Falta de sexo nem sempre atrapalha a vida das pessoas


Oswaldo Martins Rodrigues Junior
Psicoterapeuta sexual do InPaSex
– Instituto Paulista de Sexualidade – http://www.inpasex.com.br
Autor do livro Temas Sexuais (LP Books, 2013)

Vivemos numa cultura que valoriza o sexo, mas não o facilita.IMG_6940
Valoriza a ponto de ensinar a todos que devemos fazer sexo, que precisamos de sexo, mas não permite que alguém viva para poder fazer sexo.
Ouvimos nas conversas das ruas e dos bares, no cotidiano de nossa cultura, com ironia, que quando uma mulher está muito nervosa ou tensa é porque está “na seca”, “na falta” de sexo. Sim e não, precisamos pensar como isto se aplica na vida das pessoas reais.
O descontrole emocional depende uma série muito variada de circunstâncias, que tem o concomitante fisiológico hormonal.
Uma mulher que tem atividades sexuais frequentes, em especial quando se sentem sexualmente satisfeitas, e fisiologicamente se obtém orgasmos, mais provavelmente estará nos próximos dias mais satisfeita com o mundo, mais capaz de administrar ansiedades ou suportar frustrações, o que implica em uma mulher menos irritada e tensa…
Verdade é que para a maioria das mulheres a vivência sexual satisfatória trará bem estar e aumento da capacidade de enfrentar problemas.
Mas existem mulheres que desenvolver outras formas de administrar ansiedades e tensões e não precisarão de sexo para sentirem-se bem e manterem um humor estável e positivo.
Os homens aprendem desde crianças a poderem usar atividades sexuais para diminuírem ansiedades e tensões. Assim, sempre justificam que necessitam do sexo para enfrentarem problemas do cotidiano. Muitos homens apresentam estas justificativas com orgulho, por isso apresentam estas frases que supõe explicam e na sequencia justificam o sexo que buscam, mesmo que de modo imoral ou ilegal.
Quando pretendem que exista sexo, aumentam a necessidade por pensarem sobre esta necessidade e para não haver maior frustração buscam toda e qualquer atividade sexual. Se demoram para conseguir, mostram-se irritados, pois não atingem os objetivos que buscam, obrigados a postergar a satisfação de necessidades. Desta forma, andando na rua, atentam para todos os estímulos que (individualmente) consideram eróticos, sexualmente atrativos e estimulantes. Ao prestarem a atenção nestes estímulos diminuem as ansiedades. Estas emoções sempre condizem com um funcionamento fisiológico que somente corresponde a estas emoções. Assim fisiologia e emoções andam juntas!
Mas o quanto a falta de atividades coitais afeta às pessoas, e o quanto estas respostas emocionais são reflexos e resultados dos valores que uma pessoa tem sobre o que chama de sexo?
O que denominamos valor é o significado que uma situação, circunstância ou conceito adquire na vida de uma pessoa. Sexo tem significados diferentes para pessoas diferentes, mesmo que uma sociedade determine que o sexo seja mais ou menos importante.
As especificidades individuais determinam que o sexo tenha determinadas importâncias para uma pessoa. Na vida desta pessoa, o que se denomina sexo é aprendido e associado com determinadas emoções, positivas ou negativas, o que confere o valor percebido pela pessoa. Este valor determina as ações que esta pessoa desenvolverá para o sexo.
Assim algumas pessoas valorizam muito a necessidade de expressões sexuais em sua vida, e outras desprezam ou não necessitam do sexo, este não tem valor em suas vidas.
Este valor conferido ao sexo pode mudar ao longo da vida.
A falta de atividades sexuais trará consequências de acordo com o histórico de uma pessoa em específico.
Pessoas para as quais o sexo tenha uma importância grande no que toca o cotidiano, que considerem e valoram muito a experiência de viver o sexo, sofrerão com a falta de sexo.
Pessoas que compreendem que podem viver sem sexo, passarão dias, meses e anos sem uma atividade sexual e não se sentirão mal por isso.
Outras pessoas que planejaram uma vida dedicada a outros objetivos, a exemplo de trabalho, poderão sentir-se bem sem que façam sexo. O mesmo ocorrerá com mulheres que pretendiam ter filhos, formar uma família e cuidar desta família, com este plano de vida, viverão sem sexo e se sentirão satisfeitas com este padrão.
O projeto de vida que uma pessoa tenha, desenvolvido por ela, ou assimilado da cultura, determina se o sexo é necessário ou não, produzirá ou não sofrimento.
Uma pessoa que se compreenda muito sexual, que “deveria” fazer sexo diariamente, sempre sofrerá se não praticar o sexo nesta frequência. Esta será uma pessoa nervosa, que está se odiando e que odeia a todos que estão sendo percebidos como fatores que impedem que o sexo ocorra.
Mas apenas para pessoas que gostam de sexo, e são privadas das atividades sexuais por um prazo que ela considere longo demais, a falta de sexo deve conduzir a emoções negativas, ansiedades que serviriam para motivar estas pessoas a buscarem sexo e variação de atividades sexuais.
Assim, o que sabemos e compreendemos que é o sexo dirige nossas ações, e não percebemos que este pensar já foi moldado, produzido pela nossa história de vida sem que nos apercebamos disto.

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Sobre os esfregar-se sexualmente nos trens e ônibus


ImagePsic. Oswaldo Martins Rodrigues Junior

Autor de “Parafilias” (Zagodoni, São Paulo, 2012)

Psicoterapeuta sexual e sexólogo

Instituto Paulista de Sexualidade

www.oswrod.psc.br

         Sempre existem pessoas que descobrem uma forma que consideram sexo, diferente do que as outras pessoas chamam de sexo.

Situações sexuais em sistemas de transporte coletivo são presenciadas frequentemente nas grandes cidades. Na grande São Paulo tem-se cogitado de restringir um ou dois vagões de Metrô ou dos trens suburbanos para uso exclusivo de mulheres. A medida seria paliativa, e de maneira alguma solucionaria em longo prazo estas situações.

Estas situações são comuns e sempre foram noticiadas aquelas que chegavam às Delegacias.

O primeiro problema é a classificação do delito de acordo com a legislação brasileira. O caso do rapaz que, ao que parece, chegou a baixar as calças da moça, e com o pênis para fora ejaculou, tem sido noticiado como crime de estupro. Provavelmente não ocorrerá isso, pois não ocorreu penetração, ponto fundamental para o crime de estupro, o que produzirá uma reclassificação para atentado violento ao pudor, que implica em atos libidinosos distintos da penetração. Devemos lembrar que apenas nos últimos anos a legislação sobre estupro se estende aos homens que sejam submetidos à penetração (com este termo estamos nos referindo à introdução do pênis, pois de outra maneira a classificação de crime recai novamente em atentado violento ao pudor).

Ao final do dia, após longas horas de trabalho, com dificuldades em voltar para casa com grande movimento nos transportes públicos, algumas pessoas, em especial homens, se utilizam das vivências sexuais para relaxar e administrar a frustração que o dia causa, ou como se costumam referir “estresse”. Existe uma grande variação de expressões sexuais usadas nestas ocasiões, como mostram os três exemplos noticiados nesta semana.

Expressões sexuais como a tentativa de um coito no vagão, ou de espiar (gravando em vídeo), ou de passar a mão, tocar partes do corpo relacionadas a sexo, ou o esfregar-se na outra pessoa em trens lotados… as variações existem e mobilizadas pelas mesmas dificuldades em administrar as ansiedades do cotidiano.

São atos costumeiros, e as pessoas, geralmente mulheres, sabem que diariamente existem estas situações, mas do que aparecem na imprensa ou na delegacia.

 

Uma explicação desde a psicologia

            Primeiramente devemos considerar a incapacidade em administrar as situações de ansiedade que vivem individualmente. Então passamos para o objeto de cunho sexual que se utilizam para aplacar as ansiedades, e depois para a diferenciação de métodos.

As formas de expressão sexual dependem de como ocorreu o histórico de vida de cada um, e de como nesta história, houve a associação da expressão sexual, causando prazer e relaxamento, com a situação envolvida na ansiedade e tensão.

A verbalização destas pessoas, explicando o ocorrido, é apenas algo que eles compreendem possa ser entendido como desculpa por quem os ouve. Não são explicações, mas dão indícios das motivações. Um dos exemplos é exatamente este descrito: “não aguentou”, estava com alta carga de ansiedade e seguiu o impulso.

Assim, uma das razões para estes atos é a incapacidade de controlar-se, sendo impulsivo.

Esta impulsividade pode revelar uma doença psiquiátrica, mas precisa existir uma avaliação completa e correta.

Outro fator patológico envolvido, mesmo que leve, é a dificuldade em administrar e viver de acordo com as regras sociais. Esta característica anti-social, aumentada e extremada é a sociopatia ou a psicopatia. Portanto, estas pessoas precisam ser investigadas antes de serem diagnosticadas.

Outro fator importante para se diferenciar a patologia ou o que os psiquiatras chamam de transtorno, é a frequência e obrigatoriedade do ato. Se esta é a única forma de expressão sexual na busca de prazer, se faz sempre. Aqui as fantasias não contam, apenas a atuação na realidade.

Mais outro fator é o necessitar de participantes que não estão de acordo com a vivência sexual. Nos casos dos transportes públicos que são noticiados já é um fator complicador condizendo com a psicopatologia.

Outra consideração é trazer consequências negativas para si e para os outros, o que também se encontra presente de modo claro nestes casos.

E finalmente a capacidade ou incapacidade de controlar os impulsos que conduzem aos comportamentos sexuais.

Assim começamos a diferenciar de comportamentos denominados parafílicos (implicando formas diferentes de se obter prazer sexual), de uma doença/transtorno.

         A psicoterapia de abordagem comportamental-cognitiva é o tratamento mais útil para se obter resultados de adequação psico-social, ou seja, satisfatórios para o indivíduo e para o meio em que ele vive.

         A psicoterapia consiste em sessões/consultas semanais ou duas vezes por semana, com o objetivo de auxiliar a estes homens a desenvolver outros comportamentos sexuais satisfatórios, aprendendo a suportar e administrar as frustrações do cotidiano, permitindo a inserção social.

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Ainda pensando sobre Problemas Sexuais


ImagePsic. Oswaldo Martins Rodrigues Junior

Psicoterapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade – www.inpasex.com.br

Diretor da ALAMOC – Asociación Latinoamericana de Análisis del Comportamiento y Terapia Cognitivo Comportamental

Autor de 25 livros sobre Sexualidade e psicología

Editor da revista Terapia Sexual

 

Homens e mulheres podem ter problemas sexuais que dificultam ou impedem o fazer o sexo como gostariam de fazer.

Um destes problemas sempre foi chamado de “impotência sexual”, hoje chamada de disfunção erétil. Isto implica em homens que tem dificuldades em obter ou manter ereções penianas que permitem a relação sexual com penetração.

A maior parte das causas ainda é de ordem psicológica, embora existam algumas causas orgânicas bem definidas que também podem ser tratadas.

A maioria das causas implica na má administração da vida cotidiana, dos relacionamentos interpessoais e a falta de autoconhecimento, o que conduz a más práticas gerais de saúde, deixando de ter atividades físicas com frequência mínina de 3 vezes semanais (por 30 minutos cada), alimentação inadequada com abusos de álcool, tabaco, drogas e medicamentos. O desconhecimento de como as emoções ocorrem e como administramos estas emoções, em especial as ansiedades e os estados depressivos que são diretamente associadas às dificuldades sexuais.

Outra ordem de fatores que se associam com as dificuldades de ereção são os pensamentos errados que mistificam o funcionamento sexual, impedindo que a sexualidade possa ser expressada de modo conveniente e satisfatório. Isto implica que quando pensamos errado, o sexo não funciona!

Saber os fatores que produzem as dificuldades sexuais conduz a como tratar estas dificuldades.

Avaliações feitas por um psicólogo especializado em sexualidade e por um médico que compreenda os funcionamentos sexuais permitem cobrir as possíveis causas e como deverá ser o tratamento para a superação destas dificuldades.

Assim, com ambas as áreas cobertas, podemos saber se o tratamento deve ser psicológico ou médico, ou ambos ao mesmo tempo.

Problemas de relacionamento de casal, depressão, ansiedade, dificuldades em expressão de emoções ou falta de habilidades sociais exigem o tratamento psicoterápico específico.

Dependendo do tipo de problema sexual, são raras as causas orgânicas, a exemplo das dificuldades sobre orgasmos em homens e mulheres, deixando o tratamento apenas para a área psicológica.

Ter uma dificuldade sexual que acontece uma ou outra vez na vida de uma pessoa raramente será considerado um problema, uma disfunção. Mas se a frequência ocorre de uma maneira que faz com que a pessoa e o casal não consiga sentir-se bem e atrapalhe outras áreas da vida, isto exige que algo seja feito para tratar as dificuldades.

Algumas pessoas tem uma alta capacidade de lidar com a frustração que uma dificuldade sexual traz, fazendo com que o tempo entre o início da disfunção e uma busca de tratamento possa levar anos, até mais de uma década… isto apenas significa que a pessoa suporta mais dores durante um tempo mais longo, mas como o problema não se modifica, com o tempo o sofrimento virá de modo insuportável, ou as condições ao redor da pessoa se modifiquem a ponto de não mais ser importante a vida sexual.

            A maior parte das pessoas precisará de um tratamento psicológico especializado para resolver a dificuldade sexual.

            Não basta procurar um psicólogo qualquer. O tratamento de questões sexuais exige que o psicólogo saiba como lidar técnica e teoricamente com a sexualidade.

            A busca de tratamento psicológico não específico produz mais frustrações sem o foco na sexualidade e na superação do problema.

            O desejo sexual é formado numa estrutura histórica e de personalidade individual.

            Pessoas com dificuldades de desejo sexual aprenderam a não sentir ou a sentir pouco desejo de sexo. Na cultura ocidental as mulheres são ensinadas a serem menos expressivas sexualmente, e assim existem mais mulheres com inibição sexual.

            As meninas aprendem a não se dedicar à sexualidade. A falta de dedicação à expressão da sexualidade, a falta de comportamentos sexuais no cotidiano, a falta considerar-se uma pessoa sexualizada, produz mulheres que não se envolvem com sexo, usando o tempo cotidiano com o envolvimento com outras atividades sociais e familiares.

            O exercício de outras atividades que não as sexuais, exige que a mulher não se dedique à sexualidade, eliminando o desejo sexual tal qual ela conhece, fazendo com que se sinta incapaz de controlar o desejo, produzir o desejo, expressar este desejo pelas atividades sexuais.

            Outra condição é a restrição do aprendizado de atividades sexuais, diminuindo a possibilidade de sentir prazeres e reforçar-se nas atividades do sexo.

            O tratamento psicológico permite que a mulher se reestruture enquanto pessoa e possa desenvolver uma identidade feminina que também é sexualizada, podendo usufruir desta parte da feminilidade numa interação com outra pessoa.

            As pesquisas das últimas décadas mostram uma associação clara e definida entre a vivência das atividades sexuais satisfatórias e a melhor qualidade de vida e como consequência melhor saúde mental e física.

            O bem estar advindo da vida sexual constante facilita esta qualidade de vida.

            As disfunções sexuais são problema comportamentais que uma vez vivenciadas produzem a condição básica de poder vir a existir novamente. Um tratamento psicológico ensina a controlar as condições que produzem estes problemas sexuais, impedindo que novos episódios ou fases aconteçam.

            Devido a diferenças de fisiologia envolvidos nos dois problemas (disfunção erétil e inibição do desejo sexual), diferentes causas orgânicas se mostram envolvidas. Para os homens mais problemas relacionados ao sistema vascular e para as mulheres mais problemas hormonais podem ser encontrados, embora sejam minoria das causas em ambos os sexos.

            Cerca de 45% dos homens também tem dificuldades relacionadas ao desejo sexual, porém, muitos destes homens consideram que tem uma forma de dificuldade com a ereção, sem perceber que o desejo sexual influencia a falta de ereção.

            Mulheres também têm dificuldades com o preparo genital para a atividade de penetração, com diminuição de lubrificação ou de abertura vaginal, o que seria semelhante à dificuldade de ereção nos homens.

            Alguns homens têm dificuldades em controlar a ejaculação e com isso considerar que tem dificuldades com a ereção.

            Algumas mulheres não têm orgasmos e consideram que não tem desejo ou não sabem mais como usar o desejo para encontrar o possível caminho para o orgasmo.

            Compreender as possibilidades dos problemas sexuais auxilia a modificar as condições sob as quais o problema ocorre. Conhecer cada problema, como ele acontece permite superar as dificuldades sexuais.

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Mulheres, mudanças da expressão sexual e a pornografia


Psic. Oswaldo Martins Rodrigues JuniorRoma1404 081
Instituto Paulista de Sexualidade – http://www.inpasex.com.br
Autor do livro Temas Sexuais (Livro Pronto, São Paulo, 2013),
e organizador do livro “Sexologia Clínica” (Livro Pronto, São Paulo, 2014)
As expressões sexuais tem sido uma preocupação na busca de compreensão de como se dá a sexualidade na cultura ocidental.
A pornografia, historicamente dedicada ao homem, passa a ser percebida como possível fonte de estimulação sexual também para mulheres.
A cada geração histórica se podem perceber modificações nas atitudes sobre a sexualidade, e em cada momento algumas mudanças são perceptíveis, umas mais liberais e outras retornando a posturas mais tradicionais.
As últimas décadas trazem seguimentos de população com atitudes opostas. Enquanto existem grupos crescentes de valorização da virgindade pré-casamento (ou de revirginização à espera de novo casamento/relacionamento), temos outros segmentos de mulheres que buscam vivenciar e experienciar maiores variações de comportamentos sexuais (maior expressão social destas variações, inclusive a homossexualidade e a bissexualidade).
Um fator resultado do final da década de 1960 e a de 1970, é a possibilidade de falar mais abertamente sobre sexo. As mulheres filhas daquelas que eram adolescentes naquelas duas décadas aprenderam que podem debater sobre sexo, o que permite uma visibilidade das dificuldades sexuais das mulheres, e inicia uma maior autocompreensão individual da vida sexual das mulheres.
Inicia-se uma liberalização das atitudes sexuais femininas, mas ainda não se revela no comportamento explícito.
O discurso da mulher ter o direito à satisfação sexual passou a ser uma busca da vivência do orgasmo, mesmo que, na prática, não tenha aumentado a percentagem de mulheres que aprendem em suas vidas naturais a terem orgasmos. Facilitou, sim, a possibilidade de busca de cuidarem-se em aprender a ter orgasmos. Fala-se mais de que a mulher pode ter orgasmos, o que provavelmente fará com que a próxima geração histórica tenha mais facilidades à satisfação sexual baseada no orgasmo.
A identidade sexual da mulher ainda não contabiliza a necessidade do orgasmo para que exista a mulher. A mudança desta identidade social é demorada, pois é através dela que as novas mulheres serão criadas, socializadas, para terem uma identidade de mulher numa sociedade. O restante da sociedade aceita uma mulher que se identifique com a mulher compreendida nesta determinada sociedade. A mudança é demorada e independe de uma ou outra mulher estar mudada, pois outras andam na direção contrária. Quando uma maioria de mulheres apresentar a mesma identidade na direção da valorização da satisfação sexual, esta será a identidade sexual socialmente determinada e por conseguinte, aceita, e ao mesmo tempo exigida sobre as outras mulheres que não se encaixem nesta expressão social identitária.
O consumo de pornografia é um índice de identidade associada ao masculino e não ao feminino.
Uma mudança de identidade sexual feminina para o uso da pornografia exigirá algumas gerações históricas para que esta se torne uma preferência de mulheres.
A mulher ainda é socializada para ser responsiva aos estímulos sobre o tato, olfato e contextos externos para-sexuais, do que os genitalizados. Mesmo as mulheres que apreciam filmes pornográficos, estas ainda apontam que preferem determinados tipos de filmes, que são menos genitalizados, diferenciados da pornografia da forma que se define.
Existe maior busca e consumo de material erótico, a exemplo de vibradores ou simuladores penianos, do que na geração passada, mas longe de ser algo que represente, ao menos, uma minoria estatística significativa.
Historicamente tenho mais pacientes homens, mas comparativamente aumentou o número de casais e de mulheres em minha clientela de psicoterapia sexual. Historicamente por ter muitas parcerias profissionais com médicos urologistas, que me referiam muitos homens para tratamento psicoterápico.
A queixa maior continua sendo a disfunção erétil, seguida de incapacidade de controlar voluntariamente a ejaculação e problemas relacionados ao desejo sexual (inibição e variações do desejo).
Entre as mulheres a inadequação sexual do casal, a inibição do desejo sexual e a anorgasmia são as queixas mais comuns.
No tratamento de queixas sexuais, a pornografia tem uma função importante. Assim, a orientação de material escrito, filmes e vídeos tornam-se importantes como maio de compreender e conhecer as possibilidades para uso no desenvolvimento da sexualidade e superação das dificuldades sexuais.
A literatura apontada é uma literatura dirigida pela forma masculina de erotismo. Esta forma facilita a aproximação das mulheres para com os homens no que tange ao sexo.
Literatura erótica é uma forma importante para o ensino de maneiras sexuais que sejam absorvidas, interiorizadas como adequadas. Na falta de literatura erótica disponível, as pessoas tendem a desenvolver maneiras individualizadas, muito diferentes e pouco fáceis de serem concatenadas com as necessidades de outras pessoas. Através do ensino pela literatura, mais pessoas tem a oportunidade de encontrarem outros com quem compartir as mesmas satisfações de necessidades.
O livro Cinquenta tons de cinza foi escrito por uma mulher e uma mulher tem maiores probabilidades de escrever de uma forma que seja mais absorvida por leitoras mulheres, o que faz com que este tipo de literatura erótica seja mais consumida. Existe maior identificação com esta forma de expressão, e com a identificação, maior chances de interiorização dos comportamento descritos, que podem, então, fazer parte do repertório sexual desta mulher que lê.
A maior vantagem do consumo de literatura erótica é a possibilidade de aprendizado de novas possibilidades de expressões sexuais. Uma pessoa, desde o nascimento até a juventude, tem poucas oportunidades de vivenciar comportamentos sexuais que deverá desempenhar na vida adulta. Com a literatura, e por extensão, com a pornografia em geral, existe maior chance de se perceber e se conectar com novos comportamentos. Se o que é lido vai ou não ser absorvido pela pessoa, depende de outros aspectos de personalidade em construção, sendo definidos por esta personalidade, mais do que pela literatura ou pornografia.
Nas últimas três décadas passou a existir pornografia para mulheres, iniciando-se por grupos de lésbicas que apresentavam diferentes necessidades de pornografia do que as que existiam, baseadas nas identidades masculinas. Ainda na década de 1990, estas mesmas produtoras lésbicas passaram a fazer filmes hetero para mulheres, por perceberem que elas consumiam esta pornografia lésbica, não por serem ou terem tendências lésbicas, mas pela forma de expressão do erotismo, que era feminina, diferente da pornografia baseada na identidade masculina.
O erotismo feminino ainda é fortemente permeado pelo que se denomina romantismo, menos genitalizado e que exige maior tempo para conduzir à excitação sexual genital, e assim se produzem os filmes dirigidos ao sexo para mulheres.
A pornografia é usada para a excitação mental, para promover o desejo sexual, e não para a excitação física, da forma que é usada pelos homens, que se manipulam genitalmente, pois já estão mentalmente estimulados, passando para a fase física com o estímulo da pornografia.
Esta é diferença da excitação e vivência sexual entre homens e mulheres. Cada um aprende um caminho diferente.

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Timidez no sexo


Oswaldo M. Rodrigues Jr.
Psicólogo (CRP 06/20610), Diretor e psicoterapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade (www.inpasex.com.br), autor do livro “Parafilias” (Ed. Zagodoni, 2012) e de mais 20 outros livros sobre sexualidade e psicologia.
Timidez é uma destas palavras que esconde muitas coisas e tem expressões muito diferentes em cada área da atuação humana.
Então, primeiramente devemos conceituar o que denominamos de timidez. Timidez é uma condição sintoma, o externo de mecanismos psicológicos internos que produzem mal estar e implicam e dificuldades de expressividade emocional, concomitantemente a compreensões distorcidas da realidade.
A maioria das pessoas é “tímida” em determinadas situações. Muitas vezes a timidez que ocorre no trabalho, pode não ocorrer na vida social, ou em casa…
Na situação sexual, a falta de expressividade de emoções é um fator complicador.
pessoas que não expressão adequadamente as emoções também são mais afeitas a ter disfunções sexuais.
Sequer conseguem nomear as emoções que sentem. Sem poder nomear, também não as compreende. Sem as compreender, as emoções podem produzir efeitos negativos sobre o funcionamento fisiológico sexual, mantendo esta relação incompreensível para a pessoa.
Compreender os efeitos que cada emoções, cada estado emocional e como o corpo reage é um passo muito importante!
Outra fonte de causas são as compreensões que a pessoa tem de si mesma e da outra pessoa. Se considera que não tem que fazer nada e que a responsável pelo momento sexual é a outra… o sofrimento ocorre e ainda considerará que a responsável é a outra… e o sexo não ocorrerá bem!
Mais uma razão é a experiência anterior de vivências sexuais. Quanto mais se tem experiências de como fazer sexo, mas fácil será de expressar-se no momento sexual. Na falta de repertório, ocorre a aparência da timidez… a pessoa não sabe, não compreende o que ocorre…
Muitos fatores externos e internos interferem na produção da timidez no sexo.
Educação facilita uns fatores, e dificulta outros.
A educação sexual explicita é um fator específico que merece ser considerado e que influencia e limita a expressão da sexualidade. A maior parte das pessoas não tem uma educação sexual formal… e muitas vezes que exista, será uma transmissão de conhecimentos que provoca mais receios do que anseios…
Aliás, não basta apenas o mecanismo da educação… existem os componentes de personalidade, individuais, que a despeito da educação, não permitem que se aproveite uma educação sexual propiciadora de vida sexual saudável.
Mais um fator é o gênero, nesta cultura em que nos inserimos. As mulheres tem a permissão social de serem tímidas sexualmente… e por isso são desconsideradas nesta hora como tímidas e responsáveis pela atividade sexual. Afinal, dirão alguns, “mulheres são assim mesmo…”
Por outro lado, por obrigação de agir, os homens que apresentem uma timidez sexual aparecem mais, e são apontados como problemas.
Assim, homens são mais alvo de queixas de timidez sexual.
A timidez, com a falta de expressividade emocional, pode atrapalhar o desempenho fisiológico genital. Quando isso ocorre temos disfuncionamento genital, problemas sexuais, que seguramente atrapalham o prazer.
Em segundo lugar, a falta de expressividade impede que prazeres sexuais possam ser percebidos e sentidos. Se uma emoção não é disparada por uma acao sexual, a pessoa não vivenciará esta situação da mesma forma que outra. A expressão da emoção ajuda a reforçar a vivência, tornando-a mais prazerosa, e não uma situação de obrigação.
A falta de expressão emocional e assertiva é parte do que se chama autoestima.
Aprender como os pensamentos provocam emoções ou as impedem de existir será o começo do caminho.
embora o termo autoestima seja muito falado, trata-se de uma expressão de várias formas psicológicas, uma delas é a falta de assertividade, falta de expressividade emocional, falta de habilidades sociais, existência de processos cognitivos distorsivos…
Nem sempre fácil de se mudar, em especial por fazer parte da autocompreensão, ou seja: “se me sinto assim, somente me sentindo assim, reconheço-me sendo eu mesmo.” se mudar deixo de ser eu… assim as mudanças da autoestima não ocorrem por fatores externos, nem educativos de modo simples.
Algumas coisas podem ser buscadas pelas pessoas para se auxiliarem a desenvolverem uma atitude menos “tímida”. A atitude depende de pensar, pensar usa conhecimento. Uma das formas que conhecemos de obtenção de conhecimento é a leitura. Ler sobre sexo pode ajudar… mas não muito! Conhecimento não se restringe a leitura.
Uma leitura boa pode ser perturbada pelas estruturas cognitivas distorcivas que a pessoa usa par viver o cotidiano. Assim, só lerá o que confirme suas dificuldades e problemas, só prestará atenção ao que mantém o problema.
Ler é e pode ser uma parte importante de superação, mas se assim fosse percebido pelas pessoas tímidas sexualmente, elas já teriam tomado a decisão de encontrar a solução.
A leitura é importante, mas não soluciona o problema.
Conhecer cognitivamente é uma parte… sentir e fazer são as partes consequentes… e este será o conhecimento fatual que importa.
Ações fazem parte da atitude não tímida que estamos buscando! Uma ação que não depende dos outros é a autoerotização, que sempre foi chamada de masturbação. A masturbação pode auxiliar no autoconhecimento de funcionamentos corporais, mas o relacionamento a dois exige outros direcionamentos de atenções além de a si mesmo.
Superar a timidez pode exigir uma ação mais estruturada!
Fantasiar, pensar, propor-se a ser mais sexual e erótico é o caminho genérico para superar uma parte da timidez. Isto implica em ter um projeto na vida que inclui o ser mais sexual, e portanto, menos tímido no sexo.
A outra é aprender a vencer a inabilidade social, a falta de assertividade, a falta de expressividade emocional, os esquemas cognitivos distorsivos… e isto pode exigir a psicoterapia…
Você se percebe tímido no sexo?
Pretende não ser mais tímido nas situações eróticas?
Então inicie com um planejamento de como será na vida e nos relacionamentos de modo que supere a timidez!
Depois, talvez possa se valer da psicoterapia para modificar-se e ser mais feliz sexualmente!

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Literatura no erotismo feminino e o masculino


Oswaldo Martins Rodrigues Junior
Diretor e Psicoterapeuta do Instituto Paulista de Sexualidade (www.inpasex.com.br)
Autor de vários livros sobre sexualidade
dentre os quais “O sexo que mais aparece” (Ed. Livro Pronto: São Paulo, 2012)
contato: oswrod@uol.com.br

Um conceito muito importante na expressão da sexualidade é o erotismo.
O erotismo é um elemento que depende de múltiplas variáveis. Uma principal é a autodenominação da pessoa em pertencer a um dos gêneros: masculino e feminino. A partir deste autoreconhecimento, através da identidade social de ser/pertencer a homem ou mulher, os passos do que pode ser erótico são determinados.
Num segundo momento, desde que nascemos, somos implicados e conduzidos a comportamentos e atitudes coerentes com a mesma identidade de gênero, mas desta perspectiva, imposta pelo mundo humano à volta: pais e familiares.
Com o correr dos anos, o significado de bom ou mau associa-se a determinados objetos e atividades. Com a adolescência o conceito de sexualidade e expressão sexual passa a se aplicar, e algumas das circunstâncias já reconhecidas como boas passam à classe de produtoras de estímulos sexuais: é o erótico.
Este esquema permite compreender como o erótico de uma pessoa não é semelhante ao de outra, e ao mesmo tempo permite compreender que existem grupos de possibilidades eróticas, e até percebermos que existem dois grandes grupos: erotismo para homens e erotismo para mulheres.
O desejo sexual masculino se faz pelo mundo das ideias, precisa ser pensado, usando mais a capacidade de fantasias de cunho genitalista, com planejamentos que conduzam para o coito, o encontro dos genitais. Assim o erotismo masculino se constrói, e passou a ser denominado de pornografia.
O desejo sexual feminino se constrói a partir do contato físico que atinge os cinco sentidos (visão, olfato, audição, gustação, e o mais importante: tato). O desejo e a excitação sexual exigem estes caminhos, inclusive através do fantasiar estas mesmas condições.
O homem considera erótico aquilo que seja genital e a mulher valoriza o caminho que produz a excitação e permite o sexo. A mulher chama este caminho de romantismo, de amor…
A pornografia sempre foi feita para homens. Assim, a maioria dos vídeos eróticos são feitos para homens, e passam a ser chamados de pornográficos.
O caminho romântico foi feito para mulheres. Portanto, a literatura erótica costuma ser voltada a mulheres, mesmo que homens também a apreciem!
A leitura permite fantasiar o caminho romântico para as mulheres que desejam o sexo como objetivo.
Para os homens a literatura é algo que demora muito para chegar ao objetivo coital.
O homem consome pornografia porque ela é feita de acordo com as necessidades do homem perceber-se na qualidade de ser homem. A pornografia permite ao homem identificar-se como homem, tal qual se fora um espelho.
A literatura erótica permite a mulher construir mentalmente os passos que a conduzem a estar sexualmente excitada. O tempo de ler permite que o corpo reaja com a excitação sexual. Ler dá tempo e permite usar as capacidades mentais, da lembrança e das sensações mantidas na memória. Assim a mulher consegue excitar-se sexualmente de modo muito individualizado, diferente de ver um filme que conduz a estímulos visuais únicos, que não permitem a fantasia ou a individualização do estado fantasioso.
Os homens que tiram mais proveito dos contos eróticos também se utilizam dos mesmos mecanismos que as mulheres, usando o espaço mental, com toda a bagagem anterior de história de vida que é guardada pelas memórias dos cinco sentidos e das emoções associadas a estes aspectos.
O erotismo é formatado numa cultura e segue padrões de gênero. Mas cada indivíduo desenvolve padrões específicos sobre o que será mais ou menos erótico. Quanto mais exposta é uma pessoa, desde criança, a padrões sociais de erotismo, mais ela apresentará formas de absorver o erótico de acordo com os padrões culturais. Quanto mais isolada esta criança for, em termos de erotismo, mais individualizado será o padrão do erótico, dependendo de experiências muito pessoais, incluindo aqui padrões incomuns, até mesmo aberrantes.

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Travestis, Transexuais e prostituição


Psic. Oswaldo Martins Rodrigues Junior

Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.


Psicoterapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade (www.inpasex.com.br)
Autor de vários livros sobre sexualidade, incluindo Psicologia e Sexualidade (Medsi Editora)
Pesquisador de comportamento e sexualidade – http://www.oswrod.psc.br

Muita gente pensa que transexual e travestis são a mesma coisa. Vistos de fora até podem parecer, mas existe algo importante que os diferencia: a identificação intrínseca de gênero. Transexuais são homens que se compreendem pertencer ao gênero feminino. Travestis são homens que sabem ser homens que se apresentam como mulheres socialmente.
Em nossa cultura os travestis sempre foram vistos nas ruas e compreendidos como prostitutos que usam roupas femininas extravagantes e sensuais para atrair clientes sexuais em troco de pagamento para subsistirem.
Trabalho em nossa cultura pressupõe algumas condições.
O primeiro impasse para travestis e transexuais obterem um trabalho é a identidade oficial. Documentação que os impede de serem percebidos pelo que mostram visualmente. Este disparate é percebido como mentira pelo empregador, uma falsificação da realidade. O empregador não tem como saber se esta pessoa é o que diz ser. Os documentos de identidade funcionam como um mecanismo que avaliza as pessoas, podem ser consideradas pelo que mostram: o documento de identidade.
Outro ponto importante é como o empregado será compreendido, reconhecido, percebido pelos que utilizarão o serviço para o qual está sendo contratado. E este fator impede muitos empregadores de assimilarem transexuais. Os travestis, se forem diferenciados, são associados a prostituição, roubos e ilegalidade. Assim são percebidos de modo negativo que os impede de serem contratados.
O mecanismo de percepção é sempre pré-concebido. Trata-se de um mecanismo cognitivo que exige utilizar as percepções vividas no passado para compreender o presente e decidir por um futuro. Assim, tudo o que foi ouvido desde criança a respeito de travestis influenciará na tomada de decisões a respeito de travestis. E aqui se incluem transexuais e todas as formas transgênero. Na busca de facilitar a compreensão, o mecanismo cognitivo reduz as possibilidades a uma única: um homem que se veste de mulher, que quer se passar por mulher, sem o ser…
A dificuldade em se aceitar algo que é pressupostamente diferente do que se compreende é a realidade se encontra nessa base. Desde criança aprendemos que só existem homens e mulheres que são, machos e fêmeas e que devem desejar, respectivamente mulheres e homens.
Ao aprendermos assim, na infância, podemos nos identificar e nos desenvolver enquanto possíveis adultos. Assim passamos de 15 a 20 anos reforçando estas ideias iniciais para confirmar o que somos. Apenas podemos escolher uma de duas alternativas, mas que de verdade tem variações inúmeras que não são socialmente compreendidas ou assumidas como reais. Desta maneira não podemos admitir que exista uma pessoa que destoa do esforço que fizemos para produzir as identidades sociais que apresentamos a cada dia de modo igual.
A elaboração da existência de identidades sexuais além dos binômios homem-mulher, macho-fêmea, e da interação única heterossexual, exigem muito esforço cognitivo, emocional e comportamental. A maior parte das pessoas preferirá usar esta energia para outras finalidades, inclusive produtivas economicamente. Esta elaboração é exigente e não pressuposta nas vidas das pessoas. Mesmo as famílias que vivem com uma pessoa transexual e precisariam adaptar-se, mostrarão grande dificuldade em compreender, elaborar e mudar suas perspectivas cotidianas e adaptar-se a esta identidade não prevista pela família. Outras pessoas tem menos necessidades de se adaptar, embora também tenham um afastamento afetivo que permita gastar menos energia para modificar suas formas de compreender a realidade.
Muitos transexuais percebem na prostituição como o único meio de obter subsistência num mundo que não os absorve profissionalmente, nem facilitou meios de que desenvolvessem qualidades de trabalho. Em algum momento cada transexual reconhece que alguém se lhes aproxima fisicamente e socialmente com interesses libidinosos, exatamente por serem o que são: intermediários no gênero e no papel social. Este caminho conduz a formas de trocas de favores por dinheiro com facilidades.
Uma vez iniciada a vida da prostituição, sem alternativas de trabalho oficializados em nossa sociedade, estas pessoas ficarão na prostituição…
Mais transexuais do que travestis lograrão obter relacionamentos afetivos-sexuais que permita deixarem a prostituição. O transexual assume a identidade de gênero oposta, permitindo aceitação social e convívio para o parceiro que o/a assuma.
Os transexuais que se dedicaram à prostituição sofriam por perceberem que os clientes os buscavam por serem ‘eles’ e não elas. Este sofrimento é o pior, o mais difícil de administrar. Um travesti tem esta situação de modo congruente.
A prostituição será abandonada se outra forma que os reconheça na identidade de gênero à qual compreendem que pertencem, mesmo que isto signifique rebaixamento de facilidades sociais financeiras.
Nossa cultura ainda tem muito a caminhar para facilitar que as expressões alternativas de gênero, que se ligam à percepção de sexo, sejam absorvidas e tornadas úteis. As formas que são minoritárias tem sido desconsideradas na esperança de que deixem de existir, mas isto não ocorre…

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