Abuso sexual infantil versus pedofilia


Abuso sexual infantil versus pedofilia

Oswaldo M. Rodrigues Jr.
Psicólogo (CRP 06/20610)
Psicoterapeuta sexual e de casais
InPaSex – Instituto Paulista de Sexualidade

Sexo tem sido um assunto muito difícil de ser conversado, tratado e comunicado na sociedade brasileira nas últimas décadas.
E mais difícil ainda quando o assunto toca crianças, uma vez que já pensamos nos pequenos das nossas famílias.
Embora o tema deste texto seja de ocorrência muito mais comum do que desejaríamos, também existe desde sempre na espécie humana, o que torna muito mais complicado falarmos sobre ou tomarmos providências úteis a cada momento histórico.
Mas vamos buscar compreender e entender do que falamos.
O termo mais difícil e que tem se associado de modo forte e negativo é “pedofilia”. O termo tem sido utilizado para designar indivíduos com um interesse primário ou exclusivo em pré-púberes, insto é, com idades anteriores a 13 anos. Existem variações de acordo com faixas etárias, por exemplo, quando temos estas preferências sexuais por menores de 5 anos de idade, o termo será infantolifia ou nepiofilia. Quando o interesse sexual torna-se exclusivo para idades entre 11 e 14 anos, o termo correto será hebefilia ou efebofilia. Aqui apontamos que, tecnicamente, a partir de estudos pela psicologia, existem diferenças importantes para usarmos estes diferentes nomes, embora a palavra pedofilia tenha sido incorporada de modo generalizado.
A palavra foi inventada em 1886 para classificar esta atração sexual numa época em que apareceram preocupações com questões sexuais e psiquiatria, doenças mentais.
A partir da década de 1990 o termo pedofilia tem sido mais usado e de modo impreciso, aparentemente devido a aumento do medo de ocorrências de abusos sexuais contra crianças.
Devemos separar uma questão básica.
Existem adultos que percebem que são mais atraídos por menores de idade, porém sabem como controlar-se e não cometem atos de ordem sexual, erótica na direção de menores. Estes podem ser classificados como pedófilos, numa avaliação psicológica ou psiquiátrica, mas não são criminosos nem serão.
Outros adultos aprendem desde muito crianças a buscar satisfação de ordem sexual com crianças. Podem ser atividades de contato tátil com uma criança, acariciando, abraçando, atitudes que parecem ser normais e comuns socialmente. Mas alguns necessitam mais do que o contato socialmente aceito e necessitam de toques nos genitais das crianças. Outro necessitam que as crianças os toquem. E ainda outra percentagem menor, precisam de contatos genitais de adulto para criança. Alguns precisam da reação da criança de modo especial. Existem os que mantém a estimulação sexual com reações positivas das crianças, outros, ao contrário, precisam de reações negativas, de medo, de dor, de rejeição, para que a excitação sexual continue ou se estabeleça. Assim é que alguns adultos precisam da violência física ou psicológica junto da atividade percebida como sexual.
O pedófilo sempre será um adulto que não obtém, ou não acredita que obterá, satisfação sexual com outro adulto. Também tem crenças de que está fazendo algo benéfico para a criança ou de que a criança gosta do que fazem.
Uma questão importante é a fixação específica que um pedófilo tem. Cada pedófilo tem preferências sexuais muito específicas. Se este determinado adulto prefere uma menina de 7 anos, quando ela fizer 8, mudar características físicas, deixa de ser interessante sexualmente.
É muito difícil estabelecer quantos pedófilos existem ao nosso redor. Pesquisadores sobre pedofilia creem que devam ser ao redor de 4% dos adultos que precisam de contatos sexuais com crianças. Já é um número muito alto, e em número absolutos, algo alarmante de pessoas vivendo por perto… Mas é necessário compreender que um a cada quatro adultos podem se excitar sexualmente com crianças… e esse não são os pedófilos… e alguns estudos mostram números mais altos, de 1/3 dos adultos…
Aqui devemos apontar outro conceito, o do abuso sexual.
O abuso sexual infantil é algo muito mais comum do que pais preocupados gostariam. Abusadores sexuais de crianças são muito mais comuns e vivem muito mais próximos das crianças abusadas.
Abusadores sexuais de crianças tem outras motivações, diferindo dos pedófilos. Circunstâncias facilitam um adulto abusar de uma criança, explicam, embora nunca justifiquem. Estas circunstâncias implicam em estresse, problemas conjugais, falta de parceria adulta para o sexo… de toda maneira adultos incapazes de administrar problemas comuns aos adultos. Mas o que será mais interessante é que não são adultos que se sentem incapazes de se sentir excitados sexualmente por outros adultos, como são os pedófilos. As razões são muito além do sexo… são atos de violência, de abuso, de invasão, tal qual ocorre com estupros contra adultos.
O abuso sexual infantil ocorre em circunstâncias percebidas como situacionais, de oportunidade.
Assim, 60 a 70% dos abusos sexuais em crianças ocorre dentro de casa, com pai, mãe, irmão, irmã, tio, tia, primos…
Os abusos sexuais são uma forma de incesto, sexo intrafamiliar, não são feitos por desconhecidos que estão passado por acaso na frente da casa da criança. Assim, abusos dentro de casa podem ocorrer durante anos, uma década em sequência… abuso continuado.
Mas existe algo em comum entre pedófilos e abusadores sexuais. O aprendizado por ter sido abusado sexualmente na infância! E isso quer dizer abusado sexualmente na infância dentro de casa, por familiar.
Tecnicamente será mais adequado usar a frase “agressor sexual” ou “abusador sexual” para descrever as pessoas que mantém relações sexuais com crianças e adolescentes. Este conceito inclui os pedófilos, mas não se limita a eles (Rodrigues, 2008).

– Tratamento
Embora seja considerado um tipo de paciente difícil para ser tratado, um pedófilo submetido a psicoterapia tem mais chances de nunca mais abusar sexualmente de crianças. E isso se mostra muito verdadeiro quando comparamos a abusadores sexuais e pedófilos mandados para a prisão, que quando saem, voltam a atuar sexualmente como sempre foram antes: abusadores sexuais de crianças (Cloud, 2000).
O problema para o tratamento ser eficaz é o abusador ou o pedófilo compreenderem e acreditarem ter um problema que precisa ser cuidado. Após esta postura é que um tratamento psicoterápico terá efeito. Um tratamento que seja revisado constantemente ao logo da vida deste paciente será necessário para a segurança do mundo ao redor deste paciente.

– Questão de crime
Crimes de ordem sexual chamam muita atenção das pessoas em geral.
Mas aqui precisamos diferenciar os conceitos de modo mais direto.
No Brasil não existe o crime de “pedofilia”. Os códigos penais não incluem este termo enquanto crime. Existe o crime do abuso sexual contra uma criança ou adolescente. Advogados podem ajudar a distinguir (Ventura, 2016):
“Há de se ficar bem claro que ninguém pode ser punido criminalmente por ter alguma doença, porém, quando o pedófilo (quem tem pedofilia) exterioriza a sua patologia e sua conduta se amolda em alguma tipicidade penal, estará caracterizado o crime (da tipicidade incorrida e não de pedofilia).”

Mas se o abusador sexual infantil for considerado “doente”, o que deve ocorrer com ele? Novamente perguntemos ao advogado (Ventura, 2016):
“Caso o agente seja classificado como inimputável (art. 26 do Código Penal) deverá ser aplicada a Medida de Segurança de internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, pois os crimes tipificados na exteriorização da pedofilia (como veremos) são apenados com reclusão.”
Necessário afirmar que o transtorno parafílico ao qual o pedófilo pode ser diagnosticado não interfere com capacidade de discernimento de padrões morais ou legais na sociedade, o que não lhe confere, por si, a condição de impunidade jurídica. Pedófilos são pessoas comuns e que devem responder legalmente pelos delitos, quando atividades sexuais foram praticadas, o que se aplica aos abusadores sexuais infantis. Aqui eles devem ser percebidos como iguais.

– Como conclusão
Sejam abusadores sexuais, sejam pedófilos, estamos frente a um problema social muito maior do que alguém desejaria que fosse. Maior por abranger muito mais pessoas do que alguém gostaria, e pior por conter muito mais pessoas que estão na família, repetindo atos imorais e ilegais há gerações, sem serem reconhecidos nas décadas anteriores.
Este é um problema que não era considerado, nem ao menos nomeado já pouco mais de 130 anos.
Nesta fase histórica estamos tentando compreender e combater um ato, que é um hábito para muitos, e estamos assustados sem ter certezas de como lidar com estes problemas.
Mas uma coisa já consideramos certa: precisamos tomar providências! Só não podem ser ações irracionais e ilógicas, afinal, estamos referindo familiares a maior parte das vezes!
Se pensarmos errado… faremos algo errado!

Referências bibliográficas
Código Penal (Artigos 217-A, 218 e 218-A) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848compilado.htm
Cloud, J (2002). Pedophilia. Time, 159 (17), 42-45
Couto, C. (2015). Pedofilia no Estatuto da Criança e Adolescente: art. 241-E e sua interpretação constitucional. https://professorclebercouto.jusbrasil.com.br/artigos/211483569/pedofilia-no-estatuto-da-crianca-e-adolescente-art-241-e-e-sua-interpretacao-constitucional
Estatuto da Criança e do Adolescente (artigos 240 a 241-E). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069Compilado.htm
Krafft-Ebing, R. (1886). Psychopathia Sexualis.
Rodrigues, WTS (2008). A pedofilia como tipo específico na legislação penal brasileira. In http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=5071
Ventura, DC (2016). Vamos falar (corretamente) sobre Pedofilia? https://deniscaramigo.jusbrasil.com.br/artigos/406255800/vamos-falar-corretamente-sobre-pedofilia

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O que é chamado de “narcisismo sexual”


Oswaldo M. Rodrigues Jr.
Psicólogo (CRP06/20610)
psicoterapeuta sexual e de casais
Instituto Paulista de Sexualidade – InPaSex
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Este é um termo que alguns profissionais de saúde mental preferem chamar de narcisistas perversos. São pessoas que tem uma combinação com o comportamento sexual de dependência.
Existem algumas razões para considerar estas pessoas como narcisistas sexuais e até algumas maneiras de se saber se você vive com uma destas.
O que se denomina narcisista sexual é uma pessoa que não sabe se relacionar e manter intimidades com as parcerias. Eles não conhecem outra maneira de se relacionar. Eles não compreendem isso e não entendem que poderiam ser diferentes ou que as pessoas com quem convivem tem outras necessidades, diferentes das dele. Sendo assim, eles machucam emocionalmente as pessoas com quem convivem.
O narcisista usa de sedução e manipulação, com o poder que tem explora as parcerias, e as trata como objetos para a satisfação pessoal.
O narcisista derrama no outro suas coisas ruins por ser impossível conviver com estas ideias e pensamentos.
Falta-lhes empatia, compaixão e uma compreensão sobre os outros e sobre si mesmo. Assim ignoram completamente os sentimentos da outra pessoa, e tomam para si, no relacionamento, o que querem para satisfazerem-se, entendendo que podem fazê-lo.
No ato sexual eles se sobrepõe à parceria, coagindo-a para fazer sexo nos momentos que ela não gostaria de fazê-lo. A coação se faz por imposição e jogos de palavras que lhe dão a sensação desse direito, e assim será a outra pessoa submetida.
A parceira é percebida em débito com ele, portanto ele entende que ela fará o que ele quer. E sob coação, ela efetivamente fará, mesmo que não perceba que determinados atos lhe sirvam ou estejam de acordo com seus padrões morais.
O narcisista não tem muitos limites, assim forçará a parceira a atos que ela não precisa, mas ele manipulará, intimidará, seduzirá… um dos métodos será uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade. Estas manipulações são feitas em direção ao desejado, usando o mentir para chegar ao que querem.
Durante o sexo o narcisista não está conectado emocionalmente com a outra pessoa, não lhes importando se elas estão tirando prazer do ato a dois. Afinal, para ele, o que ocorre, é um direito adquirido, ele só está tirando o prazer que lhe é devido pela parceria.
Alguns narcisistas sentem um prazer extra pela parceria não estar obtendo este prazer no contato a dois. Se ela disser que lhe faltou algo, que algo não estava bem, o jogo será virado com ataques e agressões defensivas pelo narcisista, tornando-se vítima da situação. Assim faz a parceria sentir-se culpada. Argumentos simples serão sempre usados com frases do tipo “mas você não me parou”, “você nunca quis fazer sexo, você não tinha vontade, e se você me falasse, eu iria fazer outra coisa”. Claro que uma forma de forçar será sempre perguntar “Você gostou, não foi?” ou reforçando a situação “você sabe que me excita fazer sexo mesmo quando não está a fim”.
Essa falta de interação e apatia pode trazer problemas sexuais de excitação (dificuldades eréteis nos homens e falta de lubrificação vaginal nas mulheres). Assim o narcisista precisa e um ato sexual que os tire da chatice que vivem, seja estimulante, precisam de sobre estimulação erótica. Isso facilita que tenha mais e mais atividades sexuais pervertidas e que não são consideradas comuns ou morais. O uso de pornografia é comum facilitando a busca de novas formas de excitar-se. A busca leva a extremos que chegam ao estupro, o assalto sexual, fetiches de todos os tipos, perversões e explorações de pessoas rebaixando a objetos.
Eles têm grande prazer vendo a parceria fazer algo que ela não quer, apenas para ele ter prazer. Mostrar que tem prazer em tirar algo da outra pessoa e mostrar como ele conseguiu e o quanto poderoso ele é.
E o que podemos olhar para saber se acontece ao nosso redor?
1 – Eles querem sexo de você todos os dias, muitas vezes mais, fazendo você sentir-se culpada por não querer sexo;
2 – Assistem bastante pornô e se masturbam frequentemente;
3 – Você se sente objetificada por ele – algumas vezes implica em ser apalpada nas nádegas quando você está lavando pratos, falar sobre outras mulheres de modo a serem inferiores a homens, sem considerar as necessidades sexuais ou sentimento;
4 – Eles ignoram você ou se diz não para o sexo eles continuam a tentar o sexo.
5 – Não se sentir sexualmente segura ou com intimidade ao lado dele, parecendo uma obrigação;
6 – Se você estiver confortável com a situação sexual proposta, ele a fará sentir-se estúpida, envergonhada e desapontada se algo for diferente do que ele quer;
7 – Eles procuram dominação no sexo, papéis que envolvem fantasias de estupro, brincadeiras nas quais a parceira é uma adolescente, não questionar ou mostrar-se importar-se com o que sente durante a atividade sexual…
8 – Quer fotografar e fazer vídeos para assistir depois…

Estes são sinais em sua parceria sexual que podem significar que precisa de ajuda de um psicoterapeuta para debater e compreender o que lhe acontece neste setor de sua vida.
Assim foram construídas relações que hoje chamamos de tóxicas, onde existe medo da outra pessoa, impossibilidade de mostrar seus valores morais e limites, sentir-se respeitada enquanto pessoa no que quer ou pode querer. A psicoterapia auxiliará a libertar-se, desenvolver mecanismos de como enfrentar esta situação e mesmo como sair dela.

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A psicoterapia funciona?


Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psicólogo (CRP06/20610)

psicoterapeuta sexual e de casais

Instituto Paulista de Sexualidade – InPaSex

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Sou psicoterapeuta há mais de 30 anos. Atendo no consultório de 20 a 50 horas por semana desde iniciei a carreira na psicologia clínica. Com o trabalho aprendei algumas coisas, mas o que quero apresentar aprendi já nos primeiros anos e foi muito importante para minha profissão e os que me buscaram.

Mas já ia partindo do princípio que todos sabem o que é a psicoterapia…

Mas acho melhor explicar, mesmo que rapidinho ou parcialmente.

A psicoterapia é uma forma de tratamento que tem como fundamento a psicologia e se destina a solucionar ou modificar comportamentos que fazem a pessoa sofrer. Os chamados problemas psicológicos são tratados ela psicoterapia. O tratamento e faz através do conversar, com questionamentos e orientações, algumas vezes contém o aconselhamento, mas não damos conselhos. É um processo de aprendizagem de novos caminhos para enfrentar problemas antigos da pessoa, ajudá-la a ter outras formas de enfrentar o problema, resolvê-lo ou superá-lo, deixando de sofrer e tendo forças para desenvolver outras questões na vida, algo mais produtivo do que sofrer com o problema anterior.

Então, a pergunta é se a psicoterapia funciona…

Este é um questionamento importante eu todos devem ter e fazer, inclusive nós psicoterapeuta fazemos e com razão e necessidade.

Existem candidatos a tratamentos psicoterápicos que se adequam ao tratamento psicoterápico, e outros… não.

Um psicoterapeuta com um par de anos de atuação aprende distinguir, saberá em quem apostar, em quem se dedicar para auxiliar a vencer os problemas que trazem esta pessoa em busca de ajuda.

Há 30 anos tive dois pacientes emblemáticos. Auxiliaram muito reconhecer estas diferenças.

Numa tarde de sexta-feira, nos primeiros anos dos 1990, vem para uma primeira consulta um homem de quase 50 anos de idade, chegando numa Mercedes classe E, com motorista uniformizado (!). Era uma época sui generis economicamente no Brasil, pois tínhamos o hábito de dolarizar as consultas para proteção contra a inflação alta que vivíamos (chegara a 80% ao mês). Este homem explica o problema que vivia, uma dificuldade erétil, incapacidade de relacionar-se sexualmente. Havia passado por médicos que afirmaram que ela não tinha nada físico para ser tratado e precisa de psicoterapia, para poder retomar um caminho de comportamento sexual satisfatório. Iniciei a propor o contrato de psicoterapia que deveria ser de uma sessão semanal, cada uma com 50 minutos de duração, que preferia que ele viesse com a parceira sexual, e que cobrava o equivalente a U$300.oo a sessão. Neste momento ele me afirma considerava muito caro o valor de consulta… ele que tinha três fábricas, e claro administrava as fábricas, usava o dia ao redor destas atividades. Disse que podíamos conversar sobre os valores na sequência. Assim passei ao próximo item, dias e horários. Sempre tive consultório bem ocupado, e nestas épocas atendia, nas sextas-feiras, desde 08 da manhã até as 21 (já fora piada em sala de professores na faculdade onde lecionava: “só uma hora, das 8 às 9h?”). Afirmei que teria as sextas-feiras às 15h para oferecer para iniciarmos o tratamento. O candidato a paciente disparou rapidamente impondo-se que horário para ele somente antes das oito da manhã, ou depois das oito da noite, afinal, “como ele poderia sair do escritório toda semana no meio da tarde, o que os funcionários dele iriam falar?”… respirando fundo, entreguei meu cartão de visitas a ele, confirmando o horário disponível e o valor por sessão, afirmando que compreendia que se ele desejasse iniciar a psicoterapia na semana seguinte, eu aguardaria que me comunicasse até a segunda-feira à tarde, caso contrário eu disponibilizaria o horário a outra pessoa que considerasse que era o momento de vida de produzir mudanças. Por dentro eu pedia que ele não me telefonasse, pois parecia o tipo de candidato a paciente que poderia vir quatro ou cinco sessões, se eu aceitasse as condições dele, diminuísse o valor de consultas, visse mais cedo… e ele abandonaria o tratamento, e ainda consideraria que tentara e a falha não era dele…

Outro ícone nestas discussões mostrou o tipo de pessoa que poderia eu ajudar.

Era uma terça-feira à tarde, também no início dos anos 1990. Um rapaz de 21 anos de idade, vindo de área rural do noroeste do Paraná morar com um tio em Diadema (era uma cidade com os menores índices de qualidade de vida na grande São Paulo à época), e trabalhava numa oficina mecânica recebendo uma percentagem dos serviços que produzia. Visível era a graxa sob as unhas, mesmo que estivesse bem vestido, e limpo. Também trazendo a dificuldade de ter e manter ereções penianas que permitissem uma relação sexual com penetração. Iniciei os passos de contrato. Ele poderia vir semanalmente, sim, e isto significava pegar um trem e cainhar um par de quilômetros até o consultório… Valores, ele não poderia pagar o que eu cobrava, mas fez uma proposta equivalente a 30% do que normalmente fazia mensalmente para as quatro sessões mensais… um terço do valor de consultas para as quatro sessões… e neste momento conta que havia procurado uma psicóloga na cidade em que morava e havia proposta este valor e ela aceitara… Opa… ele já havia contatado psicoterapia. Neste caso, disse a ele que eu não poderia aceita-lo enquanto cliente se ele já se encontrava sob acordo para um tratamento semelhante com uma colega, propondo que ele pensasse a respeito, e que se ele considerasse que eu deveria ser o psicoterapeuta escolhido, antes ele desfizesse o acordo com a outra psicóloga e nós voltaríamos a conversar. Dois dias depois ele telefona para contar que havia se decidido por mim e que já havia desfeito o acordo com a colega, mas o dono da oficina fechou o negócio e ele estava sem trabalho por enquanto, mas sabia que logo conseguiria outro e que quando isso ocorresse ele poderia vir para o tratamento, questionando se eu aceitaria. Demonstrava um esforço e organização em prol dos objetivos… Concordei. E assim se passou o restante do mês de março daquele ano… e mais alguns meses, quando na segunda metade de junho recebo um telefonema intrigante, interessante… a produtora do programa “A porta da esperança”. Este programa de televisão se iniciara em 1984 e realizava sonhos e necessidades de pessoas que não podiam pagar pelo que precisava. A produtora explicou que receberam a carta de um jovem com impotência sexual que pedia um tratamento gratuito comigo, e propunha um negócio: eu teria 20 minutos para divulgar meu trabalho, durante o programa de maior audiência na TV naquela época, poderia ser ao vivo, mas eu poderia ter esta participação gravada em meu consultório, se assim o desejasse. Os de minutos restantes do quadro ficariam com o condutor do programa e o rapaz que contaria o problema dele em púbico… o quê? Complicado isso de expor a alguém que confiava em mim… eu não estaria cometendo nenhum erro ético, eu não promovia a exposição dele… diretamente… mas não podia concordar com o que ocorreria, sabendo também que seria contraproducente esta exposição. Estava entre sessões quando esta jornalista me telefonara, então pedi seu número e que depois falaríamos, mas naquela hora tinha que atender o paciente do horário que já aguardava. Precisava de tempo para ponderar… no dia seguinte, a quinta-feira, de manhã, telefonei ao rapaz. Mal tive tempo de explicar a razão pela qual eu ligava, e ele já falava de modo alegre que havia começado a trabalhar naquela semana e que poderia fazer o tratamento, perguntando se eu aceitava o valor que havíamos falado havia três meses (lembremo-nos que em três meses a inflação teria comido substancialmente o valor de compra do que era proposto…). Aceitando, expliquei o ocorrido, contando que eu já decidira que o atenderia gratuitamente caso ele pudesse vir para as sessões. Mas ele propunha pagar pelo trabalho. E veio semanalmente e em seis meses estava sexualmente ativo e satisfeito.

Isso me mostrava que não era o que pagava, mas o que se esforçava em seguir a psicoterapia que teria sucesso.

Es

Este era um princípio que sempre insistiam na faculdade de psicologia: a psicoterapia somente funciona para quem a aceita e para quem se envolve no tratamento. Mas semrpe será nossa vivência cotidiana que mostrará, pela prova da realidade, os caminhos corretos e úteis.

Assim, se alguém me procura no consultório já duvidando do tratamento… sei que não posso ajudar. Se alguém não se coloca disponível e investe no tratamento psicoterápico, não lucrará com ele.

E isso ainda segue algumas outras regras que sempre serão necessárias para o desenvolvimento e aproveitamento do processo psicoterápico. Outro exemplo negativo é o paciente que vem alcoolizado (mesmo com uma dose de álcool) ou sob efeito de maconha. Nestes casos o processo de modificações, de memória, de aprendizado são afetados e não faremos bom uso das sessões… e as semanas se arrastarão. E tente dizer isso como regra no primeiro dia, durante o contrato… seguramente não seremos levados a sério, pois estas pessoas sob efeito de substâncias têm a “certeza” de que sabem mais e que isso nunca seria um empecilho ao tratamento…

Assim tive que aprender que quem chega ao consultório falando que a terapia não funciona… esse alguém tem razão… com ele nunca funcionará, pois ele barrará qualquer e toda possibilidade de modificação ou direcionamento que implique nestas mudanças.

Sei que a psicoterapia auxilia a mudanças de comportamentos, atitudes, interação social em prol de melhoria de qualidade de vida… mas para quem esteja disponível a mudar.

Aos incrédulos, aos que não tem condições de aceitar algumas realidades, nada que façamos será útil. Nada, mesmo que saibamos que é o caminho da verdade. Se fizermos a demonstração caminhando sobre a água, na frente destas pessoas, elas terão outras compreensões, e olharão para o que lhe aprouver e que confirmem suas compreensões destrutivas de vida, até falarão: mas esse sujeito nem consegue nadar…”

Assim ao procurarmos psicoterapia, somos quem vai definir se faremos o tratamento, pois o psicoterapeuta já saberá no primeiro momento se temos chances de usar esta forma científica e baseada na vida humana. Funcionar… claro que funciona, mas será necessário permitir que o caminho seja seguido.

 

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Diferenças na motivação de homens e mulheres


Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.
InPaSex – Instituto Paulista de Sexualidade
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Este é um assunto muito comum nas clínicas de sexologia ou de psicoterapia de casais.
No mundo ocidental já houve época em que representantes profissionais da saúde acreditavam que homens deveriam ter mais desejo sexual que as mulheres por produzirem hormônios sexuais em maior quantidade. Mas isso já foi na década de 1950, embora ainda encontremos alguns profissionais de saúde que emitem esta inverídica opinião com certa constância.
Pesquisas populacionais desde a década de 1930 demonstram que a verdade não é bem assim em termos absolutos, mas ainda é uma verdade relativa em nossas culturas.
Regras sociais transmitidas através de dezenas de gerações e aprendidas individualmente separam homens e mulheres por suas identidades sociais. Para se perceberem homens, temos que demonstrar mais desejo sexual que as mulheres, as quais aprendem a suprimir as expressões de sexo para manterem a auto percepção de serem mulheres.
A sexualidade aflorada é uma forma social de expressão que configura as identidades sociais dos gêneros.
Biologicamente não há razão para a distinção, o que é demonstrado por casais onde existem mulheres que se dedicam mais ao sexo que os homens. Mas isso não é apresentado publicamente…
Mulheres que se mostram mais expressivas sexualmente são desmoralizadas na tentativa de se impedir que se mantenham sexualmente expressivas.
Outra forma de se buscar desmoralizar uma mulher sexualizada é a classificação de prostituta, confirmando ela estar disponível para o sexo, e mesmo sendo mulher, não ser mantida na mesma classe das mulheres “direitas”.
Uma forma de efetivar controle social sobre mulheres e a expressão sexual é a de produzir mulheres que “atendam as necessidades sexuais de seus parceiros”.
Necessidade de atender aos parceiros é uma forma socialmente aprendida de, mesmo não tendo prazeres sexuais implícitos, isto é, orgasmos, as mulheres obterem prazeres secundários, “atendendo” à necessidade do outro.
As mulheres são ensinadas por suas mães e pais a serem sexualmente submissas, e mesmo não aprendendo a extrair prazer sexual, dedicar-se ao prazer do outro para manter-se nos relacionamentos conjugais.
Assim temos grande quantidade de mulheres eu são anorgásmicas, não sabem ter orgasmos. Muitas ainda creem que seus parceiros é que são responsáveis pelo seu prazer… afinal, creem, eles é que sabem fazer sexo, portanto tem responsabilidades…
Não há como driblar algo que não se compreende e não se tem alternativas.
Muitos relacionamentos conjugais são baseados em poder econômico, e sob este a dedicação ao prazer sexual do outro é mantida.
Modificar atitudes contrárias às expectativas sociais é uma revolução que se tem que fazer sem hostilizar o mundo que as exige. Aqui entra o processo psicoterápico que permite o conhecer-se, a desenvolver qualidades e habilidades para se encontrar os caminhos necessários para a expressão sexual satisfatória e não dependente emocionalmente do outro, mantendo-se num relacionamento baseado em confiança, com afetos.
A maior parte dos casais em consultório trazem estas questões de diferenças de quantidade de frequência sexual, além das formas de expressão da sexualidade.
Mesmo assim, a maioria apenas convive com estas diferenças, submetendo-se sem discutir se poderia haver algo diferente para o futuro.
Nunca existem dicas quando nos referimos a expressões individuais.
Dicas apenas formatam grupos para que os indivíduos se pareçam iguais, mesmo não o sendo.
Compreender-se e às possibilidades humanas é o caminho, mas esta compreensão implica em correr os riscos de mudanças pessoais sem depender do outro. Conhecer estas variáveis não pertence ao aprendizado social, mas ao individual. Muitos somente conseguem estes caminhos por ensaios e erros constantes, e este não é um caminho facilmente suportado, exceto sob orientação num processo que pode ser experimentado na psicoterapia com foco na sexualidade.

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Os casamentos servem sem sexo?


Oswaldo M. Rodrigues Jr.
Psicoterapeuta sexual e de casais
InPaSex – Instituto Paulista de Sexualidade
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ALTSexPa – Associação Latino-americana de Terapia Sexual e de Casais
ALAMOC – Associação Latino-americana de Análise e Modificação do Comportamento e Terapia Cognitivo-Comportamental


Primeiramente vamos pensar bem sobre o que é um casamento.
Nas tradições ocidentais, asseadas na história europeia, a união de um homem e uma mulher sempre teve um objetivo muito bem definido, inclusive através das principais religiões vigentes. Esta finalidade tem sido o ter filhos. Claro que em muitos momentos históricos esta necessidade se dava pela alta mortandade existente, desde a mortalidade infantil, às doenças e à guerra. Assim, quantos mais filhos nascessem, maior era a chance de ter sobreviventes úteis socialmente. Assim, a instituição de relacionamentos regulados pela sociedade, um casamento, deveria ter como produto os filhos.
Muitas culturas ainda são assim, e algumas valorizam basicamente o filho homem como reconhecimento de mão de obra produtiva financeira.
Mas um relacionamento a dois cada vez mais adquiriu outras funções nas vidas dos cônjuges.
Com a população mundial atingindo números nunca antes alcançados e com a produção de alimentos chegando a limites previstos desde o século XVIII, o discurso contra o excesso de nascimentos tem aparecido em muitos países no século XX, incluindo buscas de controle familiar, políticas de planejamento familiar… e em muitos países o resultado tem sido de redução do crescimento populacional.
Nestas circunstâncias outras finalidades se desenvolveram desde o fim do século XIX e se mostram importantes no século XXI.
Os relacionamentos conjugais passaram a ser valorizados pelo afeto entre os cônjuges, o amor. Algo de menor importância antes do século XIX, mas que ganhou enorme valorização no século XX como se houvesse sempre sido assim.
Os relacionamentos de casamento passaram a ser valorizados, primeiramente, pelo amor, mas ainda seguiam com a necessidade de reprodução. A Lei Brasileira valorizou este aspecto por todo o século XX, mas já referindo o casamento com uma função importante primordial de “conjunção carnal” e não diretamente reprodutiva.
Mas continuavam os casamentos religiosos católicos expressando que a finalidade da união era ter filhos. Mas já no final do século XX e início do XXI podemos estucar padres oficiando um casamento valorizando o relacionamento sexual, além do reprodutivo.
Assim o que temos é a função reprodutiva do sexo imposta socialmente há milênios, mas perdendo a força nos últimos 150 anos.
A valorização do casamento como o local social para a vivência de afetos e emoções, a exemplo do amor e das emoções sexuais passa a aparecer e receber valorização ideológica.
Casais passam a ter relacionamentos longos e sem filhos atualmente, sendo que há meros 20 ou 30 anos o que já se percebia era a diminuição do número de filhos se compararmos às décadas anteriores. E isto é mais visível nos grandes centros urbanos.
A valorização do casal como companheiros para viverem a vida, os prazeres, as diversões, aumenta de importância.
Claro que este modelo de casais também tem funções sociais outras, a exemplo de serem dois elementos produtivos que se dedicam a seus trabalhos, aumentando a produtividade de um grupo em que não existe a necessidade de aumento populacional.
Assim temos casais que podem ter no casamento o meio de trocas emocionais e afetivas. Estas trocas também podem ser através do sexo, também podem!
Então passamos a valorizar relacionamentos que não exigem o sexo como formas de trocas emocionais. Antes o sexo era a forma exigida para a reprodução. Atualmente nem o sexo é necessário para se ter filhos…
Então, casamento, união de duas pessoas pode ser também uma união homossexual, pois deixou de haver a exigência de se ter filhos. Isto reforça a compreensão de trocas afetivas e emocionais serem mais importantes, incluindo o uso do sexo.
O valor da troca emocional e afetiva por ser desenvolvida através de meios não sexuais, não genitais, mas que ainda podem ser sexuais. Afinal, o relacionamento sexual não se restringe, nunca foi restrito, a genital, à cópula.
Os novos modelos não são exatamente tão novos, mas passa a ser reconhecidos como possibilidades e iniciam a receber valorização positiva que deve crescer nas próximas décadas.
Então temos casamentos onde o sexo não é o primordial e isso tem aparecido nas últimas décadas chegando ao fenômeno da assexualidade.
Ainda existem preocupações de que sexo seja uma resposta ao amor, e que se o sexo diminuísse ou acabasse seria uma referência à diminuição ou fim do amor.
Amor é um elemento afetivo, algo mais complexo do que as emoções primárias, reativas, animais existentes no ser humano.
Emoções são as vivências que ocorrem durante o sexo, diferenciando-se dos afetos.
Os casais formados sempre valorizaram o sexo baseado no amor, mas cada vez mais se debateu a diferença entre as duas circunstâncias, e cada vez mais se reconhecendo o sexo sem a necessidade de afetos presentes, sem a necessidade do amor. Mas isso é algo que os homens já eram ensinados a viver e poder falar a respeito desde há muitas e muitas décadas.
O desejo sexual é um mecanismo interativo no casal. Estímulos físicos que se transformam e são percebidos como sexuais.
Casais que reconhecem a diminuição de atividades sexuais e de motivação para a busca destas atividades podem mudar esta situação.
Reencontrar os caminhos para as atividades sexuais é algo plenamente possível, mas que exige reorganizações que nem sempre os casais percebem que podem executar, o que os leva a procurar auxílio em psicoterapia de casais ou na psicoterapia sexual.
No Brasil ainda não é tão comum um casal buscar ajuda para superaram problemas que ocorreram exceto na iminência de separação.
A possibilidade de término de um casamento pode mobilizar a um ou ambos na busca de alternativas para retomada do casamento.
Compreender os limites momentâneos de um casal se recuperar sem ajuda num momento que compreendem estão vivendo sem atividades sexuais será o primeiro passo.
Se soubessem como fazer, já o teriam feito.
Reconhecer que se precisa de ajuda será um passo muito importante e o mais difícil de se tomar.
Os caminhos da psicoterapia de casais para superação de problemas sexuais sempre deverão ser positivos e prazerosos.
A psicoterapia focada na sexualidade auxiliará a cada um no casal a reconhecer as atividades que conduzem a sensações prazerosas e desenvolver coerência entre o que fazem, pensam e sente (tanto fisicamente quanto emocionalmente). Assim o caminho poderá ser muito prazeroso para o casal e a psicoterapia funciona para estes casais que se propõe a mudar e chegarem a um objetivo com essa ajuda psicológica.

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Mitos e verdades sobre a terapia sexual


Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.
InPaSex – Instituto Paulista de Sexualidade
http://www.inpasex.com.br


A terapia sexual, uma forma de psicoterapia, é aconselhada a casais que estejam enfrentando problemas no relacionamento sexual.
A psicoterapia é um método científico de tratamento que propicia mudanças de comportamento, de funcionamento no mundo e nos relacionamentos humano.
Há 30 anos eram mais mulheres que procuravam tratamento, geralmente reclamando que não conseguiam ter orgasmos nos relacionamentos sexuais, sentindo-se prejudicadas por não poder oferecer ao companheiro o que consideravam era necessário. Também a falta de mobilização para o relacionamento sexual trazia estas mulheres na busca de estarem adequadas ao homem que apresentava mais desejo de fazer sexo.
Atualmente existe uma quantidade de casais que passa a ser muito mais importante do que há 30 anos, trazendo a compreensão de que o casal tem uma dificuldade de relacionamento sexual.
Atualmente as mulheres tem as mesmas dificuldades que reclamavam há 30 anos, mas estão mais voltadas a buscarem soluções que as satisfaça, com este parceiro ou se não for com esse, seja com outro.
Homens continuam procurando solucionar dificuldade de desempenho, como ter e manter ereções penianas ou controlar a ejaculação voluntariamente, mas tem aumentado o número de homens que compreendem que o desejo sexual não está sob seu controle e querem desenvolver-se.
A psicoterapia focalizada na sexualidade pode auxiliar casais a se envolverem mais adequadamente, mais profundamente no relacionamento sexual e melhor a qualidade de vida dom casal. Mas foca em queixas mais corriqueiras e focais: dificuldades de ser penetrada e falta de motivações para o sexo, além de poderem ter prazer Orgásmico mais frequentes ou no relacionamento coital para as mulheres. Homens queixam-se de não controlarem o momento de ejacular ou de ter e manter o pênis rígido além de terem falta de desejo de sexo.
Um problema que traz casais ao consultório é a diferença de necessidade de frequência de relacionamentos sexuais. Outra questão é a forma de se obter prazer e satisfação sexuais em casais, onde entram as preferencias sexuais diferentes entre o dois. Além da adequação sexual a dois, permitindo satisfação, podemos ter algo mais extremo que são os comportamentos chamados de parafílicos, onde um dos dois aprendeu a obter prazer sexual de modo muito diferente do que comentamos na rua em nossa cultura, e a adequação do casal se torna mais difícil de se conseguir sem auxílio profissional encaminhando as superações.
Podemos ter sessões individuais, mas as sessões com o casal auxiliam de diversas formas.
Uma questão primordial é que a outra pessoa sempre será a maior interessada no desenvolvimento do comportamento sexual da parceria, e nada mais justo do que participar, colaborando, mas também apontando as direções que também lhe convenham.
Algumas pessoas precisam da psicoterapia individual, em paralelo. Seja por necessidade de desenvolverem qualidades que facilitem o relacionamento sexual, seja para superarem expressões e comportamentos que os impeçam ou dificultem o desempenho sexual por questões pessoais, mais do que interpessoais. Aprender a lidar com ansiedades, estados depressivos ou o estresse do trabalho, administrar formas de pensamento, auto regras, fantasmas do passado são questões individuais a serem trabalhadas.
Ensinar a transar direito é uma forma precária de se referir à Psicoterapia Sexual, mas é uma parte compreensível que nossos pacientes tem do processo.
Em verdade existem muitas formas de se “transar direito” e cada casal desenvolve uma forma específica que será a forma deles em transar direito.
Temos discursos sociais do que se tem ou deve fazer no sexo. Todos lemos e ouvimos e repetimos estes formatos, mas cada qual tem modos muito idiossincráticos de obter prazer sexual, e isto precisa ser considerado quando existem duas pessoas envolvidas. Geralmente a outra não aprendeu da mesma forma, desconhece os caminhos e isso traz problemas de casal.
O aprendizado sexual na psicoterapia não é um aprendizado pedagógico, mas psicológico. Isto implica que o casal que acabou de sair da sessão está fazendo um caminho diferente o casal que vai entrar no próximo horário. Mas os dois casais falarão que estão treinando como fazer o sexo adequado.
Isso às vezes confunde as pessoas que os médicos encaminham para a psicoterapia sexual, achando que terão “treinamento sexual” no consultório! E no consultório, nas sessões de psicoterapia falaremos, planejaremos, compreenderemos o que ocorreu e o que irá ocorrer para modificar os comportamentos e obter o sexo desejado.
Nenhum paciente ficará despido no consultório de terapia sexual.
Nenhum casal fará nada de sexo na frente do terapeuta, muito menos com o psicoterapeuta!
O psicólogo não fará exames físicos. Sendo necessário, o psicoterapeuta encaminha o paciente a um ginecologista ou um urologista que procederá aos exames físicos.
O terapeuta não toca os pacientes fisicamente. Não há razão técnicas, prática, nem teórica, além de ser ilegal e não profissional fazê-lo.
Um psicoterapeuta sexual pratica a psicoterapia.
No Brasil a psicoterapia é o instrumento profissional maior do psicólogo, e por extensão legal de médicos que tenham estudado para praticar a psicoterapia. Nenhuma outra formação acadêmica é legalizada no Brasil para fazer psicoterapia.
Esta é uma questão que também depende do psicoterapeuta…
Em meu consultório, a maioria dos casais se mantém juntos. E o fazem por descobrirem novas formas satisfatórias de entrosamento a dois, além do sexual, coital.
Esta é uma pergunta bem difícil de se responder, pois pessoas diferentes tem necessidades e caminhos diferentes.
Os problemas sexuais mais simples, que não envolvam questões de desejo sexual, podem ser superados em 75% dos casos em prazos de 6 a 8 meses (estatística do InPaSex).
Mas sempre dependemos de outras questões, a exemplo de se houver um estado depressivo que exigirá ser trabalhando antes de se iniciar a fase dirigida a sexo (e preferencialmente sem medicamentos, pois estes interferem com o desempenho sexual de modo negativo para a maioria dos pacientes)
Os relacionamentos produzem os problemas sexuais!
Um problema sexual não separa um casal, a não ser que um dois já tenha planejado o caminho da separação e usará a justificativa, a desculpa para a separação.
Problemas sexuais sempre podem ser superados.
Problema sexuais são dos mais fáceis de serem solucionados em psicoterapia.
Os resultados mais certeiros são o de superação do problema, modificação dos comportamentos que geravam as dificuldades.
Afinal, além de evitar o desprazer, encontramos prazer e satisfações com os resultados da terapia! O prazer sexual é a grande motivação e o grande objetivo!
Se sente que tem um problema sexual, consultar-se com um psicoterapeuta que conheça os caminhos em ajudar será o inicio da solução!
Na primeira consulta, sentiu-se bem? Vá em frente, sigas as orientações e o processo de psicoterapia seguirá um caminho que lhe convém!

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Carnaval é mais sexual?


Há milênios a cultura europeia se utiliza desta época para festas religiosas de cunho sexual em vistas a reprodução, algo importante há 2-3 mil anos. Os grupos sociais desenvolveram formas de facilitar a reprodução, valorizando as emoções associadas ao sexo através destas festividades.
Mesmo com o cristianismo, estas festas continuavam, portanto novo significado foi criado mantendo as festividades, incluindo a quaresma na sequência como forma de penitência para o que se havia feito durante o carnaval.
Desde crianças aprendemos estes significados e a espera da semana de carnaval, criando expectativas de como será, facilita este mecanismo de euforia crescente que se produz, diariamente até os dias de festas.
Uma regra social que muitos seguem! Porém, nem todos.
Claro que isso depende de um aprendizado socialmente produzido e de cada um de nós obter satisfações especiais com estas experiências desde a infância. O ambiente em que vivemos também tem que facilitar que estas vivências carnavalescas sejam valorizadas.
Assim ocorre com algumas pessoas.
O mecanismo de aprendizado de todas as coisas que vivemos também se aplica ao carnaval. Se temos vivências prazerosas com as folias de carnaval, tendemos a repetir, a cada ano aumentar a expectativa para que o prazer conhecido seja repetido. Este é p elemento motivador, buscar aquela sensação reconhecida como prazer.
Algo que sempre ouvimos e mesmo lemos em muitas médias, é de uma atividade sexual extravagante e que todos se envolvem,
Em verdade aumento de parcerias sexuais, isto é, com relacionamentos sexuais com coito, é algo que precisa ser verificado com a realidade. Não deve ser bem assim… nõ tanto quanto todos dizem ou acham que seja.
O que claramente existe é a vivência de emoções sem os controles do cotidiano, favorecendo euforia, alegrias.
Estas vivências são compartilhadas com o contato físico que não existe no cotidiano de trabalho. “Brincar” o carnaval num bloco de rua e esfregar-se em todos, ter o contato físico sem medos de se sentir abusado ou de estar sendo percebido como abusador gera a euforia de liberdade, facilitando estar com várias pessoas concomitantemente ou em sequencia, sem se importar com o estabelecimento de um relacionamento após.
Para algumas pessoas esta vivência é extremamente forte, a tal ponto dela sofrer por não viver isso o restante do ano, mesmo tentando contatos rápidos nos fins de semana. Pessoas que buscam estes padrões para os relacionamentos de longo prazo tendem a sobrevalorizar o carnaval, e tendem a desvalorizar os relacionamentos baseados em afetos de longo prazo.
A busca de satisfação imediata não é compatível com um namoro, um casamento, um compromisso.
Seja por aprender com o carnaval sentir e viver estas formas de expressão emocional, seja por ser assim independentemente do carnaval, estas serão pessoas com grandes dificuldades de estabelecer relacionamentos de longo prazo.
Um relacionamento de longo prazo pode iniciar-se no carnaval, ao menos teoricamente, mas não será o comum, não o é.
As folias de carnaval e todas as outras festividades que ocorrem com o uso de álcool e outras substâncias são formas das pessoas buscarem vivências diferentes do cotidiano. Algumas procuram estas situações para escapar do mal estar que não suportam, outras para tentar encontrar momentos de satisfação. Algumas apenas sabem seguir estes mecanismos de satisfação, permanecendo dependentes deles. Estes últimos encontram no carnaval um momento extra através do qual podem sentir-se iguais aos outros, sem serem rejeitados por estarem alcoolizados ou sob o uso de substâncias.
Também existem pessoas que usam o carnaval para se darem o direito de viverem um momento diferente, emoções diferentes, e depois retornarem ao cotidiano comportado, regrado. Assim equilibra o ano, seguindo regras sociais e sem importunar aos vizinhos.
Algo que é preciso saber é o que a folia de carnaval significa para si mesmo. Compreender o que buscamos e saber como encontrar é algo que nos dá poder sobre nós mesmos e sobre o ambiente. Pessoas que não tem controle somente sobrevalorizarão a folia de carnaval, e ainda se justificarão de que não existe problema em viver assim, usando o próprio carnaval com exemplo desta possibilidade.
Casais que apreciam, juntos, estas folias, terão mais um momento para dividirem na vida.
Casais em que cada um tem uma opinião sobre o carnaval, terão um problema para solucionar e administrar. E nem sempre um casal sabe como lidar com estas situações de necessidades de vivencias diferentes. Aqui precisam de ajuda para não se desfazerem. E não se trata de um processo simplista de aconselhamento, algo que passou a ser chamado de “coaching” pelos mecanismos de marketing. Um relacionamento a dois não pode depender apenas de um aconselhamento, pois desta forma não considerará as necessidades individuais e não produzirá planos de ação coerentes para as diferenças existentes. Afinal, se as propostas de orientação e aconselhamento simples funcionasse nestes mecanismos, a religião teria sido suficiente há milênios, e justamente com o carnaval não o foram, produzindo a permissão para sair-se das regras cotidianas com a negociação de voltar elas depois. Aos que este mecanismo funciona… continuará funcionando, apenas pela regra já estabelecida.

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