoterapia falaremos, planejaremos, compreenderemos o que ocorreu e o que irá ocorrer para modificar os comportamentos e obter o sexo desejado.
Nenhum paciente ficará despido no consultório de terapia sexual.
Nenhum casal fará nada de sexo na frente do terapeuta, muito menos com o psicoterapeuta!
O psicólogo não fará exames físicos. Sendo necessário, o psicoterapeuta encaminha o paciente a um ginecologista ou um urologista que procederá aos exames físicos.
O terapeuta não toca os pacientes fisicamente. Não há razão técnicas, prática, nem teórica, além de ser ilegal e não profissional fazê-lo.
Um psicoterapeuta sexual pratica a psicoterapia.
No Brasil a psicoterapia é o instrumento profissional maior do psicólogo, e por extensão legal de médicos que tenham estudado para praticar a psicoterapia. Nenhuma outra formação acadêmica é legalizada no Brasil para fazer psicoterapia.
Esta é uma questão que também depende do psicoterapeuta…
Em meu consultório, a maioria dos casais se mantém juntos. E o fazem por descobrirem novas formas satisfatórias de entrosamento a dois, além do sexual, coital.
Esta é uma pergunta bem difícil de se responder, pois pessoas diferentes tem necessidades e caminhos diferentes.
Os problemas sexuais mais simples, que não envolvam questões de desejo sexual, podem ser superados em 75% dos casos em prazos de 6 a 8 meses (estatística do InPaSex).
Mas sempre dependemos de outras questões, a exemplo de se houver um estado depressivo que exigirá ser trabalhando antes de se iniciar a fase dirigida a sexo (e preferencialmente sem medicamentos, pois estes interferem com o desempenho sexual de modo negativo para a maioria dos pacientes)
Os relacionamentos produzem os problemas sexuais!
Um problema sexual não separa um casal, a não ser que um dois já tenha planejado o caminho da separação e usará a justificativa, a desculpa para a separação.
Problemas sexuais sempre podem ser superados.
Problema sexuais são dos mais fáceis de serem solucionados em psicoterapia.
Os resultados mais certeiros são o de superação do problema, modificação dos comportamentos que geravam as dificuldades.
Afinal, além de evitar o desprazer, encontramos prazer e satisfações com os resultados da terapia! O prazer sexual é a grande motivação e o grande objetivo!
Se sente que tem um problema sexual, consultar-se com um psicoterapeuta que conheça os caminhos em ajudar será o inicio da solução!
Na primeira consulta, sentiu-se bem? Vá em frente, sigas as orientações e o processo de psicoterapia seguirá um caminho que lhe convém!

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Carnaval é mais sexual?


Há milênios a cultura europeia se utiliza desta época para festas religiosas de cunho sexual em vistas a reprodução, algo importante há 2-3 mil anos. Os grupos sociais desenvolveram formas de facilitar a reprodução, valorizando as emoções associadas ao sexo através destas festividades.
Mesmo com o cristianismo, estas festas continuavam, portanto novo significado foi criado mantendo as festividades, incluindo a quaresma na sequência como forma de penitência para o que se havia feito durante o carnaval.
Desde crianças aprendemos estes significados e a espera da semana de carnaval, criando expectativas de como será, facilita este mecanismo de euforia crescente que se produz, diariamente até os dias de festas.
Uma regra social que muitos seguem! Porém, nem todos.
Claro que isso depende de um aprendizado socialmente produzido e de cada um de nós obter satisfações especiais com estas experiências desde a infância. O ambiente em que vivemos também tem que facilitar que estas vivências carnavalescas sejam valorizadas.
Assim ocorre com algumas pessoas.
O mecanismo de aprendizado de todas as coisas que vivemos também se aplica ao carnaval. Se temos vivências prazerosas com as folias de carnaval, tendemos a repetir, a cada ano aumentar a expectativa para que o prazer conhecido seja repetido. Este é p elemento motivador, buscar aquela sensação reconhecida como prazer.
Algo que sempre ouvimos e mesmo lemos em muitas médias, é de uma atividade sexual extravagante e que todos se envolvem,
Em verdade aumento de parcerias sexuais, isto é, com relacionamentos sexuais com coito, é algo que precisa ser verificado com a realidade. Não deve ser bem assim… nõ tanto quanto todos dizem ou acham que seja.
O que claramente existe é a vivência de emoções sem os controles do cotidiano, favorecendo euforia, alegrias.
Estas vivências são compartilhadas com o contato físico que não existe no cotidiano de trabalho. “Brincar” o carnaval num bloco de rua e esfregar-se em todos, ter o contato físico sem medos de se sentir abusado ou de estar sendo percebido como abusador gera a euforia de liberdade, facilitando estar com várias pessoas concomitantemente ou em sequencia, sem se importar com o estabelecimento de um relacionamento após.
Para algumas pessoas esta vivência é extremamente forte, a tal ponto dela sofrer por não viver isso o restante do ano, mesmo tentando contatos rápidos nos fins de semana. Pessoas que buscam estes padrões para os relacionamentos de longo prazo tendem a sobrevalorizar o carnaval, e tendem a desvalorizar os relacionamentos baseados em afetos de longo prazo.
A busca de satisfação imediata não é compatível com um namoro, um casamento, um compromisso.
Seja por aprender com o carnaval sentir e viver estas formas de expressão emocional, seja por ser assim independentemente do carnaval, estas serão pessoas com grandes dificuldades de estabelecer relacionamentos de longo prazo.
Um relacionamento de longo prazo pode iniciar-se no carnaval, ao menos teoricamente, mas não será o comum, não o é.
As folias de carnaval e todas as outras festividades que ocorrem com o uso de álcool e outras substâncias são formas das pessoas buscarem vivências diferentes do cotidiano. Algumas procuram estas situações para escapar do mal estar que não suportam, outras para tentar encontrar momentos de satisfação. Algumas apenas sabem seguir estes mecanismos de satisfação, permanecendo dependentes deles. Estes últimos encontram no carnaval um momento extra através do qual podem sentir-se iguais aos outros, sem serem rejeitados por estarem alcoolizados ou sob o uso de substâncias.
Também existem pessoas que usam o carnaval para se darem o direito de viverem um momento diferente, emoções diferentes, e depois retornarem ao cotidiano comportado, regrado. Assim equilibra o ano, seguindo regras sociais e sem importunar aos vizinhos.
Algo que é preciso saber é o que a folia de carnaval significa para si mesmo. Compreender o que buscamos e saber como encontrar é algo que nos dá poder sobre nós mesmos e sobre o ambiente. Pessoas que não tem controle somente sobrevalorizarão a folia de carnaval, e ainda se justificarão de que não existe problema em viver assim, usando o próprio carnaval com exemplo desta possibilidade.
Casais que apreciam, juntos, estas folias, terão mais um momento para dividirem na vida.
Casais em que cada um tem uma opinião sobre o carnaval, terão um problema para solucionar e administrar. E nem sempre um casal sabe como lidar com estas situações de necessidades de vivencias diferentes. Aqui precisam de ajuda para não se desfazerem. E não se trata de um processo simplista de aconselhamento, algo que passou a ser chamado de “coaching” pelos mecanismos de marketing. Um relacionamento a dois não pode depender apenas de um aconselhamento, pois desta forma não considerará as necessidades individuais e não produzirá planos de ação coerentes para as diferenças existentes. Afinal, se as propostas de orientação e aconselhamento simples funcionasse nestes mecanismos, a religião teria sido suficiente há milênios, e justamente com o carnaval não o foram, produzindo a permissão para sair-se das regras cotidianas com a negociação de voltar elas depois. Aos que este mecanismo funciona… continuará funcionando, apenas pela regra já estabelecida.

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Adulto também encana com sexo…


 

Sempre pensamos que ao nos tornarmos adultos muitos dos problemas que vivemos na infância passarão…

Mas estatisticamente comum pode ser termos encanações…  uma vez que cada um de nós pode “encanar” com um tema diferente em momentos diferentes ao longo da vida adulta, que vai durar dezenas de anos.

A questão é como um indivíduo faz isso.

Uma primeira forma é ter assumido uma explicação a partir do mundo externo, do mundo social, que produza conflitos ou emoções negativas. Um exemplo para muitos ainda adolescentes é a capacidade de ter filhos, uma vez que aprendemos que iriamos crescer e formar família, ter filhos. Por conseguinte, a capacidade de ter filhos precisa ser testada, será necessário termos a realidade demonstrando esta capacidade. Porém não sabemos quantas vezes será necessário fazer sexo para isso acontecer, nem somos informados de que maneira o sexo deve ser feito, ou se estamos fazendo da maneira correta… assim chegamos à vida adulta, após alguns anos adolescentes, e se não tivemos uma gravidez fruto das relações sexuais já temos um ponto com o qual nos encanarmos: será que somos capazes? A partir daí cada qual usa os mecanismos que já desenvolveu para atuar nestas situações. Alguns ainda usarão outros métodos de encanação: “eu não estou fazendo sexo corretamente!”, ou “não sou fértil” e daí para outras auto explicações, das quais a maioria são falácias que inventamos para tentar explicar algo que pressupomos deveria ser como compreendemos. Um fator importante é o de não atentarmos para as possíveis fontes de informação e conhecimento ao nosso redor: professores, aulas de biologia (no caso), livros da biblioteca… devido a nossos mecanismos já desenvolvidos, tenderemos a não buscar fontes que nos contestariam, afinal, achamos que já sabemos e se alguém disser o contrário será alguém errado… Continuo em sofrimento, calado.

Então o que aponto com o exemplo acima, é que cada um de nós desenvolve nas duas primeiras décadas de vida, mecanismos de entrosamento com o mundo que permite conhecer a si mesmo, aos outros e ao mundo, como maneira de prevermos como devemos agir. Mas dificilmente percebemos os mecanismos errados que desenvolvemos, e ainda vamos crer que os errados são os outros…

Então podemos receber informações erradas e regras erradas a partir dos outros, de nossos pais, conhecidos, amigos, mas o nosso problema é que não verificamos a veracidade destas informações devido a nossos mecanismos distorcidos de observar a realidade.

Um exemplo pode ser uma ideia que é comum perguntarmos a nós mesmos: Pode transar no primeiro encontro?

Mas precisamos ponderar…

A vida sexual pertence à esfera privativa das pessoas, mas as regras que recebemos sobre o sexo desde que nascemos são regras públicas e aplicadas a todos, mesmo que não as sigamos.

“preservar-se” é uma regra social sobre o sexo num primeiro encontro, e as pessoas tenderão a seguir ou discutir esta regra.

Não se trata de um tabu, na acepção antropológica da palavra, pois não gera expulsão do membro da sociedade que transgredir a regra, mas povoa nossos pensamentos de modo frequente.

Mesmo as pessoas que não sigam esta regra a conhecem!

 

Outro ponto de encanação é a vergonha pelo próprio corpo, e nem estamos falando de corpos distorcidos…

Vivemos no mundo público com nossos corpos cobertos… isto aponta para a vergonha que “devemos” sentir, e esta regra é outra absorvida e vivenciada pela maioria das pessoas.

Basta que a pessoa considere algum erro que jugue ter no corpo para sentir vergonha e não permitir que se a vejam nua.

E falarmos sobre o orgasmo?

Alguns nem sabemos o que é isto…

Então a primeira questão é a importância que damos ao orgasmo. Algumas pessoas consideram que ter orgasmo atesta o quanto gostamos, amamos a outra pessoa.

Por dificuldades de expressão, inabilidades de relacionamento social ou dificuldades de comunicação assertiva, podemos ter alguém que não fale, não queira falar ou não saiba falar sobre o prazer Orgásmico.

Comum, e às vezes até considerado inadequado falar a respeito por algumas pessoas.

Como aprender? Sim pois, vencer estes problemas depende de aprendizado…

Ensaiando como fazer iniciamos este fazer.

Se nem sabemos como iniciar… procuramos ajuda com um psicólogo, um psicoterapeuta sexual.

 

Muitas das encanações poderiam ser superadas através da adequeada comunicação com pessoas confiáveis, a exemplo da parceria afetivo-sexual.

Mas…

A falta de habilidades sociais e de comunicação é comum na cultura brasileira, produzindo pessoas envergonhadas, com dificuldades em dizer as coisas de modo assertivo e na direção do positivo.

O adulto ainda pode aprender a portar-se de odo assertivo e de formas útil para a expressão sexual, mas será necessária uma boa dose de ajuda externa.

O receio que uma pessoa sente para não expressar que o sexo não agradou, ou mesmo se agradou, deve ter uma função na vida dela. Esta função não acaba facilmente, mas precisa ser trocada por alguma outra atitude, comportamento, ação que traga bem-estar.

A tendência de todos é de ficar igual, ser igual ao que sempre foi, fazer sempre o que já é conhecido. E isto é o primeiro problema depois de adulto: a dificuldade em mudar. Muitos até procuram um psicoterapeuta, mas insistem em fazer as mesmas coisas, semana após semana, e acham que estão fazendo psicoterapia, aguardando o tempo passar para que algo ocorra… e já pretendiam não fazer nada, não mudar, esperando que o mundo se modificasse…

E existem assuntos mais delicados ainda para conversarmos…

Fetiches são desejos de atividades sexuais muito íntimos, muitos pessoais e dependem de como as pessoas viveram até aquele momento. São percebidos enquanto comportamentos que não poderiam nem ser confessados ao padre…

Falar destes assuntos exige grande dose de confiança, incluindo a percepção de que será aceitável pela outra pessoa, mesmo que seja algo muito diferente, talvez diferente a ponto de ser considerado uma loucura.

Somente casais que tem extrema confiança de que continuarão juntos e que sempre um dará apoio ao outro e que talvez possam fazer coisas, experimentar, vivenciar atividades novas… então existe o terreno para se falar a respeito.

E um primeiro passo, desde que essa pessoa seja assertiva e se conheça bem, será expor enquanto fantasia que é. Fantasia, algo ainda não real, e que pode ser colocada e prática se o casal assim concordar. Mas poderá ser mantido enquanto fantasia, e traz erotismo e excitação ao casal, mas que poderá estar fora da possibilidade de ação.

As atividades, ainda apenas pensadas, fantasias, podem ser colocadas em prática depois de conversadas, se ambos compreenderem de que tal prática não trará malefícios a nenhum dos dois, ou que se existirem consequências de alguma forma negativas podem ser suportadas e vencidas pelo casal.

Muitas vezes estamos com casais em consulta e que se encontram nestas circunstâncias, e fazemos a mediação desta importante conversa, auxiliando no treino de comunicação e facilitando a expressão destas necessidades, de ambas as partes, quando ambos podem considerar as ideias e produzir um plano de ação de aproximação do fetiche de modo satisfatório e seguro.

 

Uma das preocupações ou atenções sexuais é a prática do sexo anal.

Em nossa cultura baseada no ato sexual reprodutivo e não no erotismo, atos que não sirvam para a reprodução não serão compreendidos como algo positivo ou que devam ser executados. E sexo anal está nesta lista, embora seja uma prática possível e conhecida, conversada e divulgada em nossa cultura. Esta contradição impõe um conflito e para muitos se trata de um medo, sem alternativas e sem conhecimento real para saber o que e como fazer.

Sempre dependerá do grau de medo que impede a prática. Medos importantes impedem, receios que a pessoa possa explicar, tipo “sujeira” poderão ser debatidos e alternativas serem planejadas para que evitem a condição de medo e superação sem continuar o comportamento de evitação.

Falar dos medos permitirá reconhecer se estamos falando de um medo impossível ou de um receio que pode ser vencido.

Mas podem existir questões relacionadas a valores morais… e aqui… não tem negociação…

Os medos e como lidar com eles sempre será um ponto de encanação.

Estas condições são debatidas frequentemente em psicoterapia focalizada na sexualidade.

Depois da pessoa reconhecer o que sente e a função disso em sua vida, torna-se possível desenhar um caminho de ação e execução dos atos e comportamentos sexuais desejados, pensados.

Sempre estas condições passam por reconhecimentos dos valores morais que possam estar associados, emoções que são disparadas por estas ideias e se os comportamentos e ações são possíveis de fato, sem produzir consequências negativas aos participantes.

Mesmo as situações que supostamente deveriam ser positivas, como saberemos discernir e não permitir encanação será outro ponto. Por exemplo, ser ou não ser bom de cama.

Esta é uma coisa difícil, pois a auto percepção de não ser adequado na cama é algo que independe de a pessoa ser ou não adequada na cama. A auto percepção pode ser um mecanismo negativo usado pela pessoa para evitar situação associadas ao sexo, por exemplo.

Outra coisa que implica em dificuldade é o que que diz respeito ao que se considera ou se deve considerar que é ser bom de cama. Estes fatores são extremamente subjetivos e envolvem viver emoções que uma pessoa individualmente considere positivas, adequadas.

Muitas pessoas se consideram boas de cama… e nem de longe, externamente vistos, serão consideradas daquela forma. Ou seja, a auto percepção não basta.

Ser considerado pelo outro com quem temos um bom relacionamento a dois e comprometidos com um futuro… aqui, sim, temos a validação da pessoa ser boa de cama.

Então, perguntar ao outro também faz parte de compreender se somos ou não bons de cama!

Perguntar ao outro implica numa segurança: confiar no outro de que falará a verdade! Se gosta, está bem, se acha que não somos bons e nossa parceria fala de modo direto e simples, podemos ter certeza de que podemos confiar nessa pessoa. O próximo passo e conversar sobre o que podem fazer para melhorar!

Principalmente aos homens existe um assunto que se torna delicado e produz comportamentos de esquiva constantemente. Muitos homens só urinam em banheiros públicos se se trancarem na cabine, para não serem vistos, não serem olhados e nem perceberem os pênis de outros homens, para não compararem, não serem comparados.

Tamanho de pênis nuca deve ser uma preocupação.

Explico.

Se o tamanho do pênis for algo necessário para a outra pessoa e o que temos não for o suficiente ou adequado, ela procurará outro, não interessa o que possamos fazer, o que aliás, se o problema for por ter o pênis pequeno ou muito grande, nada há para ser feito!

Este é um ponto que produz ansiedade e neurose para muitos homens. Estes homens partem de concepções de que o tamanho do pênis deve ser importante, e somente será bom se for grande. Como não existem evidências transculturais que demonstrem que um pênis grande é melhor para o prazer sexual, tudo o que este homem justificar será neurótico e uma forma de se impedir de executar o sexo. Colocar a responsabilidade de não arranjar uma namorada ou casar num pênis que não seja grande é um mecanismo cognitivo de autodestruição, de demonstração e não se gostar. E já sabemos de que nada adianta dizer a este homem que ele precisa se gostar mais…

Estes são mecanismos complicados que exigem muito tempo de psicoterapia para produzir mudanças para que este homem aprenda a viver feliz.

Se uma mulher considera que um pênis maior lhe trará felicidade, ela precisa de um plano de ação que a conduza a conhecer um homem que a deseje nestas mesmas condições. Ainda assim, exigirá que esta mulher esteja disponível para experimentar atividades sexuais com vários homens até encontrar aquele que ela considere adequado sexualmente. Nem sempre as mulheres estão disponíveis para estes comportamentos sexuais…

 

Mas sempre podemos fazer algo a respeito destas encanações.

Conhecer-se e compreender as funções pelas quais tem estas encanações é o único caminho.

Conversar com alguém… apenas com quem não esteja envolvido de modo interesseiro em nós… pois precisamos de retornos isentos de julgamentos morais para podermos nos expor e desenvolver novas formas de pensar e descobrirmos caminhos que nos conduzam a superar estas encanações, novas e alternativas formas de ponderar o mundo.

Então entra o conversar com a parceria, expor-se e negociar o que se gostaria de fazer. E ambos poderem produzir um plano de ação útil para satisfazer a ambos.

E teremos o apoio da psicoterapia nestes caminhos se forem difíceis de enfrentar sozinhos!

 

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